Análise não acompanhou expansão

Publicação: 2019-05-26 00:00:00 | Comentários: 0
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Mas o que torna o tempo de espera para uma aposentadoria ou outro benefício tão longo no INSS? A resposta, de acordo com o presidente nacional do órgão e com um diretor do Sindicato dos Trabalhadores Federais do Rio Grande do Norte, passa pela falta de investimento na capacidade de análise das solicitações, que não acompanhou a expansão da rede de atendimento, e no número de aposentadorias de servidores nos últimos anos.

Segundo os dados do INSS no Rio Grande do Norte, 36 servidores se aposentaram em um ano. Hoje, existem 495 servidores espalhados em 40 agências, dando uma média de 12 servidores por agência. No ano passado, com 531 servidores ativos, cada agência possuía um servidor a mais, em média.

Automatização de mais serviços pode ser um fator favorável para que as filas de análises de processos caiam. Previsão é de que em julho serviços sejam expandidos
Automatização de mais serviços pode ser um fator favorável para que as filas de análises de processos caiam. Previsão é de que em julho serviços sejam expandidos

Jurandir Damasceno, diretor do Sindiprevsrn, afirma que a quantidade de aposentados por ano entre os servidores do INSS se tornou maior desde que o debate sobre a reforma da previdência se tornou mais latente. Para não entrar nas novas regras, houve uma “corrida” pela aposentadoria. “Muita gente se aposentou nesses anos, desde 2016, e se tem pouquíssimos analistas dos processos. A capacidade de análise foi diminuindo”, afirma.

O outro lado, paradoxalmente, é que o atendimento melhorou no mesmo período em que houve a intensificação de aposentadorias. Três fatores foram essenciais para isso: a abertura de agências – 12 abriram entre 2011 e 2018 somente no Rio Grande do Norte –, a possibilidade de agendamento e a informatização. Com isso, mais atendimentos começaram a ser feitos, mas a capacidade de análise não acompanhou o crescimento. “Passados dez anos esses avanços se perderam pelo aumento da demanda e perda de capacidade operacional. Esse represamento do atendimento voltou a acontecer, mas nas filas eletrônicas", afirmou o presidente do órgão, Renato Vieira, em entrevista à BBC News Brasil.

Vieira se refere às antigas filas físicas do INSS quando fala sobre “represamento”. Há uma década, a demora no atendimento era uma das reclamações mais relatadas por quem precisava do órgão. As medidas nos últimos 15 anos foi focadas para resolver esse problema. Hoje, segundo o INSS, a média de espera entre a data do agendamento e o atendimento é de 14 dias. A opção de ir até às agências continua existindo, mas não se vê mais grandes filas.

Para Damasceno, o que acabou acontecendo é que os servidores existentes no INSS tiveram que se concentrar no atendimento, esquecendo a análise. “Os atrasos começaram depois disso. Foi sendo feito mais atendimento, esquecendo de aumentar também o número de analistas”, explicou. “A expectativa é que as próximas medidas sejam concentradas para as análises”.

O sindicalista também critica a falta de concursos. O último foi feito em 2015. “Os servidores foram se aposentando e outros não chegaram. Não tem concurso e isso vai piorando a situação”, afirma. Atualmente, ele trabalha na agência do Alecrim e conta que lá existe somente um analista e oito técnicos. “Muita gente acaba por fazer outras funções, as análises são lentas porque são poucos analistas. Isso torna tudo mais difícil”. A perspectiva, entretanto, é que a situação comece a mudar principalmente com a digitalização dos serviços. Esse processo começou em novembro do ano passado, mas a previsão é que seja concluído até o fim deste ano para automatizar algumas análises.
















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