Antonio Palocci oferece revelações

Publicação: 2017-04-21 00:00:00 | Comentários: 0
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São Paulo (AE) - Em processo inicial de negociação de um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal, o ex-ministro Antonio Palocci ofereceu ao juiz Sérgio Moro “um caminho” que fará “bem ao Brasil” com informações de interesse da Operação Lava Jato. “Fico à sua (Moro) disposição hoje e em outros momentos porque todos os nomes e situações que eu optei por não falar aqui, por sensibilidade da informação, estão à sua disposição o dia que o senhor quiser. Se o senhor estiver com a agenda muito ocupada, a pessoa que o senhor determinar, eu, imediatamente, apresento todos esses fatos com nomes, endereços, operações realizadas e coisas que vão ser, certamente, do interesse da Lava Jato.”

Antonio Palocci, preso desde setembro de 2016, disse que a Lava Jato "realiza uma investigação de importância"
Antonio Palocci, preso desde setembro de 2016, disse que a Lava Jato "realiza uma investigação de importância"

Antonio Palocci é o primeiro político da alta cúpula do PT a negociar acordo de delação com a Justiça. Essa possibilidade chegou, inclusive, a preocupar o mercado financeiro nesta semana pelo rumor de que o ex-ministro possa envolver nomes ligados a instituições bancárias.

Preso desde setembro, Palocci disse que a Lava Jato “realiza uma investigação de importância”. “Acredito que posso dar um caminho, que, talvez, vá dar um ano de trabalho, mas é um trabalho que faz bem ao Brasil”, acenou. O ex-ministro da Fazenda (governo Lula) e da Casa Civil (primeiro governo Dilma) foi interrogado em ação penal sobre lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva relacionados à obtenção, pela empreiteira Odebrecht, de contratos de afretamento de sondas com a Petrobrás.

Segundo a denúncia, entre 2006 e 2015, Palocci estabeleceu com executivos da empreiteira “um amplo e permanente esquema de corrupção” destinado a assegurar o atendimento dos interesses do grupo empresarial no governo. O Ministério Público Federal (MPF) aponta que, no exercício dos cargos de deputado, chefe da Casa Civil e membro do Conselho de Administração da estatal, ele interferiu para que o edital de licitação lançado pela petroleira e destinado à contratação de 21 sondas fosse formulado e publicado de forma a assegurar que a Odebrecht não obtivesse apenas os contratos, mas que também firmasse tais acordos com margem de lucro pretendida.

Italiano

Palocci afirmou que não iria “dizer que nada corresponde à realidade” ao responder sobre a suspeita de ser o “Italiano” registrado na planilha de conta corrente da Odebrecht. “Não vou dizer que nada corresponde à realidade”, respondeu Palocci. Segundo ele, Marcelo Odebrecht “nunca” o chamou de Italiano. “Vou dizer que eu jamais orientei ou organizei pagamentos ou operei caixa 2 junto ao Marcelo (Odebrecht). Jamais isso aconteceu.”

Palocci contestou valores tidos como propina paga ao PT durante campanhas eleitorais. “Digo mais. Do que eu sabia, porque não lidava com isso, do que eu sabia dos recursos de campanha e de dívidas de campanha com marqueteiros, parece-me que esses valores são bem diferentes do que eu tinha de informações.”

O ex-ministro também afirmou, assim como Marcelo já declarou à Justiça, que o caixa 2 é prática ilícita recorrente em qualquer campanha política. “Todo mundo sabe que teve caixa 2 em todas as campanhas.” Palocci não apontou, especificamente, para nenhuma disputa eleitoral. “Eu não me sinto em condições de falar o que todo mundo está falando, que nada existiu, que tudo foi aprovado nos tribunais. Não, todo mundo sabe que teve caixa 2 em todas as campanhas. Não vou mentir sobre coisas”, disse.


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