Amazônia chama atenção do mundo

Publicação: 2019-08-23 00:00:00 | Comentários: 0
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O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, se mostrou “profundamente preocupado" nesta quinta-feira, 22, com as queimadas na Amazônia. De 1.º de janeiro até essa terça-feira, 20, foram contabilizados 74.155 focos, alta de 84% ante o mesmo período de 2018, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Um pouco mais da metade (52,6%) desses focos têm ocorrido na Amazônia.

Línguas de fogo queimando a floresta amazônica são vistas de diversas cidades do Tocantins
Línguas de fogo queimando a floresta amazônica são vistas de diversas cidades do Tocantins

“Em meio a uma crise climática internacional, não podemos permitir que se produzam mais danos em uma importante fonte de diversidade e oxigênio", disse Guterres, em sua conta no Twitter.

O presidente da França, Emmanuel Macron, chamou a situação das queimadas na Amazônia de “crise internacional". Ele afirmou que o tema deve ser discutido em reunião desta semana no G7 (grupo de países ricos, formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido).

“Nossa casa está queimando. Literalmente. A Floresta Amazônica - o pulmão do nosso planeta, que produz 20% do oxigênio do nosso planeta - está em chamas. É uma crise internacional. Membros do G7, vamos discutir essa emergência de primeira ordem daqui a dois dias", escreveu Macron em duas publicações seguidas, em francês e inglês, nas redes sociais.

Junto do comentário, Macron utilizou a hashtag #ActForTheAmazon (“aja pela Amazônia") em vez de #PrayforAmazon (“reze pela Amazônia"), mais popular nas redes sociais.

A ativista climática Greta Thunberg, de 16 anos, idealizadora do movimento estudantil Fridays for Future contra o aquecimento global, também se manifestou contra as queimadas que atingem a floresta amazônica. A ativista está a bordo do Malizia II rumo a Nova York para participar de uma conferência sobre o clima na sede da ONU.

“Mesmo aqui no meio do Oceano Atlântico, eu ouço sobre a quantidade recorde de incêndios devastadores na Amazônia. Meus pensamentos estão com os afetados. Nossa guerra contra a natureza deve acabar", disse Greta.

Sem apresentar provas nem indicar entidades suspeitas, o presidente Jair Bolsonaro tem dito que organizações não governamentais (ONGs) podem estar por trás de incêndios criminosos, o que foi rebatido pelas entidades.

“A declaração é, antes de tudo, covarde, feita por um presidente que não assume seus atos e tenta culpar terceiros pelos desastres ambientais que ele mesmo promove no País", disse ao jornal O Estado de S. Paulo o coordenador de políticas públicas do Greenpeace, Marcio Astrini. “A Amazônia está agonizando e Bolsonaro é responsável por cada centímetro de floresta que está sendo desmatada e incendiada."

O WWF-Brasil afirmou que a prioridade do governo deveria zelar pelo patrimônio, e não criar “divergências estéreis e sem base na realidade" do que ocorre na região

Segundo análise técnica do Instituto de Pesquisas Ambiental da Amazônia (Ipam), só a seca prolongada não explica a alta nas queimadas no bioma. As dez cidades amazônicas com mais focos de fogo também tiveram as maiores taxas de desmate. Para os cientistas do Ipam, a concentração nessas áreas, com estiagem branda, indica o caráter intencional dos incêndios para limpar desmate recente.




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