Andar com fé pela cidade

Publicação: 2017-05-05 00:00:00 | Comentários: 0
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Tádzio França
Repórter

Ir à igreja não é algo visto como um programa de lazer habitual, crenças religiosas à parte.  Mas quando o ato está associado à história e cultura, a cena muda de figura. A Secretaria Municipal de Turismo (Setur) lançou na semana passada duas sugestões de roteiros que põem as igrejas católicas de Natal no rumo de quem aprecia passeios com conteúdo histórico. A iniciativa é pioneira no segmento de turismo religioso, um nicho ainda pouco explorado no Estado, e principalmente na capital potiguar. Uma sugestão abençoada para quem deseja conhecer mais a história da cidade.

Primeira igreja construída em Natal no século XX está no Alecrim: É a de São Pedro Apóstolo, de 1919, que chama a atenção por sua torre gótica
Primeira igreja construída em Natal no século XX está no Alecrim: É a de São Pedro Apóstolo, de 1919, que chama a atenção por sua torre gótica

A Setur criou um folheto informativo com os roteiros sugeridos, sob a orientação da Arquidiocese de Natal. “O material  foi distribuído entre as agências de turismo receptivo, e elas já estão se articulando e estruturando para realizar esses passeios junto aos turistas interessados. Claro, o turista pode fazer por conta próprio, e até mesmo o natalense que quiser conhecer melhor sua própria história”, explica Christiane Alecrim, secretário de turismo de Natal. Os roteiros foram lançados durante a Expotur Católica, realizada semana passada na Praça Pedro Velho, em Petrópolis.

O roteiro privilegia as igrejas mais antigas e importantes. É uma questão de perspectiva histórica: a história de Natal se confunde com a história de suas primeiras igrejas. A colonização portuguesa girava também em torno da imposição da religião católica, um instrumento poderoso para consolidar a dominação dos europeus na América. Toda cidade, vila, aldeia e povoado de criação lusitana, da maior à menor, nascia em torno de uma igreja. “A história do Brasil está intimamente ligada à religião. As igrejas são marcos históricos, e Natal não foge disso”, ressalta.

Rota histórica

O primeiro roteiro é orientado para o Centro Histórico (e adjacências). Começa pela Cidade Alta, o bairro onde Natal nasceu e foi erguida a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, a partir de 1600. O primeiro templo católico do Rio Grande do Norte foi a catedral natalense até meados do século XX. Ao longo de quatro séculos passou por várias modificações arquitetônicas, e ainda hoje é uma das favoritas da cidade para casamentos elegantes.

No caminho está o segundo templo mais antigo de Natal, a Igreja do Rosário dos Pretos, erguida em 1714. Simples e graciosa, está localizada num terreno alto do centro, podendo ser vista de vários pontos entre a Ribeira e Cidade Alta. Era a igreja dos negros, livres ou escravos, e dos mais pobres em geral. Em seguida está a Igreja Santo Antônio, mais conhecida como Igreja do Galo, de 1766. É o templo de arquitetura mais bonita, com elementos do chamado barroco jesuítico. No local também está o museu de arte sacra, com peças dos séculos XVII ao XX.

Descendo para a Ribeira, está o quarto e último templo colonial de Natal, a Igreja do Bom Jesus das Dores. Erguida por volta de 1772, é a construção mais antiga do bairro ainda existente. A arquitetura, que era originalmente colonial/barroca, foi modificada no começo do século XX, com duas torres de inspiração gótica, alterações nos traços, e aplicação de azulejos amarelos. Mesmo assim, é uma igreja bastante procurada para casamentos, batizados e eventos.

O Alecrim ainda era um bairro jovem quando a Igreja de São Pedro Apóstolo foi inaugurada, em 1919. É a primeira igreja católica construída no século XX em Natal, e até hoje chama a atenção por sua grande torre gótica com cúpula, e a imagem de São Pedro no topo. Em Petrópolis, a singela Igreja de Nossa Senhora de Lourdes, criada em 1965, pode ser vista com o azul do mar ao fundo. Nesse templo estão os restos mortais do Padre João Maria, motivo de devoção para muitos fieis até hoje.

O roteiro do centro histórico termina com a passagem pela Catedral Metropolitana de Natal. O prédio de arquitetura moderna  foi inaugurado em 1988, após quinze anos de obras. O templo é espaçoso, arejado, e faz um contraste interessante com os templos mais antigos, ainda ligados a traçados clássicos.

Santuários
A segunda parte do roteiro religioso sugerido pela Setur, privilegia os chamados santuários.  No bairro de Nazaré, zona norte, foi erguida a Paróquia do Santuário dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu, dedica aos colonos que foram massacrados durante a invasão holandesa ao nordeste no século XVII. Foi construído em 2009, e é um dos templos mais espaçosos de Natal.  A igreja também abriga o quadro oficial dos mártires, usado na Praça do Vaticano, Itália, no dia da beatificação, em 5 de março de 2000. Os mártires potiguares serão santificados no dia 15 de outubro deste ano, o que deve torná-lo ainda mais procurado.

Outro ponto é a Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, no conjunto Parque das Dunas, bairro de Pajuçara, zona norte de Natal. Todo dia 13 do mês tem uma das missas mais frequentadas da cidade, um acontecimento na região. A partir de maio será construída no local uma réplica da capela de Fátima, a mesma onde a santa fez sua famosa aparição, em Portugal.


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