Rubens Lemos Filho
Aluizio
Publicado: 00:00:00 - 11/08/2021 Atualizado: 22:43:33 - 10/08/2021
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

Na casa onde nasci, se espremessem as paredes, sairia clorofila ou hortelã. Minha bisavó, Dona Rita, a matriarca, vivia a reta final escorada num filho adotivo: Aluízio Alves.

Divulgação


 A porta do seu velho guarda-roupa, que não abria mais sem auxílio da filha, por sinal, minha avó-mãe, Maria do Carmo, era coalhada de fotografias da campanha de 1960, Aluizio em big close e, a partir de sua cassação por ter votos a mais, em 1969, espaço dividido com o jovem de costeletas Henrique Eduardo Alves, o Filho, como ela chamava e Garibaldi Alves Filho, deputado federal e estadual, retrospectivamente. 

Aluizio foi um estado de espírito que ocupou minha família por parte de mãe desde o final dos anos 1950, Aluizio Alves deputado federal. O velho rádio ABC era sintonizado feito cola nas palavras roucas do homem que se comprometia a tirar o Rio Grande do Norte da selva e coloca-lo na civilização. 

Minha bisavó, coitada, cabeça quente, reagia aos gritos a contraparentes adversários que a provocavam. Chegou a expulsar um deles e não voltou atrás sob nenhum argumento. 

Apelos de irmãs e tios foram rejeitados sumariamente pela liderança que ela sempre teve acima do meu bom bisavô, seu José Calazans Carneiro, o Papa, amável e morto antes da escalada de Aluizio Alves. 

Minha mãe, Izolda, certa vez parou o carro do governador, Aluizio, eleito contra Djalma Marinho em 1960, quando o motorista oficial, Neném disparava pela então recatada e sossegada avenida Rodrigues Alves. Bem pertinho do América Futebol Clube, time da prole no lado materno. 

O governador deu ordem(sabia mandar) e Neném freou. Minha mãe explicou que a avó dela era apaixonada por ele e Aluizio Alves saltou semblante em riste. 

Entrou na casa de classe média baixa, se dirigiu à senhora doente que o percebeu, mesmo cega. “Meu filho? Me dê sua mão, pelo amor de Deus!”. Ficaram os dois, Dona Rita e o visitante em silêncio cúmplice, ele acariciando os cabelos dela e ela a entoar orações para sua proteção. 

Quando me entendi de gente, ali por volta dos seis anos, minha bisavó morreu. Morreu aluizista mais do que queria a si mesma. Permaneceram, longos anos, suas fotografias a lembrar que ali esteve alguém de opção política menor que a força de um sentimento genuíno. Aluizio Alves era uma convivência leal e distante, pelas ondas da Rádio Nordeste e depois da Rádio Cabugi. 

Aluizio Alves estava cassado e comandando os investimentos nas Fábricas Sparta e Incartom, em São Gonçalo do Amarante e ousando com o Hotel Ducal, o primeiro arranha-céu da cidade, ele que construíra o Hotel Internacional dos Reis Magos quando nenhuma mente sã acreditava no potencial turístico do Rio Grande do Norte. 

Minha avó-mãe sucedeu Dona Rita e, ao modo dela, humilde além do necessário, torcia e votava em Aluizio escrevendo o nome e o número de Henrique e Garibaldi, atávica hereditariedade. Minha avó morreu bacurau faz 10 anos, tendo votado até quase 80 de idade. 

Conheci Aluizio Aves, agora na(minha)  primeira pessoa, em 1988, ao iniciar a profissão de fé da reportagem na Tribuna do Norte, filha querida de Aluizio. Era ministro de Estado. Foi duas vezes. Nunca perdeu a energia livre  de pedantismo.

 Ele era um jornalista espetacular, ágil, ferino, de texto autoral. Fora redator da Tribuna de Imprensa, do corvo Carlos Lacerda. Corrigia as reportagens do autor. Nunca foi moderado, mas sabia a dose exata do veneno ou da mordacidade política. 

Aos sábados, ao fim dos plantões, ocupava sem pedir(era dono, ora bolas), o aquário da redação, território do editor-chefe. Chegava com a edição do dia da Tribuna toda rabiscada a caneta. Lia até os anúncios dos Classificados. Enxergava malícia a anos-luz de Angicos, seu berço e da Cidade da Esperança, sua célula concreta. 

Reclamava, corrigia, ensinava as posições do tablado político. Dedilhava a máquina com fúria, sincronizado raciocínio a teclado. Comigo: “Notícia, menino, queima às mãos, solte-a”.  Aluízio sempre foi jornalista, mais do que qualquer função pública de relevo. Não faz 100 anos quem  é infinito. 

Paulada 
É a maior goleada da Série D, o ABC 9x1 Caucaia. Foi mais do que um massacre, desabafo pelo vexame da Copa do Brasil contra o Flamengo. 

Wallyson 
Ponto de equilíbrio, diferencial, o que seja, o ABC depende de Wallyson para mostrar algo além do convencional. 

Sem meio 
Mais do que exaltar o Placar, é preciso constatar: o ABC não tem meio-campo, joga direto da defesa ao ataque. Contra o Caucaia, não conta. Mais à frente, pode ser fatal. 

América 
O resultado do ABC põe no colo do América a obrigação de massacrar o pobre ajuntamento do Caucaia, retrato acabado da horrível Série D. 

Lá vem bala 
Aos 41 anos, Carlinhos Bala vai jogar a segunda divisão pernambucana. De fato, tudo anda fácil demais. Alberi, não fossem os problemas de saúde, estaria maravilhando os estádios, aos 76 anos. Alberi mataria de raiva os marcadores.






Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.










Leia também

Plantão de Notícias

Baixe Grátis o App Tribuna do Norte

Jornal Impresso

Edição do dia:
Edição do Dia - Jornal Tribuna do Norte