Antologia Blackout reúne textos de jovens poetas

Publicação: 2018-03-01 00:00:00 | Comentários: 0
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É notória e antiga a predileção dos autores locais pelos versos em detrimento da prosa. Deste solo que já brotou nomes como Palmyra Wanderley, Jorge Fernandes, Othoniel Menezes, Diva Cunha, Marize Castro, para citar apenas  alguns com destaque, novos e muitos frutos vem aparecendo a cada ano. São jovens poetas de internet, de saraus e zines, em sua maioria desconhecidos do grande público. Mas essa novíssima cena da poesia natalense pode ser descoberta com a recém-publica antologia “Blackout”, organizada pelos jovens Ayrton Alves Badriyyah e Victor H Azevedo. O lançamento da publicação acontece no próximo sábado (3), a partir das 19h, no Bardallos (Cidade Alta). O evento também contará com sarau e shows de Luan Bates, Binnê e Uma Senhora Limonada. A entrada é gratuita.

Poeta Blackout (1961-1999) é lembrado por nova geração
            Poeta Blackout (1961-1999) é lembrado por nova geração

A antologia reúne poemas de 18 poetas, todos nascidos entre o final dos anos 80 e os 90. Com exceção de um, todos os autores são inéditos em livro. A seleção levou um ano para ser concluída. Seus organizadores, Ayrton e Victor, também compõem a coletânea, ao lado de Murilo Zatu, Olga Hawes, José Zapíski, Ana Mendes, Ian Itajaí, Gabrielle Dal Molin, Caroline Santos, Maíra Dal’Maz, Igor Barboà, Maluz, Ionara Souza, Pedro Lucas, Folha Joice, Jota Mombaça, Gessyka Santos e Fulô.

“Tínhamos essa ideia de fazer um mapeamento da produção poética mais recente de Natal. Até para dar um panorama dessa produção. Já conhecíamos alguns nomes e fomos atrás de outros”, diz Ayrton, estudante de Letras na UFRN. O colega Victor é aluno de Produção Cultural no IFRN. “Natal tem uma tradição poética muito forte. A gente vê muita gente publicando. Mas a atenção parece estar sempre voltada para nomes os já conhecidos. Nossa proposta foi dar visibilidade a essa cena novíssima”, completa Ayrton.

A obra sai em formato artesanal, em edição cartonera, bancada pelos próprios organizadores. O trabalho traz 144 páginas, organizadas de modo que cada poeta teve até 10 páginas para ocupar de maneira livre com seus poemas.

Segundo Ayrton, o que mais se destaca nessa geração é menos a temática do que a linguagem. “A poesia é mais sobre como se fala do que sobre o que se fala. E a maneira de falar nessa cena nova cena é a mais diversa possível. Um exemplo disso são os comentários que a gente vê nos saraus e nas redes sociais, atentando para abordagens incomuns para assuntos do cotidiano”, comenta. O autor também cita como marca dessa cena o empoderamento. “Encontramos poetas transsexuais, homossexuais, negros, mulheres. O que estamos vendo na sociedade está refletido nessa geração”.

Blackout
O título da antologia faz uma homenagem ao poeta Edgar Borges (1961-1999), mais conhecido como Blackout, autor de um único livro “Duas Cabeças” (1981). O poeta,  morador de Mãe Luiza, se dividia entre a poesia e os trabalhos de pedreiro e eletricista – morreu eletrocutado, justamente fazendo um bico. Segundo os organizadores da antologia, a ideia é resgatar a memória desse potiguar que caiu no esquecimento. “O Blackout foi bastante atuante em Natal nos anos 80 e 90. Vendia poemas em troca de comida, depois ia dormir no hospital João Machado. Sua poesia era sobre seu cotidiano, tinha um tom de contestação, falava de ser pobre e mesmo assim continuar a escrever. Era uma espécie de performer.”


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