Alta ocupação de leitos públicos atinge transporte de pacientes no RN

Publicação: 2020-06-19 12:00:00
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O atual panorama de ocupação de leitos na rede pública de saúde no RN está afetando também o transporte de pacientes. De acordo com a plataforma Regula RN, que reúne os dados oficiais sobre ocupação de leitos no Estado, o tempo médio para a transferência de pacientes para leitos Covid até o final da manhã desta sexta-feira (19) é de 10 horas. A demora, muitas vezes, se dá pela ausência de viaturas disponíveis para realizar o transporte dos pacientes, sejam das secretarias ou do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que atendem também as demais ocorrências.

Créditos: Adriano AbreuAs ambulâncias chegam a ficar retidas por conta da alta ocupação de leitosAs ambulâncias chegam a ficar retidas por conta da alta ocupação de leitos

Além do transporte para regulação, o serviço fica comprometido em relação aos atendimentos emergenciais de rotina, feitos diariamente pela Samu. Em entrevista à Intertv Cabugi nesta quinta-feira (18), a diretora do SAMU/RN, Wilma Dantas, falou sobre o reflexo no serviço. "Quando prende uma ambulância, prende o nosso serviço. Fica tudo acumulado, fica juntando o número de fichas de atendimento, com isso a espera demora mais ainda".

De acordo com o direção do Samu Natal, a regulação é feita de forma associada com o Samu Metropolitano. Além disso, há o direcionamento que uma ambulância que tragam pacientes regulados de outros município para Natal, levem algum paciente de Natal para o interior caso haja regulação nesse sentido. No entanto, há a preocupação de encaminhar os pacientes da capital para unidades natalenses. O problema, novamente, é o colapso na rede pública. Até o final da manhã, a taxa de ocupação na região metropolitana estava em 96,2%. 

De acordo com o diretor da Samu Natal, Dr. Cláudio Macêdo, fatores como higienização mais rigorosa das ambulâncias e aumento no número de ocorrências contribuem para o quadro. "Cada dia você imagine que tínhamos 300 ocorrências, aumentou mais 100. Mediante isso, consequentemente, também temos um tempo maior para a desinfecção das ambulâncias entre um atendimento e outro", explica.

Nesta quinta-feira (18) o Governo do Estado anunciou a contratação de sete leitos de UTI e seis ambulâncias para o transporte de pacientes, ambos serviços da rede privada. Até o final dessa reportagem, 12 leitos críticos estavam disponíveis (5,61% do total) e 79 pacientes (7 para prioridade 1; 72 para prioridade 2) compunham a fila para ocupar, por meio de regulação, esses leitos.