Alta estação deverá mitigar impactos negativos da pandemia no turismo

Publicação: 2020-10-18 01:00:00
Um dos setores mais impactados pelas restrições provocadas pela pandemia do novo coronavírus, que fechou fronteiras e impôs o isolamento social, o Turismo deve ter no verão uma oportunidade de intensificar sua trajetória de recuperação. Segundo Alexandre Sampaio, diretor da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a estação, que tem início na segunda quinzena de dezembro, vai marcar o encontro dos turistas brasileiros com as atrações domésticas.

“A expectativa para o verão é a melhor possível, será o início da recuperação pela qual o turismo brasileiro vai passar no ano que vem”, destacou Sampaio, que participou, semana passada, da Bússola Live “Turismo no pós-pandemia: novos protocolos e possibilidades”, realizada pelo Grupo FSB e pela Exame.

Créditos: Adriano AbreuAeroporto Governador Aluízio Alves viu movimentação cair drasticamente nos meses de pico da pandemiaAeroporto Governador Aluízio Alves viu movimentação cair drasticamente nos meses de pico da pandemia

O caminho de retorno das atividades turísticas em direção ao cenário pré-crise, porém, já começou. A CNC calcula mensalmente as perdas do setor e vem identificando uma redução gradual dos prejuízos, a partir da flexibilização e da reabertura gradual da economia. Apesar disso, o Turismo já acumula mais R$ 207 bilhões de perdas, de março a agosto, período no qual foram fechados quase 50 mil estabelecimentos ligados à cadeia turística.

“A tendência é que o faturamento real do setor encolha cerca de 38% neste ano, com perspectiva de volta ao nível pré-pandemia somente no terceiro trimestre de 2023”, afirmou Sampaio, que também é responsável pelo Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur) e presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA).

Sistema Comércio

O prognóstico, contudo, não impede que os representantes do segmento turístico estejam otimistas com o ritmo da reação do mercado nos próximos meses. Sampaio, que acredita que a recuperação será lenta, mas sólida, aproveitou a oportunidade para destacar a importância das ações que têm sido desenvolvidas pelo Sistema Comércio na pandemia: “Estamos todos encarando esse momento com muita seriedade e, nesse contexto, as iniciativas do Sistema têm sido essenciais, como as realizadas pelo Sesc e pelo Senac, com cursos que permitem reciclar os funcionários e deixá-los aptos a atender o público dentro das novas exigências e recomendações sanitárias”.

Além de Sampaio, participaram do debate Gervasio Tanabe, presidente-executivo da Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (ABRACORP), João Marcello Barreto, presidente da Orla Rio, e Sandro Fernandes, CEO do Bondinho Pão de Açúcar. Eles também acreditam que a tendência é de uma retomada gradual, impulsionada pelo mercado doméstico.

Aéreas geraram R$ 32 bi em impostos

O transporte aéreo brasileiro contribuiu com R$ 32,6 bilhões em impostos no ano passado, o equivalente a 1,3% da arrecadação do país, com a geração de 1,4 milhão de empregos (1,6% do total) e o pagamento de R$ 42,9 bilhões de salários (1,7% da massa salarial). Isso é o que revela o Panorama 2019 da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR), conjunto de dados e análises do setor aéreo lançado semana passada pela ABEAR. Segundo o levantamento, a aviação gerou R$ 103,4 bilhões de valor agregado à economia, ou 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB).

O empenho permanente das empresas aéreas brasileiras em reduzir o consumo de combustível e as consequentes emissões de gás carbônico também é destaque nesta oitava edição do Panorama.  A publicação traz, ainda, diversos aprimoramentos para medir a qualidade dos serviços prestados, como a já tradicional pontualidade da aviação nacional, prova dos ganhos contínuos de eficiência do setor, entre outros diversos dados e estudos que mostram a importância e a relevância da aviação para a economia e o desenvolvimento do país.

“É importante destacar que esta edição representa o último conjunto anual de dados e análises do setor elaborado pela ABEAR antes do severo impacto da pandemia do novo coronavírus. Isso torna o Panorama 2019 de vital importância para servir como uma base fidedigna de comparação das informações da aviação comercial, assim que esse cenário for superado e voltarmos aos patamares normais de operação e desempenho”, diz o presidente da ABEAR, Eduardo Sanovicz.



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