Alta vai durar uns meses, depois volta ao normal, diz secretário nacional de Política Econômica

Publicação: 2020-09-10 00:00:00
O secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, avaliou que a alta de preços de alimentos, como o arroz, é "transitória e localizada" e não traz risco para o controle da inflação. Confira entrevista ao Estadão.

É problema localizado transitório na questão dos alimentos. Isso aconteceu, sobretudo porque o governo, no esforço para combater a crise do coronavírus, transferiu parcela importante de recursos de auxílio emergencial aos informais. Era natural que as pessoas gastariam parte desse dinheiro com alimentos. O que é muito bom. A demanda por alimentos aumentou e é que o estamos vendo hoje. A demanda internacional aumentou também. Mas essa é questão de conjuntura. Não me parece ser estrutural.

Há risco de repique da inflação?
Vai aumentar um pouquinho, porque o preço dos alimentos aumentou Mas quando se olham os índices de inflação, em termos agregados, continuam totalmente sob controle. A inflação continua muito baixa. As pessoas que vão ao supermercado sentem que aumentou, mas é uma alta transitória na questão de alimentos Isso mostra o acerto da política, porque a pessoa está gastando mais com comida. É natural que o preço dos alimentos tenha um aumento. Era esperado.

Vai demorar quanto tempo para normalizar os preços?
São várias questões. Tem o mercado internacional que está pressionando os preços dos alimentos para cima. Tem os programas governamentais de ajuda à população carente. Talvez demore um pouquinho, mas nada que comprometa a estabilidade de preços. Repito: é um choque localizado.

Qual a diferença?
A inflação é uma alta generalizada e recorrente. O aumento que estamos vendo agora não é generalizado, mas localizado em alguns produtos da cesta básica. Vai durar alguns meses e depois retorna à normalidade. O Banco Central tem feito um trabalho excepcional no combate da inflação. Estamos muito seguros disso.









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