Anjos caídos do rock

Publicação: 2021-03-02 00:00:00
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

Há algum tempo eu disse no meu site que se algum fã do rock ‘n’ roll quiser conhecer de uma só vez as origens e vertentes do punk rock, proto punk, grunge, new wave e eletropop, precisa ler a farta bibliografia do livro “Dangerous Glitter – Como David Bowie, Lou Reed e Iggy Pop Foram ao Inferno e Salvaram o Rock ‘n’ Roll”, de Dave Thompson.

É uma bela edição de luxo em capa dura com muito material iconográfico e fotos históricas do triunvirato maldito. Os três levaram aos limites extremos – como diz Galvão Bueno – a tradução metabólica do mantra criado pelos Rolling Stones, “sexo, drogas e rock ‘n’ roll”. A turma de Jagger não deu pro cheiro.

Vamos para o ano de 1971, quando o britânico David Bowie era apenas uma promessa de sucesso e um fã entusiasmado dos americanos Lou Reed, e seu  grupo Velvet Underground, e Iggy Pop, com sua banda The Stooges. E os dois, diga-se, achavam que o inglês tocava alguma coisa muito próxima do lixo.
Mas Bowie tinha a mesma loucura dos seus ídolos e se danou para os EUA só para conhecê-los. Não dava nem para imaginar um empurrão do mercado do Tio Sam, já que naquele ano encerrou o programa Ed Sullivan Show, cuja audiência catapultou Beatles, Rolling Stones e tudo que veio da Inglaterra.

A Guerra do Vietnã seguia sangrenta e a conjuntura cultural demonstrava agitação tanto nos EUA quanto no Brasil. Foi em 1971 que Augusto Boal criou o Teatro do Oprimido, que Nabokov lançou “Poemas e Problemas” 16 anos após o sucesso de Lolita, e que o poeta Ferreira Gullar foi para o exílio.

Não foi fácil para Bowie flertar com a dupla e romper a rejeição artística. Mas no ano seguinte deu namoro e sinais de bom casamento. No primeiro encontro com Lou Reed, numa mesa do restaurante Ginger Man, no coração de Nova York, a conversa fluiu graças à alcova dos executivos da gravadora RCA.

Os dois viviam situações distintas no âmbito musical; com Lou Reed se divorciando da Velvet Underground, pensando numa carreira solo, enquanto Bowie ensaiava voos em direção à estratosfera com o êxito mundial do seu quinto disco, The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars.

O extenso nome, que lembrava a revolução sonora dos Beatles quatro anos antes com o álbum Sgt. Pepper’s, caiu na boca do mundo resumido para Ziggy Stardust, que virou um alter ego. E Bowie acabou produzindo o maior sucesso da carreira solo de Reed, o seu segundo disco chamado “Transformer”.

O encontro com Iggy Pop seguiu o mesmo clima e se tornou uma boa amizade, invertendo os papeis como já ocorrera com Lou Reed. O bruxo da cultura punk americana também passou a admirar Bowie. Em 2016, disse que o músico inglês não só o entendia como o ressuscitou para a vida e para o rock.

Infelizmente, aqueles primeiros anos da década de 1970 foram os únicos instantes em que o trio trabalhou junto. Uma conectividade tão fértil e transgressora que produziu um pouco que se tornou muito para a historiografia da música pop. Foram três demônios criativos, anjos caídos que mudaram as abordagens cênica, técnica e comportamental das variações do rock ‘n’ roll.

Hoje, Lou Reed faria 79 anos. Faleceu em 27 de outubro de 2013. Bowie se foi três anos depois, em 2016; e Iggy está por aí desafiando o tempo, a saúde e a insensatez do mundo.

Créditos: Divulgação

Ivermectina
Os estudos e reportagens em favor do uso da Ivermectina como prevenção ao coronavírus se multiplicam pelo mundo. O médico Pierre Kory, da Universidade de Wisconsin, EUA, expôs toda sua experiência no combate ao vírus no país.

Estranho
Pierre Kory disse aos senadores que não entende os motivos que levam governos e entidades médicas a buscarem uma saída com investimentos bilionários e refutam drogas populares e de fácil acesso às populações pobres.

Censura
Os censores do Facebook, baseados no vigia “Estadão Verifica”, não permitem a veiculação do depoimento de Kory transmitido ao vivo pelo canal Fox TV e que já se espalhou pelas redes via WhatsApp, Telegram e até o Twitter.

Canalhice
As declarações do ministro Gilmar Mendes em entrevista exclusiva à Tribuna do Norte deixou bem claras as intenções canalhas de Sergio Moro e os parças do MP da Lava Jato contra a honra do ministro do STJ, Marcelo Navarro.

Restrições
Em São Paulo, João Dória pensa em estabelecer uma fase mais rígida do que a vermelha e bloquear mais ainda o trabalho e a liberdade de ir e vir. A última vez que se falou em cor mais forte que a vermelha, acabou num “aquilo roxo”.

Mulheres
A Academia Norte-Rio-Grandense de Letras e a Assembleia Legislativa, através do Memorial da Cultura, firmaram uma parceria para a edição de livros temáticos, e que terá no primeiro volume “O Pioneirismo da Mulher Potiguar”.

Conselho
Entrando março ainda sem uma perspectiva de normalidade, o Conselho Estadual de Cultura retoma hoje as sessões virtuais com transmissão aberta pela plataforma do YouTube. A maioria ainda teme as reuniões presenciais.

McCartney 
Lançada ano passado, a graphic novel “Paul Está Morto – Quando os Beatles Perderam McCartney” está à venda pela Amazon. São 120 páginas e capa dura numa edição ilustrada, assinada por Paolo Baron e Ernesto Carbonetti.









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