Alshop espera crescimento de 8 por cento

Publicação: 2014-03-23 00:00:00
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Copa do Mundo no primeiro semestre, eleições no segundo, juros aumentando, endividamento das famílias. O cenário que se descortina neste início de 2014 ainda não permite projeções bem definidas para os shoppings não só de Natal, mas do país como um todo. Em meio a esse clima de incertezas, a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop) prevê crescimento de 8% para o setor, média igual a de 2013. “Mas é prematuro ter uma projeção fechada em um país com variáveis que mudam tão repentinamente”, afirma o diretor de Relações Institucionais da Alshop, Luís Augusto Ildefonso da Silva.

No Brasil, a Intenção de Consumo das Famílias (ICF), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), apresentou em março recuo de 3,3% na comparação com fevereiro, e queda de 5,1% em relação a março de 2013.

Na visão do diretor de Relações Institucionais da Alshop, a situação é decorrente das despesas com material escolar, impostos e taxas que chegam no início do ano, fazendo com que a população compre menos entre janeiro e março. Ele avalia que esse crescimento no número de famílias endividadas deve impactar o comércio de shopping neste ano.
Natal Norte Shopping, na zona Norte de Natal: em direção contrária ao setor nacional, o shopping espera crescer durante a Copa
Além disso, a Copa do Mundo também não deve surtir bons resultados para o comércio de shopping, em sua opinião. “A Copa representa dias a menos de vendas. Vai ser bom para bares, restaurantes, mas com o brasileiro ligado em futebol, o varejo fica estagnado, não cresce na medida que poderia crescer”, afirma.

A Copa do Mundo também pé motivo para desconfiança para o vice-presidente da Associação de Lojistas do Midway Mall (Alomid), Edmilson Teixeira. “Nós não temos uma boa expectativa para a Copa. Em dia de ponto facultativo ou feriado, vamos abrir, mas o que vai ter de movimento nas lojas é dúvida”, diz.

Contudo, em se tratando de Copa, as opiniões são as mais variadas. O Natal Shopping preferiu não arriscar um palpite. “Sobre a Copa, as conversas ainda estão acontecendo, não tem nada definido por enquanto”, registra a administração, em nota.

Bons números
Mesmo acreditando em um ano de crescimento de cerca de 12%, a gerente de marketing do Praia Shopping, Danielle Leal avalia que a Copa pode se reverter em números positivos. “Acho que a Copa é um evento de esporte que o brasileiro é apaixonado e quando as pessoas estão felizes, as  pessoas consomem mais. Se o comércio abrir, acho que pode ser um segundo Natal”, avalia.

Quem corrobora com essa visão é o superintendente do Natal Norte Shopping, Antônio Barandas. Segundo ele, com ações voltadas para o evento, é possível atrair visitantes e estimular o consumo nas lojas. “Estamos nos preparando e acho que, para o varejo, a Copa vai trazer resultados positivos”, analisa.

Particularmente no caso do Natal Norte Shopping, diz Barandas, a inauguração do Aeroporto Internacional Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, poderá ser motivo para um incremento na área primária do shopping. “Só aluma coisa macroeconômica pode prejudicar o ano”, opina.

Em se tratando de conjuntura macroeconômica, a gerente de marketing do Praia Shopping, avalia que a alta dos juros do país podem impactar nos resultados do ano. “Quando os juros crescem, fica mais difícil para adquirir bens de consumo. As taxas dos cartões de crédito sobem e as coisas acabam ficando mais caras do que elas realmente são”, analisa.

As eleições também podem acarretar em desaceleração das vendas, na visão de Danielle Leal. O diretor de Relações Institucionais da Alshop pensa o mesmo. “O país fica tomado por discussões políticas, propaganda, o que desvia a atenção das compras”, afirma Luís Augusto Ildefonso da Silva.

Com esse cenário, o recado que fica para os lojistas de shopping é um só: “É um ano para buscar superação”, destaca Edmilson Teixeira.

Obra de novo shopping inicia até 2015

Um novo shopping deve começar a ser construído em solo potiguar até 2015. Com previsão de conclusão do licenciamento ambiental até o fim de maio, o Praça das Dunas será erguido pela Capuche, em parceira com o grupo 5R Shopping Centers, no bairro de Emáus, em Parnamirim. “Devemos terminar os projetos executivos após a etapa de licenciamento e, em seguida, abriremos concorrência para definir a empresa que vai fazer a obra”, explica o presidente do grupo Capuche, Edson Matias.

O investimento das empresas no empreendimento é da ordem de R$ 300 milhões. A área é de 68 mil metros quadrados, diz ele, sendo 42 mil metros de área bruta locável. Segundo Matias, a ideia é que a inauguração seja realizada até o fim de 2016.

“Várias pesquisas foram feitas mostrando que existe uma carência naquela região de um shopping, que atenderia a Zona Sul de Natal, mas também Parnamirim e Macaíba. Isso é visível. Os shopping de Natal estão hoje sem lojas para locação e com grande movimento de público”, afirma o presidente da Capuche.

Edson Matias acrescenta que o shopping terá dez âncoras, além de supermercado, 32 restaurantes e 208 lojas. “Estamos terminando de fechar com as âncoras para poder partir para a definição das lojas  satélites”, diz ele, se adiantar quais as âncoras previstas para o empreendimento.

>>Comércio
A expectativa para o varejo, de maneira geral, é vista com bons olhos pelo presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-RN), Marcelo Queiroz. “O crescimento do comércio foi menor em janeiro do que foi no mesmo mês de 2013, mas ainda não dá para dizer que essa vai ser a tônica do ano”, analisa. “A expectativa para esse ano é positiva por causa da Copa e por questões como possibilidade de retomada de investimento público, além do aumento da oferta de emprego. São situações que concorrem para uma expectativa positiva”, acrescenta Marcelo Queiroz.