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América decide o acesso neste sábado diante do Campinense
Publicado: 00:00:00 - 16/10/2021 Atualizado: 21:25:21 - 15/10/2021
O peso de vir patinando na Série D ao longo dos últimos quatro anos, está pesando nos ombros do elenco americano, que hoje terá a oportunidade de passar a borracha na série de insucessos e iniciar uma nova trajetória dentro do futebol nacional. A determinação do grupo é esquecer todos os problemas extracampo  e se concentrar apenas na decisão, contra o Campinense, no estádio Amigão. A partida tem o início previsto para às 17h30 e quem vencer no tempo regulamentar ou nas cobranças de pênaltis, caso persista o empate, vai garantir a vaga na Série C do próximo ano.

CANINDÉ PEREIRA
A equipe vitoriosa no confronto de hoje, no estádio Amigão, avança para semifinal e assegura o acesso. Em caso de empate, decisão será nos pênaltis

A equipe vitoriosa no confronto de hoje, no estádio Amigão, avança para semifinal e assegura o acesso. Em caso de empate, decisão será nos pênaltis


Como ficou de fora da final do Campeonato Potiguar, a única alternativa para o América garantir presença no Brasileiro de 2022 com as suas próprias forças, é vencendo essa partida. Caso contrário, o clube vai depender do acesso do ABC para ter pelo menos a garantia, via Estadual, de disputar a Série D no próximo ano. Mas essa é uma questão que sequer é ventilada dentro do Alvirrubro, ciente da dívida acumulada com os seus torcedores ao longo dos últimos anos.

"Foco é total nessa partida, que realmente é uma decisão para o América. Nós jogadores temos apenas um objetivo na cabeça: que é o acesso. Nós trabalhamos muito forte nessa semana para alcançar a meta traçada no início da temporada", salientou o atacante Weslley Smith que estará novamente à disposição do treinador Renatinho, após cumprir suspensão automática pelo terceiro cartão amarelo no primeiro confronto contra os paraibanos.

O jogador garante que a expectativa, comum antes de confrontos decisivos, não alterou o ambiente entre os atletas, nem a espécie de operação de “guerra” montada pela direção americana como prevenção a possíveis retaliações da torcida adversária, devido ao incidente registrado com a delegação rubro-negra, em Natal, no sábado passado.

"O clima dentro do clube está perfeito, como vem sendo ao longo da disputa, o ambiente está bem alegre, mas isso também não vem impedindo que alguém perca o foco na responsabilidade que teremos. Todos estão cientes do que devem fazer nessa partida de volta, em Campina Grande", disse Smith.
Todo o trabalho desenvolvido pela diretoria é com a finalidade de não deixar que pressões externas afetem a produção dos atletas dentro de campo. Por isso, o presidente Ricardo Valério resolveu pedir auxílio às forças de segurança paraibanas, no sentido de aumentar o efetivo policial durante a estada da delegação em Campina Grande. Além disso, a delegação viajou com reforço na segurança particular, com a ideia fixa de criar uma bolha de segurança em torno do elenco.

“A direção está fazendo a parte que cabe a ela, que é garantir a segurança de todo o elenco. Além disso, como se trata da partida mais importante da temporada para o América, passamos a semana dentro do CT buscando conversar pessoalmente com cada jogador, reforçando a importância do momento para o clube e procurando passar a tranquilidade necessária para cada um deles. Só na questão de segurança, os nossos gastos adicionais nessa viagem para Campina Grande chegaram a R$ 5 mil. O nosso time tem de se preocupar apenas com o que terão de fazer dentro de campo, onde as coisas continuam muito equilibradas e o América tem boas chances de classificação”, ressaltou Ricardo Valério.

O episódio estopim para geração desse clima de guerra foi amplamente divulgado no Brasil. Na Paraíba, a Nota oficial emitida pelo Rubro-Negro diz o seguinte: “O Campinense vem por meio desta repudiar a agressão sofrida pelo elenco rubro-negro, na noite desse sábado (09), por integrantes de uma torcida organizada do América-RN. Após a partida, o elenco retornou para o hotel onde estava hospedado, onde iria jantar e retornar ao ônibus para voltar para Campina Grande. Na saída para o ônibus, nossos jogadores foram surpreendidos com o ônibus apedrejado e alguns membros de uma organizada da equipe potiguar com pedras e garrafas de vidro nas mãos, para agredir nossa delegação”.

Entidades nacionais também emitiram nota sobre os atos registrados em Natal. A Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (FENAPAF) manifestou “irrestrita solidariedade à delegação” do Campinense, reforçando que “causa asco e incredulidade as absurdas agressões desferidas por marginais que de nada tem de torcedores”, citou a nota.

Há dez anos na fila pelo acesso, os atletas do atual elenco, principalmente aqueles que já tiveram passagem anteriores na equipe paraibana, como o lateral Filipe Ramon, desejam pagar uma espécie de dívida e aproveitar para passar a integrar a história do Rubro-Negro como um dos herois do acesso.

“Eu acho que acima de tudo é uma dívida que tenho comigo mesmo. Eu sou um jogador que me cobro muito, então acima de tudo eu me cobro para ter um feito histórico aqui no Campinense. Eu sou muito grato ao clube, devo muito ao clube, e a torcida pode ter certeza que iremos fazer de tudo para coroar este ano, que tem sido espetacular”, destacou.

Destaque da campanha na competição nacional, o goleiro Mauro Iguatu,acredita que o primeiro confronto, em Natal, mostrou que o Campinense está no caminho certo rumo ao tão sonhado acesso. Mas ele prega muita cautela diante do adversário, lembrando que eles terão pela frente uma equipe com tradição e muito bem montada. Iguatu salienta ainda que não acredita num jogo aberto, pelo tamanho daquilo que estará em disputa.

“Ninguém a essa altura do campeonato vai jogar de peito aberto para tentar fazer o resultado logo de cara. Tem a questão do respeito das duas equipes, de nos conhecermos, e sabermos como o adversário joga. Pelas características das equipes, eu acredito que será muito difícil ficarmos na retranca, mas será um jogo muito truncado. Temos que jogar com inteligência. O torcedor também precisa ter ciência disso, que vai precisar ter um pouco mais de paciência, até porque é um grande jogo e vamos enfrentar uma equipe muito tradicional, uma equipe que também vem fazendo bons jogos fora de casa”, alertou.
Com relação aos incidentes, o elenco do Campinense vem buscando isolar o fato também para não deixar que nada interfira no objetivo principal da equipe, que é a conquista de uma vaga na Série C.

“Temos que deixar as autoridades tomarem conta de toda a situação. Aquela minoria de torcedores não condiz com o tamanho da torcida do América-RN. Às pessoas infiltradas ali... eu não posso dizer que são torcedores, são vândalos. Mas, graças a Deus, nosso grupo reagiu bem, e o foco agora é total nas quatro linhas. Quero dizer ao nosso torcedor que nosso time está se preparando para este grande desafio. Pedimos a eles que essa questão de revide, de violência, não aconteça. Não compactuamos com qualquer tipo de violência. Que o nosso torcedor vá ao estádio exclusivamente com a cabeça voltada para nos apoiar, até porque lá tem pais de família, tem pessoas que não têm nada a ver com o que aconteceu em Natal”, reforçou Mauro Iguatu.

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