Alex Medeiros
Aniversário de um monarca republicano
Publicado: 00:00:00 - 01/10/2021 Atualizado: 22:47:19 - 30/09/2021
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

"Meus ídolos são Pelé, Maradona e George Weah, mas principalmennte George Weah”. A declaração do jogador francês Lass Diarrá, craque do Real Madrid, em abril de 2009, pareceu inusitada ao unir dois deuses da bola ao craque da Libéria. Entretanto, o culto ao nome de George Weah, o maior jogador de futebol do continente africano, se espalham como a poeira ou o fogo nos desertos e florestas da África. E atingem regiões desde a Europa à Ásia.

Divulgação


No pequenino país da Libéria, fundado no século 19 por escravos que conquistaram a liberdade nos EUA, Weah nasceu em 1 de outubro de 1966, numa família do subúrbio da capital Monrovia. Abandonado pelos pais, foi criado pela avó. O chão árido de onde já brotara os talentos de Eusébio e Roger Milla, também foi palco do nascimento do pobre adolescente, dividido entre o sonho de sucesso e o pesadelo de uma nação em guerra civil fratricida.

Com 15 anos, George Weah percebeu que a Libéria era muito pequena para o seu futebol universal. Emigrou para os Camarões e foi descoberto pelo inglês Arsene Wenger, um técnico dotado de intelecto, carisma e cavalheirismo.

Wenger o levou para o Mônaco, e durante 4 anos Weah assombrou a imprensa francesa e encantou os torcedores do clube do famoso principado. O toque elegante, o chute potente, os dribles e raciocínio rápidos eram sua marca.

Contratado pelo PSG em 1992, logo tornou-se a maior estrela da liga francesa, fazendo gols e atuações maravilhosas. Os dirigentes e torcedores do Milan perceberam que estava em George Weah a solução de um enorme vácuo.

Em 18 de agosto de 1995, o Milan enfrentou o rival Juventus diante de 85 mil pessoas no estádio San Siro. Era a despedida de um dos maiores goleadores da equipe, o holandês voador Marco van Basten. Uma perda quase insanável.

Mas, quando a temporada começou pra valer, os fanáticos milanistas souberam que no fechar da “janela” (o prazo para contratações) o diretor Adriano Galliani sacara da manga um ás para suprir a ausência do holandês.

Weah estreou arrebentando, exibindo um futebol ao estilo dos gênios. Por toda a Europa, crianças como o francês Diarrá definiam suas idolatrias. E a torcida descobriu no renascimento que perdera Da Vinci, mas ganhara Botticelli.

Ele comandou o Milan na conquista do título daquele ano. Como consequência do seu virtuosismo, Weah foi eleito em 1995 o melhor jogador da África, melhor da Europa no troféu Bola de Ouro e melhor do planeta na eleição da FIFA.

Com a bola nos pés, realizou as jogadas e fez muitos gols típicos dos deuses da bola, como Maradona, Pelé, Cruijff. Torcedores do Mônaco, PSG, Milan, Manchester City e Chelsea guardam na lembrança instantes da sua magia.

O grande templo ao seu culto foi o velho San Siro de Milão, aonde fanáticos o santificaram em louvor. E se feria rivais com seus gols, era venerado e admirado pela mídia no exercício constante do fair play. Era o cavalheiro negro.

Não teve a sorte de Milla, Eto’o ou Drogba na presença em jogos de Copa do Mundo. É um sonho impossível da singela seleção da Libéria. George Weah é um caso quase solitário de um gênio maior do que seu próprio povo, sua pátria.

Encerrou a carreira em 2002, carregando nas costas e na fama seu país na Copa Africana de Nações. Em 2007, foi aplaudido de pé num jogo de homenagem ao líder Nelson Mandela. E olha que ao seu lado estava Pelé.

A vida pós-gramados lhe deu um status de personalidade de respeito mundial, tornou-se a mais significativa representação diplomática da Libéria. Em 2017 foi eleito Presidente da República do seu país e hoje ele completa 55 anos.

Catástrofe 
O rio de lavas em La Palma já ocupou quase 18 hectares, destruiu 980 prédios, ameaça engolir outros 1.200 e enterrou sobre os metros de magma endurecido mais de 27 quilômetros de estradas. E segue avançando no mar das Canárias.

Autoritarismo 
Sempre que qualquer poder público se avizinha de decisões ditatoriais, é preciso, sim, citar Hitlet, como fez o desembargador carioca Paulo Rangel ao emitir sentença em caráter liminar derrubando a exigência do passe sanitário.

Boatos 
Muita gente ainda acreditando nas fake news sobre supostos episódios censurados a pedido do Senado e da Câmara Federal. Uma característica desses boatos é pedir no final do texto que as pessoas “repassem com força”.

Absurdo 
A vida voltando ao normal em todo o País, eventos culturais e festivos retornando com sucesso de público. Por enquanto, só o parasitismo universitário das “federais” insiste em comprometer o ano dos estudantes.

Carnaval 
A nota ontem saiu truncada. A notícia é que todos os camarotes da Sapucaí foram vendidos em poucas horas. E dia 14 começam as vendas dos ingressos individuais para as arquibancadas que terão 60 mil lugares ano que vem.

Guaxinim 
Adiado em 2020 por causa da pandemia, o Micareme do bloco carnavalesco Guaxinim será realizado nas semanas anteriores ao Carnatal, no Restaurante Nemesio, fazendo antecipadamente a primeira prévia do carnaval de 2022.

Ivanildo 
O compositor Ivanildo Cortez, que nos deixou na noite de quarta-feira, é autor da mais bela e completa canção em culto à nossa cidade. Nenhuma outra cita tantos lugares marcantes como “Natal Querida”, composta em ritmo de valsa.

Seleções 
Ainda no vácuo das seleções históricas da FIFA e L’Équipe, os onze escalados pelo procurador Raimundo Nonato: “Manga, Leandro, Beckenbauer, Passarela, Junior, Platini, Sócrates, Zico, Lato, Cubillas e Éder. Com Telê de técnico.

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