Aluízio, 1958

Publicação: 2021-03-04 00:00:00
Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

Créditos: Divulgação

Naquele março de 1958, Aluízio Alves já era o que sempre fora e seria: jornalista e político. Diretor da ‘Revista da Semana’ e deputado federal. Perto, bem perto, da grande luta de 1960, quando derrotaria Djalma Marinho, o candidato de Dinarte Mariz, então governador e maior líder político do Estado. No seu governo, promoveria uma revolução pelo voto fixando um marco até hoje e sem que se pretenda omitir as realizações dos governos que lhe sucederam. 

O jornalista e o político de atuação nacional não encobriram a visão e os compromissos com a terra. Tinha a noção perfeita dos liames que ligavam a sua atuação pública ao povo que representava, forjado no calor de uma geração de políticos de magnitude, como José Augusto Bezerra de Medeiros, Juvenal Lamartine e Eloy de Souza, a quem homenagearia quando da criação da fundação cultural, o Instituto de Pesquisas Sociais e sua Faculdade de Jornalismo. 

Exemplo desse compromisso está na última página da edição de 22 de março de 1958 da ‘Revista da Semana’, publicação eminentemente carioca. Aluízio quebra a linha, o humor e o perfil editorial da revista, até pelo estilo sempre bem humorado do seu redator-chefe, Luiz Lobo, e escreve um texto, assinado, que é um verdadeiro grito: ‘Nordeste Abandonado”. Antes, pede perdão aos leitores e, a seguir, bate duro cobrando a atenção e o gesto do governo federal.

Ele escreve, depois de enumerar as preocupações com as questões econômicas, como a alta do dólar: “Tenho olhos, coração, energias e toda a minha capacidade de sentir e de sofrer voltados para o Nordeste, de onde recolho os lúgubres clamores das populações assustadas, seres que se entreolham com o medo pânico das tragédias iminentes e irreparáveis”. E começa o parágrafo seguinte exatamente assim: “Fogem as últimas esperanças de inverno em 1958”. 

O argumento de Aluízio é claro: levar ao governo federal não a seca daquele ano, se já era irreversível, mas como mais um ano de dura estiagem encontraria o Nordeste.  Sem plantio, sem futuro de produção garantido, a incipiente indústria de mineração asfixiada pela crise de preços, o desinteresse dos mercados consumidores, a ausência de assistência do governo, e a denúncia das especulações “insensatas e desonestas dos financiamentos do Banco do Brasil”. 

É contundente e invoca o sacrifício de três séculos dos nordestinos, mas sem implorar esmolas: “Posso, sim, medir a extensão da desgraça que se abate, nesta hora, sobre cada lar nordestino, com ela identificar-me para a luta que vai começar, a fim de que o Brasil nos atenda com um pedaço de sua carne e de sua alma, mesmo que todos os sofrimentos acumulados nos tenham desfigurados a face, a voz, as últimas e teimosas esperanças”. Ei-lo, como sempre foi.

HISTÓRIA - A Assembleia Legislativa organiza um livro reunindo a legislação correta para a criação dos 167 municípios do Estado. Desde as Cartas Régias, lá no tempo do Brasil Império. 

PESQUISA - O ex-deputado Paulo de Tarso Fernandes e os jornalistas Thaís Marques e Aluísio Lacerda cuidam da pesquisa e redação final, e o apoio técnico da Secretaria Legislativa da AL.

IMORAL - Captadas gravações do Ministério Público Federal, em Brasília, contra celulares de R$ 3,6 mil reais e de salários que chegam a R$ 100 mil. O MP deixou de ser uma referência.  

RETRATO - Com seus personagens Segredo e Simplícia que lembram Galileu Galilei, Sidarta Ribeiro, da UFRN, mostra em duas páginas da Folha de S. Paulo o novo descalabro brasileiro.

PUJANÇA - São Paulo mostra sua força: a grande edição dos 100 anos da Folha circulou com seis cadernos especiais, ou144 páginas. Além das 50 páginas editoriais. Ao todo, 194 páginas.

DERROTA - De um e-mail a esta coluna, bem humorado, sobre a volta de José Agripino e Garibaldi Filho: “Se voltarem no modelo acordão serão derrotados. O Leitor não aceita mais”.

HUMOR - De Hélio Schwartsman, um dos mais talentosos e cultos colunistas da Folha vendo a cena: “Este ano não tivemos carnaval, mas isto não impede o centrão de viver sua apoteose”.

ALIÁS - É com base na semelhança dos dois que alguns defendem a chapa para 2022 com José Agripino a governador e Rogério Marinho a senador. Uma luta de bolsonaristas versus petistas.     

QUAL? - No e-mail do cronista não foram tão escassas as mensagens pondo em dúvida uma possível candidatura do ex-governador José Agripino ao Governo ou ao Senado em 2022. É Natural. Mas, antes, seria muito mais seguro pensar no que impede. Nada. Rigorosamente nada.

RISCO - É inegável que o DEM do ex-senador a cada dia fica mais próximo do tal Centrão adesista como para cumprir sua própria ancestralidade: bisneto da Arena, neto do PDS e filho do PFL. Tem o bolsonarismo oportunista de ACM Neto, mas tem quadros políticos. É esperar. 

ALIÁS - É preciso não perder de vista que o DEM tem, hoje, o presidente do Senado. Chegou ao poder levado por uma aliança do PT e PSDB a alguns dos pequenos partidos. Não presidirá o Congresso para reduzir a força dos Democratas. E Agripino é ex-presidente nacional do DEM.    










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