Aluno 37

Publicação: 2020-06-17 00:00:00
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Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

Créditos: Divulgação



Depois de fortes turbulências, o voo do atacante Neymar está em procedimento de pouso na pista da decadência. O Observatório do Futebol CIES(Suiça), coloca o menino mimado do técnico Tite na modesta 37a colocação do ranking dos mais valiosos do mundo. Neymar desceu e nem no pelotão intermediário conseguiu ficar. 

O filho de Neymar Pai com Dona Nadine ficou atrás, se considerado apenas o grupo de brasileiros, de Roberto Firmino – o primeiro entre os compatriotas, Gabriel Jesus,  Richarlison, Marquinhos, Ederson e do goleiro Alisson.É colocação, para quem se julga o Deus do Mundo, digna de um ponta-direita do Corissabá do Piauí. 

O francês Mbappé, principal responsável pela conquista mundial de 2018, é o primeiro lugar da lista. Seu valor estimado é de 259,2 milhões de euros ou R$ 1,4 bilhão, segundo os critérios do instituto, que apresentam várias anomalias. 

O melhor do universo – incluídos os planetas Marte, Saturno e Neturno, está apenas na 22a posição. Messi custaria 100,1 milhões de euros e R$ 562 milhões de reais. Ninguém pode ser mais caro que o Pleonasmo da Bola. 

É piada em velório colocar Messi atrás, só um exemplo, de Sterling, do Manchete City. Esse ilustre trivial teria um custo de 195 milhões de euros e 1 bilhão de reais. Messi, levada em conta a metodologia aplicada, valeria o dobro da soma de cada um dos incluídos na relação. 
Também é injusta a colocação do galã Cristiano Ronaldo, apenas o 70o da lista. O redemoinho de cifras é tão irreal quanto assombroso. Os últimos colocados recebem salários injustos quando comparados aos históricos da bola.

 Pelé nunca viu tanta grana nem em filme. Maradona, idem. Também Platini da França, Falcão e Sócrates, o polonês Boniek e o suprassumo Beckenbauer  tampouco foram apresentados à exagerada pacoteira paga jogadores medianos, medíocres, endeusados. 

Neymar faz parte das três categorias que encerraram o parágrafo anterior. Endeusado no Brasil, virou trambolho, caminhado para a queda livre que um dia derrubou Robinho, sua cópia original nos lances improdutivos e no exagero da tietagem.

Subproduto da mídia, em especial da Rede Globo, Neymar foi guindado à força para o vago posto de ídolo nacional. Talentoso? Sempre foi. É o melhor da pior safra brasileira de jogadores. 

Um país que tem Felipe Augusto com a camisa 8 ou Fernandinho em seu meio-campo não pode ser levado a sério. Daí a supremacia de Neymar, encalacrado com futilidades e com garotas de programa loucas por uma gravidez, garantia de pensão extraordinária. 

Fosse numa turma de recrutas de quartel, Neymar seria o aluno 37. Com o oficial berrando: “Porra 37, limpa direito esse banheiro! Ah, 37, limpa o fuzil sem nojo!”. Neymar, aluno 37, recebe na Europa o tratamento gélido que os patriotas furiosos deveriam levar em conta fossem eles capazes de análise isenta. 

O Brasil carece de ídolos. Ou de um ídolo de liderança. Não existe e não parece brotar das flores mortas das categorias de base, banco de sangue de vampiros do futebol. Estão no passado os homens que diziam, “joga a bola em mim que eu resolvo”, “toca e deixa o resto comigo”. 

Sem querer exagerar, gente feito Pelé( ele, extraterrestre), Didi, Gerson, Rivelino, Zico, Sócrates, Falcão e Paulo César Caju. Eles não tinham medo de adversário. A cada pancada, jamais rolavam pelo chão do jeito circense do Neymar habitual.

Até os anos 2000,  cedíamos 30 jogadores para qualquer lista e convocávamos, cada treinador de botequim, quatro seleções fortíssimas. Neymar não faria parte dos 50 primeiros. 

Hoje, tratado como encosto no PSG e se oferecendo a clubes que lhe dão as costas, ele, mais uns cinco, seis anos, estará de volta aos gramados brasileiros. É possível que vetado até por Diá, atual técnico do ABC. 

Roberto 
O médico do ABC, Roberto Vital, usou argumento, sem falácia ao vento, para se colocar contra a volta imediata do futebol. Falou em custos. Falou mais em vidas humanas. Roberto Vital é humanista praticante.  

Aliás 
Excelente entrosamento dos médicos de ABC e América por uma solução comum. O mestre Maeterlinck Rêgo tem 50 anos de América. É a própria imagem do clube. Merece respeito. Ele, Marcelo, Márcio e Marcos. 

América  
O arrocho da diretoria não impediu o mês fechado negativo nas contas. O América mostra transparência. 

Sem Série D 
Gente grande negociando com a CBF a suspensão da Série D este ano com a garantia de nenhuma punição aos clubes. De Natal ao Chuí, os clubes estão lisos e sem perspectivas. 

Guia 
O guia da CBF sobre a volta aos trabalhos depois do Coronavírus  traz detalhes minuciosos sobre a retomada das atividades, em especial sobre a rotina dos atletas. Do refeitório ao banho e do uniforme às unhas, tudo ganhará atenção especial.
 
Vestiário 
Os jogadores deverão evitar o vestiário e ir ao local de treinos já com o uniforme de trabalho. Os banhos terão de ser tomados em casa.
  
Hotéis 
Futuramente, quando os times voltarem a viajar, os hotéis deverão ter um esquema especial de cuidados, sem serviço de quarto ou de limpeza nos quartos para evitar o contato com outras pessoas.
 
Alimentação 
Outro cuidado será com as refeições. Os clubes não vão mais poder servir a comida ao elenco em bufês, mas somente com pratos feitos especificamente para cada jogador.