Antônio Jorge Pontes Guimarães Júnior: “Operamos com taxas mais baixas”

Publicação: 2019-11-10 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Ricardo Araújo
Editor de Economia

O Banco do Nordeste deverá encerrar o ano de 2019 com um volume de financiamentos e operações superiores ao tabulado no ano passado. Até outubro deste ano, o Banco do Nordeste financiou R$ 21,5 bilhões com recursos do  Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) em toda a área de atuação da instituição, que inclui os nove Estados nordestinos e o norte de Minas Gerais e do Espírito Santo. Somados às demais fontes, notadamente os recursos voltados para o microcrédito, os números de aplicações do BNB em 2019 chegam a R$ 31,6 bilhões investidos em 4,2 milhões de operações. Somente para as micro e pequenas empresas da Região, o BNB destinou, neste exercício, aproximadamente R$ 3 bilhões, distribuídos em 36 mil contratações.
Antônio Jorge Pontes Guimarães Júnior é Diretor Financeiro e de Crédito do Banco do Nordeste
Antônio Jorge Pontes Guimarães Júnior é Diretor Financeiro e de Crédito do Banco do Nordeste

Segundo o presidente do BNB, Romildo Carneiro Rolim, os recursos do Fundo destinam-se prioritariamente a atividades produtivas de pequenos e miniprodutores rurais e pequenas e microempresas, ressaltando que, com apenas 8% das agências, o Banco do Nordeste é líder em financiamentos na sua área de atuação, sendo responsável por 69,9% de todos os financiamentos e por 54,8% dos financiamentos rurais da Região.

Na entrevista a seguir, o diretor Financeiro e de Crédito da instituição analisa o atual mercado de crédito no país, detalha mudanças operacionais no banco que visam modernizar os processos, reduzir a burocracia e ampliar o acesso ao crédito na região de atuação do Banco do Norte. Acompanhe. 

Como o senhor analisa a situação atual do mercado de crédito no país e, principalmente, na área de atuação do Banco do Nordeste?

Eu diria que o mercado de crédito no Brasil passa por uma revo-lução no que diz respeito às taxas, aos encargos. Historicamente, nós nunca vivenciamos uma taxa Selic tão baixa como a que estamos vivenciando no momento atual. Isso dá condição, oportuniza que empreendedores e empresários possam estar, de fato, retirando seus projetos da gaveta e buscando instituições financeiras no sentido de apoiá-los na construção de uma modernização do seu negócio, na implantação de um novo negócio, na aquisição de uma nova máquina ou, até mesmo, para capital de giro. O Banco do Nordeste, neste particular, até porque operacionalizamos os recursos do FNE, que são recursos constitucionais, e mesmo dentro desse cenário de taxas no mercado privado, ainda assim, a gente consegue operar com as taxas mais baixas do mercado. O FNE tem, em sua composição, um subsídio dado pelo governo federal por sermos um banco de desenvolvimento e essa boa condição da instituição em praticar taxas baixas é voltada para o empresário. Eu diria que, do custo de mercado de crédito, nós vivenciamos hoje, para o tomador de crédito, o melhor momento em termos de encargos. É o momento da economia voltar (a crescer), das pessoas começarem a retirar os seus projetos da gaveta, começarem a renovar aposta no seu negócio. O Banco do Nordeste está preparado para recepcionar essa demanda e para atender ao público, notadamente, o micro e pequeno empresário, responsável por 99% das empresas no país e mais de 50% dos empregos formais. O Banco do Nordeste tem, hoje, produtos muito bem desenhados e com taxas muito competitivas. O mercado, em geral, apresenta boas taxas, mas o Banco do Nordeste, em particular e por operacionalizarmos o FNE, eu asseguro que as nossas taxas são as mais baratas do mercado.

O senhor fala em retirar projetos do baú, mas como é possível ampliar e desburocratizar o acesso ao crédito para que isso ocorra?

Nós estamos num trabalho intenso de ajustes do nosso processo. Esses ajustes passam por uma revisão das exigências documentais. Toda a parte documental e aí, inspirados também na Lei de Liberdade Econômica, estamos revendo todo o arcabouço documental que o banco exige hoje para que uma empresa possa operar com o banco. Isso está sendo revisitado e já estamos fazendo uma racionalização nesse sentido. Vamos avançar bastante nos próximos meses nesse particular. Estamos revisitando todos os modelos de negócios, buscando dar comodidade aos nossos clientes. Estamos entrando, de fato, nesse mundo digital e buscando oferecer os nossos produtos e serviços fora do expediente bancário, por outros canais que não somente a rede de agências, canais mobile banking e internet banking. Estamos avançando, também, na oferta de produtos através dessas tecnologias digitais. E estamos revisitando o processo de crédito, buscando a racionalização e verificando pontos que podem ser ajustados via automatização, via robotização, ou seja, buscando embarcar tecnologia dentro do processo no sentido de podermos ser mais efici-entes na operacionalização do  crédito e levando, com isso, mais comodidade aos nossos clientes. Nós estamos imbuídos e trabalhando firmemente nesse sentido. É isso o que tem permitido o Banco do Nordeste a ousar nas suas metas de aplicação de recursos. Como foi dito há quatro anos, o volume de recursos empenhados para a micro e pequena empresa era pouco mais de R$ 1 bilhão e, hoje, a gente já fala em cerca de R$ 3,5 bilhões. Para o ano que vem, a meta é superarmos os R$ 4 bilhões e nós estamos aumentando essa oferta de crédito sem crescimento de funcionários, sem crescimento de rede de agências, muito dentro do conceito de embarcarmos tecnologia e simplificarmos o processo. O banco tem feito um grande esforço para dar a maior comodidade e agilidade na oferta de crédito aos seus clientes.

