Altamont, há 50 anos

Publicação: 2019-12-28 00:00:00
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Alex Medeiros
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Um sábado de dezembro, dia 6, em 1969. Fala-se que 300 mil pessoas ocuparam os espaços do autódromo Altamont Speedway, na Califórnia, atendendo ao chamado dos Rolling Stones para um festival com entrada gratuita. Dizem também que do alto da vaidade toda própria na época, Mick Jagger pensava em repetir a epifania de Woodstock do outro lado dos EUA, como se fosse a versão da costa oeste do festival de Nova York em agosto.

A ideia, em verdade, de fazer algo grandioso como simbologia sonora da contracultura foi do grupo Jefferson Airplane, ainda em janeiro daquele ano. Os meses passaram e os agentes da prefeitura e da polícia impuseram condições.

O local seria outro, até que a megalomania dos Stones explodiu após o êxito inconteste de Woodstock. Na primeira concepção de Spencer Dryden e Jorma Kaukonen, (do JA), o festival seria no Golden Gate Park, em San Francisco.

Eles queriam também reunir no mesmo evento as duas maiores bandas de rock do mundo, Beatles e Rolling Stones, além deles próprios e alguns outros como The Grateful Dead, Crosby, Stills, Nash & Young e Carlos Santana. 

Ao tomarem as rédeas da organização, os Rolling Stones nem cogitaram o convite ao quarteto de Liverpool, confirmando todos os citados acima e ainda a banda The Flying Burritos Brothers, que entrara na cena pop naquele 1969.

O componente do improviso provocou gambiarras em cima da hora, como uma rudimentar montagem do palco e o isolamento insuficiente para separar público e palco. Dois anos antes, o Festival Monterrey Pop não tinha errado tanto.

Antes do início dos shows, parte da multidão estava encharcada de álcool e outras drogas mais pesadas, o que naturalmente alterou espíritos e comportamentos. E se a alma está alterada, o corpo responde na proporção.

O Altamont Free Concert foi uma ideia que de tão mal planejada transcorreu mal do começo ao fim, apesar da presença de tantos talentos. Os empurrões e brigas tomaram conta da plateia e, obviamente, interferiram no alto do palco.

A cereja enrugada no bolo podre foi posta quando os Rolling Stones resolveram pedir apoio logístico aos motoqueiros beberrões do grupo Hell Angels, uma gang com prática de seita onde a delinquência era a sua liturgia.

O pau comeu diante do palco, até o vocalista do Jefferson Airplane, Marty Balin, acabou desacordado com uma porrada. A banda que inventou o festival simplesmente desistiu de se apresentar. E só queria que aquilo fosse épico.

O guitarrista Keith Richards nunca esqueceu aquele dia: “A violência logo ali na frente do palco foi incrível”. Os grupos se digladiavam e aí os Hell’s Angels decidiram impor a autoridade nomeada pelos Rolling Stones e Grateful Dead.

Alguém chutou uma motocicleta do bando, e aquilo era como bater na mãe daqueles malucos. O jovem negro Meredith Hunter, simpatizante dos Black Panthers, foi atacado e reagiu sacando uma pistola justificando o sobrenome.

O hell angel Alan Passaro, 21 anos e três a mais que ele, o atacou com uma faca, matando-o. Em 1972 foi julgado e absolvido por legítima defesa porque Hunter estava armado. Tudo está no documentário “Gimme Shelter”, de 1970.

Deu tudo errado no Festival de Altamont; o inferno desceu quando os Rolling Stones tocavam. Há dúvidas sobre a música que rolava na hora, muitos falaram em “Simphaty for the Devil”, outros dizem que era “Under my Thumb”.

O trágico desfecho se somou a outras tragédias de 1969, como o assassinato da modelo Sharon Tate. Os dois fatos estão entre aqueles que teriam inspirado John Lennon a compor a frase “O sonho acabou” no seu primeiro disco após o fim dos Beatles.

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