Alma do Seridó

Publicação: 2020-09-26 00:00:00
Tádzio França
Repórter

Quem tem sobrenome Dantas e raízes seridoenses não precisa de muito esforço para destrinchar sua ancestralidade e elaborar a árvore genealógica.  “O Coronel de Milícias Caetano Dantas Correia”, livro que Dom José Adelino Dantas escreveu em 1978, é uma pesquisa apurada sobre o fundador de uma das famílias mais antigas do sertão nordestino colonial, entre o Rio Grande do Norte e a Paraíba. O Sebo Vermelho reedita a obra em versão fac-símile e lança neste sábado (26), das 9h ao meio-dia, na Cidade Alta.

Créditos: acervo particular elisabete dantas de araújoCaetano Dantas Correia emprestou seu nome ao colégio da cidade de Caranaúna dos Dantas, inaugurado, com pompa, em 1934Caetano Dantas Correia emprestou seu nome ao colégio da cidade de Caranaúna dos Dantas, inaugurado, com pompa, em 1934

O livro conta a história do patriarca dos Dantas através de material pesquisado por Dom Adelino entre cartórios, igrejas e casas paroquiais. “Ele traça a genealogia dos Dantas de 1750 até 1950. É o livro mais completo já escrito sobre as origens dessa família seriodoense”, afirma Abimael Silva, editor e proprietário do Sebo Vermelho. Ele conta que já havia reeditado o livro em 2010. A edição acabou rápido e virou raridade, a ponto de ser vendida atualmente por até R$400 na internet. “Um exagero e um absurdo, claro. Foi uma das razões de eu ter feito outra edição”, diz.

Caetano Dantas Correia nasceu em 1710 na cidade da Paraíba (atual João Pessoa), filho de um português e uma brasileira. Consta que veio se aventurar pelos sertões do Seridó aos 17 anos de idade, junto com um irmão mais velho. Eram os primórdios da colonização dessa região, situada entre os territórios potiguares e paraibanos. Os primeiros colonizadores brancos estavam a chegar, no rastro da dizimação e expulsão da população indígena pela chamada ‘Guerra dos Bárbaros’ (1683-1713). O objetivo do genocídio era enfim colonizar o interior nordestino.

Créditos: itamar ciríacoA obra potiguar que virou raridade foi reeditada pela Sebo Vermelho em uma versão fac-símileA obra potiguar que virou raridade foi reeditada pela Sebo Vermelho em uma versão fac-símile

Senhor de terras
Caetano já era um próspero criador de gado quando adquiriu aquela que seria sua morada até a morte, a fazenda Picos de Cima, localizada numa área próxima à atual cidade de Acari. Possuía terras no RN e na Paraíba. No ano de 1753, Caetano se casa com Josefa Araújo Pereira, filha de um português residente numa fazenda vizinha. Ele tinha 43 anos, e ela, 14. Um tipo de arranjo matrimonial comum na época. O casal teve 17 filhos. Caetano faleceu na sua fazenda em 1797, aos 87 anos de idade. Foi enterrado na igreja de Nossa Senhora da Guia, que depois se tornaria a Igreja do Rosário, em Acari.

A fazenda Carnaúbas, uma das muitas propriedades do patriarca seridoense, deu origem à cidade de Carnaúba dos Dantas, cuja história já se explica no nome, e não à toa é o município da região com a maior concentração de sobrenomes Dantas. Os casamentos entre primos, tios e sobrinhos, para manter valores de raça e propriedade, era outra característica do período. A capa do livro traz a imagem do ferro de marcar gado da família Dantas, uma prova de seu poderio na região.

O livro de Dom Adelino é um atestado de origem tão evidente que, segundo Abimael Silva, já foi usado por muitos seridoenses (e descendentes) para obter cidadania portuguesa ou espanhola. “Dezenas de pessoas já fizeram isso, e usaram esse livro como base. É um documento importante para a história dos potiguares dessa região”, afirma o editor. Foram feitos apenas 100 exemplares da nova reedição.

Serviço:
Lançamento de “O Coronel de Milícia Caetano Dantas Correia” (85 páginas). 
Hoje (26), das 9 às 12h, no Sebo Vermelho, Av. Rio Branco, Cidade Alta. Preço: R$40.










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