Aos 13 anos, potiguar já tem rotina de investidor

Publicação: 2020-10-25 00:00:00
Milka Moura
Repórter

Acordar, conferir portais de notícias sobre o mercado financeiro, checar as principais bolsas mundiais, ouvir podcasts e ler livros sobre economia e investimentos. Qual imagem vem a sua mente quando menciono essa rotina? Um adolescente talvez não seja a primeira coisa que se pensa quando se fala em mercado financeiro, porém essa realidade já vem mudando. De acordo com dados da Bolsa de Valores Brasileira, 12.154 jovens de até 15 anos são investidores. As informações são referentes ao mês de setembro e mostram que desse total, 5.344 são meninas e 6.810 são meninos.
Créditos: Tiago CostaMateus Gusmão começou a investir na Bolsa aos 12 anos. Hoje, com 13 anos, mantém canal no Youtube sobre o mercado financeiroMateus Gusmão começou a investir na Bolsa aos 12 anos. Hoje, com 13 anos, mantém canal no Youtube sobre o mercado financeiro

Aqui no Rio Grande do Norte, Mateus Gusmão com seus recém completados 13 anos, faz parte desta estatística. Mateus começou a investir ainda com 12 anos de idade. Vendo vídeos na internet sobre videogames, o jovem notou os anúncios no Youtube sobre empresas do mercado financeiro que atuam na internet, foi daí que veio a curiosidade de descobrir sobre esse mundo. Quando pesquisou mais, ele então começou a acompanhar canais voltados para o assunto e o interesse só cresceu.

No início do mês, o adolescente saiu em uma matéria no site InfoMoney, maior site especializado em mercados, investimentos e negócios no Brasil. A notícia foi acompanhada da história do jovem Felipe Molero, o ‘Kid Investor’, natural de São Paulo que começou a investir com apenas dez anos. Antes de todo o sucesso, a primeira experiência de Mateus no mercado financeiro não faz muito tempo.  Ele não ganhava mesada, mas com o dinheiro guardado que tinha, resultado de presentes e poupanças de coisas que vendeu na internet, Mateus fez o seu primeiro investimento em junho de 2019.

A primeira aplicação foi em nome de sua mãe, algumas corretoras já permitem que menores de idade invistam com seu próprio CPF, mas na época Mateus ainda não tinha conhecimento disso. A escolha estreante foi de investir em imóveis. Foi assim que aos 12 anos, Gusmão investiu no ativo ABCP11, fundo imobiliário do Shopping ABC Paulista.


Atualmente o potiguar cursa o oitavo ano, ele conta que na escola nunca recebeu aulas sobre educação financeira, mas em casa sempre foi orientado pelos pais a poupar tudo o que conseguia. A falta de instrução na escola e o aprendizado em casa não é muito diferente da realidade de muitos brasileiros, segundo uma pesquisa financeira do Ibope encomendada pelo C6 Bank, apenas 21% dos brasileiros tiveram ensinamentos sobre educação financeira na infância. 42% dos entrevistados disseram ter aprendido sobre finanças em casa com ajuda de familiares. As pesquisas foram feitas entre janeiro e fevereiro deste ano. Foi essa educação que  levou Mateus a descobrir mais tarde que o dinheiro que ele guardava, poderia ser rentabilizado.

Investindo aos 12
No dia 16 de janeiro deste ano, nasceu o canal Investindo aos 12. Em sua plataforma no Youtube, Mateus compartilha suas experiências com o mercado financeiro e também ensina como investir, os vídeos são postados semanalmente. Atualmente o canal tem 3,6 mil inscritos.  Lá, é possível encontrar o jovem de 13 anos falando como gente grande sobre melhores corretoras para jovens com menos de 18 anos, como comprar ações e como investir do zero.

Aliado ao Youtube, sua conta no Instagram conta com 9.410 seguidores, Mateus atualiza o feed todos os dias com dicas e conteúdos para quem faz parte desse universo, e costuma fazer lives.

A rotina de ‘influenciador’ na internet, se alia aos estudos da escola e se divide com os afazeres pessoais sem interferirem uma na outra. E hoje, com mais experiência, Mateus analisa bem antes de investir e utiliza alguns critérios pessoais. Primeiro, o potiguar explica que olha a operação da empresa e como ela funciona, para Mateus é mais importante conhecer a empresa do que investir em algo apenas pelos números bons. Em segundo, ele confere se a empresa tem um histórico consistente de dar lucro a longo prazo, em seguida, é a vez de olhar os ‘indicadores fundamentalistas’ , dados onde o investidor consegue processar informações sobre determinado investimento. Por fim, Mateus compara a empresa escolhida com outras empresas do mesmo setor e também procura saber se o negócio escolhido está dando lucro maior do que deu no passado.

A cautela com os detalhes ajudou Mateus na crise no mercado financeiro em virtude da pandemia da covid-19 no Brasil, “em março a gente teve a queda na bolsa de valores por causa do coronavírus, então não só a minha carteira, mas a carteira da maioria dos investidores, tiveram uma queda. Só que ao invés de vender essas ações quando Bolsa caiu, eu busquei comprar um pouco mais” disse. Gusmão buscou renovar e tirou da carteira de investimento algumas empresas onde ele já não via mais vantagem e trocou por outras, “comprar algumas ações quando a Bolsa estava em baixa, me ajudou agora, após passar o ‘baque’ da pandemia” explicou. Atualmente, Mateus conta que sua carteira está positiva e rendendo 4,5% ao ano, número maior que a Taxa Básica de Juros do Brasil (Selic) que está em 2%.

Os planos de Mateus envolvem continuar divulgando seu trabalho no Youtube para atingir um número maior de adolescentes que pretendem entrar no mercado. A meta é conseguir aumentar o número de jovens investidores mirins. Para o futuro, o jovem também pretende seguir o que começou aos 12 anos, continuar trabalhando com o mercado financeiro, “pretendo tirar certificação para ser analista de ativos e também para ser gestor e assim, poder ter um fundo de investimento para conseguir investir o dinheiro das pessoas de forma melhor e mais acessível” sonha.

Dicas
Quais os primeiros passos para uma pessoa que quer começar a investir? Aplicando as experiências que tem, Mateus Gusmão dá dicas de como começar a investir. Confira:

Separar uma renda: “Se tiver um custo mensal, o primeiro passo é formar uma reserva de emergência. Uma reserva com uma aplicação muito segura e que você consiga tirar esse dinheiro diariamente. Você deixa de 6 a 12 meses do seu custo mensal, isso vai dar uma tranquilidade boa para começar a investir”;

Entrar na Bolsa: “Depois é entrar na Bolsa aos poucos, as vezes a pessoa acaba entrando com dinheiro demais na Bolsa, e depois vê que não é tanto do perfil dela”;

Formar uma carteira de investimentos: “E depois formar uma carteira de investimento mais elaborada. Escolher ações de um lugar que você conheça a empresa e acredite no potencial dela e também impondo alguns outros tipos de ativos que possa se encaixar no perfil da pessoa”;

Buscar conhecimento: “Ir na internet, pesquisar sobre assuntos dentro de investimento, seguir contas para receber conteúdo”.

Para saber mais, acesse o canal de Mateus Gusmão ‘Investindo aos 12’ no Youtube.