Análise mostra que peixes de áreas atingidas por óleo no RN não foram contaminados

Publicação: 2020-01-09 12:40:00 | Comentários: 0
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A análise laboratorial da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) de peixes e invertebrados localizados nas praias de Pirangi e Tibau do Sul, áreas atingidas pelo vazamento do petróleo no Nordeste ocorrido em agosto do ano passado, não detectou vestígios de óleo nos animais. O resultado descarta o risco de contaminação em 10 espécies de peixes e 5 de invertebrados (sururu, ostra, polvo e lagosta) coletados no dia 27 de novembro.
Créditos: Adriano AbreuAuxílio emergencial pecuniário foi definido para ajudar a pescadores de áreas afetadas pelo óleoAuxílio emergencial pecuniário foi definido para ajudar a pescadores de áreas afetadas pelo óleo

O coordenador da pesquisa, Djalma Ribeiro da Silva, afirma que o resultado reflete a situação dos pescados até a data de coleta, mas não exclui a possibilidade de uma contaminação futura dos pescados. A recomendação é que haja um monitoramento a avaliação periódica das espécies localizadas nas áreas atingidas. “O que a gente pode afirmar é que os pescados dessas colônias, nessa época, não foram atingidos pelo óleo, mas é preciso que haja um acompanhamento porque isso pode vir a acontecer”, disse.

O procedimento realizado para detectar possíveis vestígios de petróleo verifica se os níveis de benzopireno (componente químico)  encontrados no organismo das amostras estão acima do nível regulamentado internacionalmente como seguro para o consumo humano. “Afirmamos que não foi quantificado, em nenhuma amostra, concentração de HPAs acima dos limites de detecção do método utilizado”, afirma o laudo elaborado pelo Núcleo de Processamento Primário e Reúso de Água Produzida e Resíduos (Nupprar) da UFRN.

Os pescados analisados são provenientes da pesca artesanal realizada pelas colônicas de pescadores dos dois locais mais atingidos pelo petróleo no Rio Grande do Norte (34 toneladas de óleo foram coletados nos locais). Em relação às espécies de outras localidades atingidas, Djalma Ribeiro afirma, apesar de não haver amostras, “é natural que, por ter sido menos atingida, o risco dos animais estarem contaminados menor”. “O resultado dessa amostra torna ainda menor essa possibilidade e foi até intrigante para nós”, disse.

O laudo, concluído nesta quinta-feira (9), é o primeiro com amostras da pesca artesanal. Até então, somente os peixes provenientes da pesca industrial haviam sido analisados pela indústria da pesca. Também não há contaminação.

Os laboratórios do Nupprar atuam nas análises de áreas contaminadas pelo petróleo desde setembro, mas estava restrito a água e ao solo até novembro do ano passado. Criado em 2005 e especializado nesse tipo de amostra, foi a primeira vez que a análise de hidrocarbonetos em pescados foi realizada pela UFRN. Segundo Djalma Ribeiro, os equipamentos e materiais disponíveis no laboratório foram suficientes para a realização da pesquisa.

O vazamento de óleo no litoral nordestino atingiu mais de 2 mil quilômetros das regiões Nordeste e Sudeste do Brasil. No Rio Grande do Norte, os primeiros vestígios foram encontrados no fim de agosto, sendo um dos primeiros estados a registrar o material. Os poluentes introduzidos por esse tipo de derramamento nos corpos d'água tendem a se acumular em sedimentos.

Uma vez em contato com o sistema aquático, os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs), encontrado no óleo, podem entrar na cadeia alimentar dos e representam um risco potencial para o ecossistema aquático e, eventualmente, para a saúde humana.

Veja as espécies analisadas

Cioba (Peixe)
Cambuba (Peixe)
Sardinha (Peixe)
Bicuda (Peixe)
Tainha (Peixe)
Serra-Pininga (Peixe)
Lagostas vermelhas
Polvo
Ostra
Sururu



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