Alto risco

Publicação: 2019-03-17 00:00:00 | Comentários: 0
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Esportes de Primeira
Itamar Ciríaco - itamar@tribunadonorte.com.br

“À falta de um grito, vai-se embora uma boiada”. O velho provérbio português, assim como tantos outros ditos populares, é cercado por sabedoria. Aqui vamos utilizá-lo para tentar ilustrar a atual temporada do ABC, relembrando um pouco do que aconteceu em 2018. Caso o leitor ainda não tenha observado, até esse momento, 17/3, o ano Alvinegro vai muito bem, apesar do time ainda não inspirar a confiança que o torcedor do clube gostaria de ter. O time conquistou um turno do Campeonato Estadual e a vaga na decisão. O mesmo grupo passou de fase duas vezes na Copa do Brasil e ganhou quase R$ 2 milhões em prêmios para o clube. Esses mesmos atletas e comissão técnica estão no G-4 da Copa do Nordeste. Enfim, o ABC disputa três competições em paralelo e vai bem em todas elas. É aí onde encaixamos o provérbio. É preciso chamar a atenção. Será que esse elenco aguenta? A questão não é só técnica, é física, é psicológica. Considero o cobertor abecedista extremamente curto para esse calendário tão comprido. Ou seja, quando Ranielle Ribeiro puxa o lençol para cobrir a cabeça, descobre os pés e vice-versa.

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O provérbio português alerta para o fato de que, em algum momento, alguém precisa gritar para evitar que as coisas desandem e tudo seja perdido. É nesse momento que aproveito para citar o exemplo de 2018. Ano passado, justo no melhor momento do clube faltou um grito de alerta mostrando que as coisas poderiam desandar e que o rendimento de alguns atletas poderia não ser o mesmo a partir de um determinado momento. Esse grito poderia ter partido do técnico Ranielle Ribeiro ou de qualquer dirigente que acompanhasse o time de perto. Mas o alerta não veio. Resultado, tudo que parecia ótimo virou ruim. Após o bicampeonato estadual veio a eliminação na Copa do Nordeste e uma Série C que não deixou saudades. Então, não sei se é a hora, mas acho bom alguém já ir afinando a garganta lá pelas bandas de Ponta Negra.

Arena América
Até o fim de 2018 e mesmo no início desta temporada o torcedor americano aumentou a esperança de ver seu clube do coração jogar o Campeonato Estadual (ao menos alguns jogos) na Arena América. Tudo parecia encaminhado, faltando algumas licenças e obras de menor porte. Bom, estamos caminhando para o fim do certame local e parece que não vai ser dessa vez. Apesar de muita coisa já estar pronta, parece que o clube deu uma “puxada no freio de mão” em relação ao assunto. As campanhas cessaram e pouco se fala sobre essa possibilidade. A Arena é um antigo sonho de parte da torcida e um projeto pessoal para alguns dirigentes.

Paz e amor
E por falar em América, as redes sociais foram invadidas, esta semana que passou, com comentários sobre a intenção do empresário Alex Padang voltar a presidir o Alvirrubro. Um grande número de torcedores se mostra favorável a volta dele ao cargo, mas, entre dirigentes e conselheiros os possíveis apoios ainda não se tornaram públicos. Se Padang tem mesmo a intenção não sabemos, mas ele adotou o estilo “paz e amor” em suas redes sociais, justo nos últimos dias. Após o clássico, no último domingo ele escreveu: “Fico muito feliz com a relação de respeito que tenho com alguns dirigentes, ex dirigentes (sic) e conselheiros do ABC. Bati papo antes do jogo com muitos. Não foi sempre assim, muitas vezes culpa minha”. Nos comentários à sua tuitada, elogios pela atitude de Padang, reconhecidamente um grande americano.

Bom exemplo
De acordo com o portal de notícias Uol, a Arena Castelão terá uma nova licitação para gestão via Parceria Público Privada, até julho. Enquanto isso, O presidente do Fortaleza, Marcelo Paz, e o do Ceará, Robinson de Castro, fecharam um acordo com o Governo do Estado para que os dois times possam gerir a Arena em dias de jogos. O funcionamento é simples. O Governo do Estado inspeciona (com manutenção e limpeza) antes e depois da partida, e qualquer problema é comunicado aos clubes, que pagam indenização. Os clubes ainda estão pensando em se organizar para que, caso a licitação seja deserta (sem interessados), uma empresa seja criada para participar da disputa pela gestão da arena pelos próximos 20 anos. Isso tornaria a Arena a primeira praça esportiva multiuso pública construída para a Copa do Mundo de 2014 a ser comandada por clubes de futebol.

Rodada Hoje é dia de “briga de cachorro grande” entre Globo e Potiguar. A intenção é estar na final do segundo turno. Na rodada o Santa Cruz recebe o ABC e o ASSU enfrenta, em casa, o Palmeira, no duelo Verde.

A FIFA e a Grana
As decisões da FIFA não levam em conta a parte técnica do futebol. Grande parte das decisões tomadas pela entidade têm como objetivo, geralmente duas coisas: política e dinheiro. A aprovação, por parte do Conselho do órgão, para que a Copa do Mundo passe a ter 48 seleções, já no Catar, em 2022 é um claro exemplo desse tipo de atitude. É óbvio que a ideia é abrir espaço para acomodar aliados políticos em todos os continentes, mantendo um tipo de atitude que todos pensavam ter sido banido com a saída de Blatter. Além disso, fica garantida uma verba ainda maior com a presença de mais seleções e de mais emissoras de TVs, desses países, interessadas em transmitir as partidas. O nível técnico, claro, que será sofrível, com a presença de seleções cada vez mais fracas.







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