Alice Carvalho estreia espetáculo “Inkubus”, que trata de violência contra a mulher

Publicação: 2017-09-12 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Repórter

Os sucessivos testes de elenco sem êxito não fizeram Alice Carvalho desistir de ser atriz. Pelo contrário, alimentaram nela um impulso artístico maior. Como não se encaixava nos papeis disponíveis, a potiguar, ainda adolescente, percebeu que para ir atrás de seu sonho seria preciso criar as próprias histórias para protagonizá-las. A aposta deu certo.

Alice Carvalho construiu sua carreira escolhendo (e criando) as próprias histórias. Aos 21 anos, estreia em novo papel sério onde aborda a violência contra a mulher
Alice Carvalho construiu sua carreira escolhendo (e criando) as próprias histórias. Aos 21 anos, estreia em novo papel sério onde aborda a violência contra a mulher

Aos 21 anos, atriz e autora, Alice já acumula no currículo um espetáculo – “Do Amor”, que rendeu livro pelos Jovens Escribas – e uma websérie – a premiada “Septo”, escrita em parceria com outros roteiristas. Nesta semana ela lança mais um projeto novo, o monólogo “Inkubus”, que trata da violência contra a mulher. A estreia oficial acontece na sexta-feira (15), às 20h, no Teatro de Cultura Popular (Tirol), com reapresentação no sábado (16), no mesmo horário.

“Desde 'Septo' venho muito envolvida com questões de empoderamento feminino, mas abordando o tema de forma sutil e não direta. Com 'Inkubus' fiz diferente. Toco numa questão pesada, que é a da violência contra a mulher, crime que a cada sete minutos é cometido no Brasil, e, na maioria dos casos, o agressor e próximo da vítima. É algo completamente alarmante”,  explica Alice em entrevista ao VIVER.

O texto de “Inkubus” começou a ser escrito em outubro do ano passado e se baseia em experiências pessoais e de amigas próximas. Sozinha no palco, a atriz vive, por meio de memórias e sentimentos, a história de “Mosquito”, uma jovem artista com histórico de abuso e assédio e que tem uma conturbada relação com a mãe. Para o título da peça, ela fez uma referência a lenda do Inkubus, demônio masculino que invade o sonho de mulheres para ter abusar sexualmente delas, minando suas energias.

Para dirigi-la, Alice convidou Júnior Dalberto (“Borderline”, 2014 e “Ventre de Ostra”, 2016). “Queria muito trabalhar com o Dalberto. É um artista com 40 anos de carreira. Quando juntei 40% do texto, mostrei para ele, que me passou algumas referências, como o filme Taxi Driver”, diz a atriz. “Tratamos o abuso procurando saídas menos óbvias. Não queremos causar asco, dor. O tema por si só já é pesado”. A montagem minimalista, apenas cadeira, violão e um pano. A trilha é feita ao vivo, pelo dj Jamisson Pinheiro, com a colaboração do músico Antônio de Pádua, tio de Alice. O espetáculo foi montado com recursos do edital de Economia Criativa do Sebrae.

Da comédia para os temas sérios

Atualmente focada em temas sérios, Alice Carvalho vem originalmente da comédia. Na adolescência ela fez apresentações de stand up comedy e no seu primeiro espetáculo, “Do Amor”, abordou o casamento pelo viés humorístico. Mas a transição para novas abordagem foi algo natural de seu amadurecimento como indivíduo.

“No stand up não entrava nessas discussões. Eram só bobagens. Foi um grande aprendizado pra mim. Mas não me vejo voltando a fazer esse tipo de trabalho, pelo menos por enquanto”, diz. Mas a artista não teme ficar marcada por trabalhos politizados. Pitadas cômicas continuam a aparecer pontualmente em seus trabalhos. “A política em si, não me interessa muito para fazer meus trabalhos. Me sinto mais a vontade falando de injustiças”.

Em Septo a potiguar tocou pela primeira vez na representatividade da mulher na sociedade atual, mas puxando da temática LGBT. Idealizadora da série, Alice contou com a parceria de Aureliano Medeiros e Frank Aleixo no roteiro e a direção Andre Santos, Helio Ronyvon, Tereza Duarte, Vitoria Real e Victor Ciriaco. Segundo a artista, somando todos os episódios, “Septo” já conta com quase um milhão de visualizações no Youtube.

“Na série narramos a história de casal lésbico, mas tratando como qualquer outro casal. As questões ali mais do que somente a sexualidade das personagens”, comenta. Premiada em festival  na Argentina como melhor websérie, Septo já tem programada uma segunda temporada. Segundo a artista, as filmagens vão começar no início de 2018.

Sobre atuar para teatro ou para as câmeras, a atriz diz sentir algo mais instigante nos palcos. “Teatro tem um pico de adrenalina gigante. É preciso equilíbrio. Diferente de um set de filmagem, não posso errar porque não terei como repetir ao vivo”, reflete.

Novos projetos
Estar sempre produzindo, emendando um projeto atrás do outro, é, segundo a atriz, um necessidade fisiológica. “Além das coisas que já tenho que fazer, a universidade, todo dia separo duas horas para estudos. Como oscilo muito, às vezes me dedico a parte escrita, outras, a atuação”, diz.

Aluna do curso de Artes Visuais da UFRN e envolvida com outros projetos, Alice conta que pegou isso do tio, o músico Antônio de Pádua. “Muito da minha referência nas artes é meu tio. Via ele produzindo as próprias apresentações, tocando vários instrumentos. Decide que ia ser assim também. Jogando em todas as posições”, afirma.

O que?
Um demônio na forma masculina conhecido por invadir o sonho das mulheres e abusar delas enquanto dormem, drenando suas energias. Foi relacionando essa definição com relações abusivas vividas por mulheres que Alice Carvalho (“Do amor”, 2014 e "SEPTO", 2016) batizou seu mais novo projeto, o monólogo

SERVIÇO
Inkubus, estreia dias 15 e 16, às 20h, no Teatro de Cultura Popular Chico Daniel (TCP), av Jundiaí, 641, Tirol (ao lado da Fundação José Augusto). Ingressos ao preço de R$ 30 e R$ 15.



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