Aos 62 anos, ator e bailarino Zezo Silva é assassinado dentro de casa, em Natal

Publicação: 2018-10-05 15:43:00 | Comentários: 1
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O ator e bailarino José Raimundo da Silva, popularmente conhecido como Zezo Silva, de 62 anos, foi assassinado nesta sexta-feira (5) em sua residência, localizada na rua Presidente Passos, na Cidade Alta, bairro da zona Leste de Natal. A Polícia Militar confirmou a informação no início da tarde e ainda não há informações sobre quem foi o assassino e se ele agiu sozinho no ato criminoso.

Zezo Silva completa 60 anos de vida e mais de 40 de carreira
Em 2016, Zezo Silva completou 60 anos de vida e 40 de carreira

De acordo com o Sargento F. Luís, oficial de plantão do 1º Batalhão de Polícia Militar, o crime foi cometido no final da manhã, por volta das 11h. O artista retornou a sua residência após uma reunião na Capitania das Artes, local onde trabalhava. Testemunhas afirmam que o viram acompanhado de um rapaz. Pouco tempo depois, ainda de acordo com testemunhas, Zezo teria pedido socorro. Segundo informações da PM, o artista foi morto a golpes de chave de fenda e o autor do crime, que ainda não foi identificado, fugiu logo em seguida. Ainda não se sabe se o criminoso agiu sozinho ou com ajuda de alguém.

A investigação está sendo feita pela delegada Andrea Oliveira, da Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP). Imagens das câmeras de segurança de um imóvel nas proximidades da casa do bailarino serão consideradas para uma possível identificação do criminoso.

 De acordo com uma das irmãs do artista, Regina Celi da Silva, de 65 anos, há cerca de um mês o bailarino tinha sido "coagido" e "obrigado a entregar uma quantia em dinheiro" sob a pena de morte se não o fizesse. Ela não identificou quem foi o autor da coação. Regina também disse que Zezo estava tocando a vida com um dinheiro que acabara de receber. "Nossa família, há pouco tempo, recebeu uma herança que foi dividida entre os irmãos. O Zezo vinha reformando sua casa com sua parte", afirmou.

Grande amiga do artista, Sargento Regina falou, por telefone, sobre a perda, sobretudo por se tratar de mais um crime contra a pessoa LGBT. “Estou em Mossoró e tomei conhecimento (do crime) há pouco tempo. Estou muito abalada, é mais um LGBT que morre em uma barbárie”.

Diretor do Ballet Municipal de Natal, Dimas Carlos trabalhava com Zezo Silva na Capitania das Artes. O artista contou que começou sua carreira vendo o artista se apresentar e hoje tinha a honra de trabalhar lado a lado dele. Dimas contou, ainda, como foram os últimos momentos ao lado do bailarino.

“Hoje de manhã estávamos juntos em uma reunião administrativa para o espetáculo que faremos no final do ano. Fizemos um café que parecia de despedida, com Zezo , como sempre, bem divertido. Após isso, ele falou que iria para casa fazer uma fantasia, no que foi meu último contato com ele”, conta.

Biografia

Com mais de 40 anos de carreira, a trajetória do artista Zezo Silva se confunde com a história do teatro norte-riograndense moderno. Zezo trabalhou ao lado de ícones dos palcos potiguares, como o diretor Jesiel Figueiredo – de quem foi um dos principais atores da companhia, tendo contracenado nas principais montagens – e o professor, coreógrafo e bailarino Roosevelt Pimenta, de quem foi o primeiro aluno a se apresentar profissionalmente.

Ao lado de contemporâneos como Arruda Sales, Zezo também foi um dos precursores do Teatro Revista no RN – gênero que atingiu seu ápice no Brasil nos anos 1940 e 50, mesclando sátira de costumes, números musicais e vedetes. Apaixonado pelos palcos, o artista usava da experiência para montar espetáculos revigorantes e divertidos. Desde 2016 vinha apresentando, em temporadas esporádicas, o show “Cabaret”, musical apresentado pela primeira vez em 2008, onde Zezo atuava e dirigia numa roupagem diferenciada. O artista fazia releituras do Teatro de Revista, levando o público para o tempo dos cafés-teatros, com esquetes divertidas e performances caprichadas.

Zezo deixa dois irmãos e três irmãs.

Atualizada às 16h39



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Comentários

  • armandoprazerez

    Um absurdo esse crime. Nada justifica tirar a vida de uma pessoa, quanto mais em circunstâncias como essa. Desde criança conheço Zezo. Já o conheci no palco. Não era um ser humano. Era um artista, em toda plenitude que esta palavra encerra. A arte de Natal - e do Brasil - veste um amargo luto. Mas Zezo, no brilho da festa eterna, traveste-se em doce purpurina. Brilhe para Deus, Zezo. Adeus..