Qual a posição do RN em relação à tomada de crédito junto ao Banco do Nordeste?

Aqui no Rio Grande do Norte nós temos um grande destaque para o setor de infraestrutura. O banco tem financiado muito a geração de energia e tem buscado atender a demanda desse setor. O setor de turismo é outro que nos demanda recursos interessantes e, como em todo o Nordeste, o setor de comércio e serviços é pujante e demanda muito crédito. Esses três setores são os carros-chefes em termos de demandadores de crédito. Mas, evidentemente, o Banco do Nordeste atende todos os setores. Nós atendemos a agricultura, pecuária, indústria. Estamos atentos a todas as necessidades de crédito e negócios. A proposta nossa é termos produtos que atendam todos os setores e com muita competitividade e vantagem, principalmente, em relação ao custo financeiro desses produtos. 

Como o senhor pontua, o RN se destaca na questão da infraestrutura com o financiamento de parques eólicos. Agora, a geração de energia solar fotovoltaica também cresce no Estado. Quais são os planos do BNB exclusivos para esse setor?

Nós já aplicamos mais de R$ 600 milhões no FNE Sol este ano, que é uma linha de financiamento específica para a energia solar fotovoltaica. A nossa disposição é avançar na geração (desse tipo de energia) para a pessoa física. O Banco do Nordeste aposta muito na micro-geração de energia distribuída entre empresas, produtores rurais, residências. Nós estamos automatizando todo o processo para o FNE Sol pessoa física, lançando um piloto em algumas agências buscando dar celeridade e comodidade para esse público que busca acessar esse crédito. É uma linha que, para o banco, é muito interessante. Ela é desenhada, basicamente, na lógica de que não precisa o empresário gerar receitas adicionais para fazer esse investimento. O investimento é desenhado para que os reembolsos fiquem na medida da despesa que o empresário tem hoje com relação à sua conta de energia. O que ele paga para a concessionária vira o que ele paga de financiamento para a geração de sua própria energia. O payback dessas operações tem girado em torno de sete anos e esse sistema de geração solar tem uma vida hoje de mais de 20 anos. Nós estamos falando de 13 anos de geração de energia praticamente de graça. A gente entende que é uma linha que deve crescer muito em sua demanda, mexendo fortemente na oferta de crédito e nós temos certeza que, ainda neste final de 2019, com o baixo encargo financeiro atrelado a esse produto e com a automatização dos processos, a gente vai ter uma condição de avançar muito nessa linha de crédito.

Quando o senhor assumiu a função atual, disse que teria como objetivo dinamizar a liberação de recursos e otimizar processos. Isso tem sido atingido, de que maneira?

Nós estamos há pouco mais de dois meses à frente dessa diretoria e esse é o grande desafio. O desafio é operacional. Buscarmos fazer mais com menos, aumentarmos a produtividade. Isso tudo, quando se busca uma maior produtividade e um maior resultado operacional, eles se revestem para o cliente numa maior comodidade. É ele poder ir tomar o crédito fora do horário do expediente bancário, é ele não precisar ir à agência para contratar uma operação ou renegociar uma dívida, assinar um contrato, entregar um documento para análise de cadastro ou geração de limite, enfim. Nós estamos, de fato, revisitando todo esse assunto e algumas ações concretas já estão sendo construídas, como modernização de sistemas. O próprio FNE Sol, a partir desta semana, vai ter um piloto de forma automatizada. A nova plataforma de crédito do banco foi entregue em sua primeira fase. O cliente pode fazer o acompanhamento dos seus lançamentos, fazer upload de documentos, acompanhar a evolução do seu crédito nas demais instâncias do banco. Esse é o nosso compromisso. Os indicadores de eficiência do banco, hoje, estão em linha com o mercado privado, mas nós queremos mais. Nosso desafio é ser um banco público, mas com uma gestão profissional, com indicadores de instituição privada. O que a gente quer é não só entregar um produto mais barato para o nosso cliente, mas com qualidade de atendimento e de acesso. A nossa preocupação é fazer com que o nosso cliente não seja massacrado para acessar um recurso mais barato. Evidentemente, que nós temos a consciência de que somos gestores de recursos públicos, precisamos ter cuidado com essa gestão para que  esse dinheiro retorne ao banco e possa ser reinvestido. Mas há espaço para a modernização do banco, é esse o nosso trabalho. Os números de negócios já demonstram essa capacidade de entrega. Queremos entregar mais com menos recursos humanos e de estrutura de agências. 

continuar lendo


Deixe seu comentário!

Comentários