Alto índice de coliformes na água preocupa

Publicação: 2017-04-21 00:00:00 | Comentários: 0
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Ricardo Araújo
Repórter

A falta de saneamento básico, aliada à velha estrutura hidráulica que carreia água para a maioria das residências de Natal provocou, no primeiro trimestre deste ano, a ocorrência de 7.600 casos de doenças diarreicas agudas em 10 bairros da capital. Em três deles – Salinas, Nossa Senhora da Apresentação e Igapó, todos na zona Norte – foram identificados coliformes fecais no líquido. Das 131 análises realizadas pelo Vigilância em Saúde Ambiental e do Trabalhador (Visamt), órgão vinculado à Secretaria Municipal de Saúde e responsável pelo Programa Vigiagua, 87 apresentaram inconformidades, como a ausência de cloro, por exemplo. Amostras da água contaminada foram enviadas para análises mais aprofundadas no Laboratório Central (Lacen). A Companhia de Águas e Esgotoso (Caern) foi notificada e deverá se reunir com os coordenadores do Vigiagua na próxima semana para definir a padronização da metodologia das coletas.

Amostras da água contaminada foram encaminhadas pela SMS para análises mais aprofundadas no Laboratório Central (Lacen)
Amostras da água contaminada foram encaminhadas pela SMS para análises mais aprofundadas no Laboratório Central (Lacen)

De acordo com o chefe da Visamt, Marcílio Xavier, 210 postos de coleta de água espalhados pelos 36 bairros de Natal estão sob monitoração do Vigiagua. “Os bairros mais afetados pelos coliformes fecais são aqueles sem saneamento básico. Quando é encontrada alguma irregularidade, nós notificamos o responsável pelo ponto de coleta, que pode ser a Caern ou um particular. A irregularidade mais comum que encontramos no primeiro trimestre deste ano foi a presença de cloro em concentração abaixo da recomendada ou a completa ausência dele, o que é inadmissível”, declarou Marcílio Xavier. Todos os dias, técnicos do Vigiagua percorrem, pelo menos, seis pontos de coleta numa van equipada com um mini-laboratório para a realização de testes de cloro, temperatura, PH e turbidez da água. Testes mais detalhados são feitos no Lacen, na zona Oeste da capital.

Outro agente causador de doenças de veiculação hídrica, o nitrato, ficou com índices fora do padrão em 47 análises, das 696 realizadas ao longo do ano passado pelo Vigiagua. O número corresponde a 6,75% do total e, de acordo com Marcílio Xavier, não é motivo para preocupação extrema. “A questão do nitrato não é mais o grande problema. Mas, ainda há em alguns pontos de coleta. Em alguns deles, a água tem que ser diluída com outra de poços sem nitrato para que o percentual por litro consiga ser reduzido”, explicou. Nas comunidades mais carentes, onde a população consome água de poços artesianos, o Vigiagua distribui hipoclorito de sódio para que a água fique adequada ao consumo humano. No ano passado, foram distribuídos 100 mil frascos.

Marcílio Xavier, da Visamt, disse que 36 bairros são monitorados
Marcílio Xavier, da Visamt, disse que 36 bairros são monitorados


Parceria

A preocupação com a qualidade da água de poços, consumida pelos moradores de determinadas áreas do município de Natal, pode ser decisiva para a firmação de convênio entre a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e o Instituto de Gestão das Águas do Rio Grande do Norte (Igarn), para a fiscalização dos pontos na Capital. Segundo o chefe da Vigilância em Saúde Ambiental e do Trabalhador (Visamt), Marcílio Xavier, essa preocupação da SMS foi levada ao conhecimento do presidente do Igarn, Josivan Cardoso, durante reunião onde foi discutida a situação de outorga dos poços monitorados pelo programa Vigiagua em Natal.

Doenças diarreicas
Bairros com os casos de doenças diarreicas agudas registrados no primeiro trimestre deste ano pelo Vigiagua:

Nossa Senhora da Apresentação    571 casos
Pajuçara     317 casos
Planalto     239 casos
Alecrim    231 casos
Felipe Camarão     221 casos
Neópolis     219 casos
Lagoa Nova     215 casos
Ponta Negra     202 casos
Quintas     158 casos

Fonte: SMS / Visamt



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