Natal
Alysson vence as barreiras da vida e da educação
Publicado: 00:00:00 - 20/12/2011 Atualizado: 22:08:36 - 19/12/2011
Anna Ruth Dantas - repórter

O sorriso é semelhante ao dos demais jovens que foram aprovados na primeira fase do vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Mas no olhar de Alysson, no brilho estampado no rosto, o mais desatento do espectador percebe que a satisfação por vencer a primeira etapa para seleção do ensino universitário tem um prazer maior. Logo no início da conversa, os olhos se enchem de lágrimas, é a emoção aflorada não só pela aprovação na primeira fase do vestibular, mas, principalmente, por uma vitória pessoal, desafios transpostos, preconceitos derrubados e objetivos alcançados.
Entre os vários sonhos de Alysson de Azevedo está o de escrever um livro sobre preconceito
Alysson Paulinely de Azevedo, 28 anos, foi o único estudante com síndrome de down que fez o vestibular 2012 da UFRN. O resultado da primeira fase do concurso trouxe a aprovação. Ficou na 153ª colocação para o curso de Turismo, onde serão oferecidas 100 vagas. “Tenho chance. Gostei das provas de escrever, menos de fazer cálculo”, comenta Alysson, referindo-se às provas subjetivas que serão determinantes para a aprovação no processo seletivo.

A escolha pelo curso de Turismo foi influência de uma amiga, mas está exatamente em viagens o sonho e o prazer de Alysson Azevedo. “Meu sonho é conhecer Fernando de Noronha”, entre as viagens já feitas ele cita a passagem por Fortaleza. A vitória já alcançada por Alysson no vestibular da UFRN, vencendo a primeira etapa, é apenas mais uma a ser estampada na vida desse jovem, que percorreu caminhos sinuosos, transpôs obstáculos e hoje estampa a satisfação pessoal e o orgulho da família.

Quando lembra do período escolar, onde passou por diversos colégios, sempre no ensino regular, Alysson é explícito: “enfrentei preconceito, bullying, racismo”, comenta. Ao se deter a explicar o quanto foi vítima dos colegas de escola, o jovem não faz referência a síndrome de down, mas ao seu desempenho no Karatê. “Sou um bom lutador, campeão, faixa marrom e meus amigos não gostam porque eu sou bom”, comenta. Mas a explicação logo é interrompida pelo olhar da mãe, Ilza Azevedo, ela acredita que o preconceito observado pelo filho vem mesmo é do fato dele ter síndrome de down.

Por mais de 40 minutos Alysson conversou com a reportagem da TN, mas em nenhum momento ele fez qualquer referência a síndrome de down. O jovem é determinado. A própria mãe lembra que o último ano do ensino médio, cursado no Instituto Brasil, foi feito graças ao empenho do próprio Alysson. “Eu não tinha dinheiro para pagar a escola particular, mas Alysson escreveu uma carta, foi no colégio, falou com o diretor e conseguiu uma bolsa”, destaca a mãe.

Alysson começou os estudos na Escola Emídia Ramos, no bairro de Cidade Nova. Frequentou diversos colégios até concluir o curso. Quando se inquietava com uma escola, logo buscava outro reduto para estudar. “Eu passei por bullying, os meninos me empurravam, se juntavam para me pegar”, disse.

SONHO

O sonho de ser turismólogo é apenas mais um plano na vida de Alysson Paulinely de Azevedo. Outro objetivo, com o qual ele já começou a trabalhar, é o livro “A Revelação”. Mas o que vai revelar? “Vou falar do bullying, do preconceito, do raciscmo que as pessoas têm”, responde o estudante que tem como ídolos os cantores Justin Bieber e de Fiuk. “Eu sonho com o paraíso, com um escritório, trabalhando em um hotel”, diz Alysson, com uma característica própria no falar: vai direto ao assunto.Alysson Azevedo é um jovem de muitos gostos. Durante a entrevista por diversas vezes lembrou sua passagem pelo Karatê, pela capoeira e enalteceu o prazer que tem pela fotografia. “Eu gosto muito de fotografar. Meu sonho é ter uma máquina grande para fazer fotos”, diz.

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