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Brasil
Ao assumir Caixa, Daniella Marques demite consultores da presidência
Publicado: 00:00:00 - 05/07/2022 Atualizado: 22:40:45 - 04/07/2022
Brasília (AE) - Em suas primeiras entrevistas após ser destacada para presidir a Caixa Econômica Federal, Daniella Marques deu indicativos de que a cúpula do banco vai mudar e anunciou três nomes que já atuam em outras esferas do Executivo e que vão acompanhá-la rumo à Caixa. Além disso, afirmou que cinco consultores da presidência do banco já foram afastados e que ainda deve afastar todos os 20 consultores. A presidente também assegurou que as investigações sobre as denúncias de assédio sexual que levaram à queda de Pedro Guimarães da presidência do banco serão rigorosas e que vai punir quem tiver de ser punido.

Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Daniella Marques garantiu que as investigações sobre as denúncias de assédio serão rigorosas e que vai punir quem tiver de ser punido

Daniella Marques garantiu que as investigações sobre as denúncias de assédio serão rigorosas e que vai punir quem tiver de ser punido


Até agora, anunciou três nomes. Seu braço direito, Danielle Calazans (secretária de gestão corporativa do Ministério da Economia) será responsável pela área de pessoas. Também chegam Caroline Busatto (subsecretária de micro e pequenas empresas, empreendedorismo e artesanato no ministério) e Alexandre Mota (diretor da Empresa Gestora de Ativos), que ficará com atacado e crédito.

"Estou trazendo três profissionais da minha confiança", disse Daniella à GloboNews ontem à tarde. Ela evitou dizer se os três ocuparão vice-presidências, mas deixou claro que ao menos duas estão vagas: a de atacado e a de logística e operações.

A primeira está em aberto desde sexta-feira, quando Celso Barbosa renunciou ao posto. Ele era considerado o "número dois" na gestão de Guimarães e também foi citado em uma das denúncias de assédio sexual. A segunda vaga é ocupada hoje por Antonio Carlos Ferreira, que será realocado para outro posto, mas Daniella não esclareceu se será no banco ou fora dele.

Cúpula

A Caixa tem hoje 12 vice-presidências. Daniella não deixou claro se o número será mantido, mas disse que metade dos postos será ocupada por mulheres. Hoje, cinco das 12 cadeiras da cúpula do banco têm mulheres à frente, todas funcionárias de carreira da instituição e empossadas durante a gestão de Guimarães.

Antes de mudar os vice-presidentes, a executiva já está alterando a assessoria da presidência. A chefe de gabinete da gestão Guimarães deixou o cargo, e ao menos cinco consultores também foram afastados. "Afastamos cinco consultores, são 20. Possivelmente, eu vou afastar os 20", disse a presidente da Caixa, que toma posse oficialmente hoje.

Daniella ainda não disse claramente se o rumo do negócio será alterado. Ela sinalizou apenas que a estratégia para o microcrédito continuará sob foco. Como mostrou o Estadão/Broadcast, Guimarães, aliado do presidente Jair Bolsonaro, vinha acelerando as concessões de crédito em ramos como o imobiliário e o agrícola, enquanto as instituições privadas começavam a fechar a torneira diante da alta da Selic e da piora da inflação e da inadimplência.

Investigações

Única mulher a comandar um dos cinco maiores bancos do País neste momento, Daniella deixou claro que tem dois objetivos: preservar a imagem da Caixa e evitar que as investigações paralisem a instituição. "O nosso foco é isolar o episódio do dia a dia do banco. Isolar não significa que a apuração não terá seriedade", disse.

Na semana passada, o conselho de administração da Caixa aprovou a contratação de uma empresa independente para fazer investigações adicionais sobre as denúncias de assédio. Segundo a nova presidente, a empresa que conduzirá a investigação será conhecida na próxima semana. "Existem fatos graves sendo expostos, e isso precisa ser apurado. Vai ser apurado com rigorosidade, independência, responsabilidade", comentou.

Para a executiva, braço direito do ministro Paulo Guedes na pasta da Economia, a crise será uma oportunidade para fortalecer a pauta antiassédio não só na Caixa, mas em todo o País. Ela prometeu, inclusive, levar o assunto à Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em que a Caixa tem assento em conselhos e na diretoria.

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