Após cassação, Renan e Cunha trocam acusações

Publicação: 2016-09-14 00:00:00
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Por Julia Lindner
Agência Estado

Brasília (AE) - O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), buscou se distanciar ontem do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), cassado na noite de segunda-feira, 12, por 450 votos a favor, 10 contra e 9 abstenções. “Afasta esse cálice de mim”, disse o senador, ao rebater o comentário feito por Cunha de que as denúncias contra parlamentares teriam um tratamento diferenciado no Supremo Tribunal Federal (STF).
Renan Calheiros procura demonstrar distanciamento do ex-deputado Eduardo Cunha
Apesar de serem correligionários, eles fazem parte de alas distintas do PMDB. “Eu não quero de forma nenhuma falar sobre isso (cassação de Cunha), mas quem planta vento colhe tempestade, isso é uma lei da natureza”, afirmou Renan. “Não sou especialista em Cunha, não gostaria nem de falar sobre isso. Afasta esse cálice de mim”, disse o presidente do Senado.

Na véspera, depois de aprovada sua cassação, Cunha citou Renan: “Tem uma denúncia contra o presidente do Senado Federal há três anos e seis meses e não acontece nada”. O deputado cassado fez a afirmação ao dizer que a denúncia contra ele foi aceita de maneira mais célere do que o normal pelo STF. Cunha é réu em dois processos no Supremo e alvo de investigação em outros inquéritos. Já Renan não é réu, mas investigado em 12 inquéritos

Eduardo Cunha divulgou uma nota para rebater as declarações de Renan. “Com todo o desejo de sucesso ao presidente do Senado no comando da Casa, e acreditando na sua inocência, espero que os ventos que nele chegam por meio de mais de uma dezena de delatores e inquéritos no STF, incluindo Sérgio Machado, não se transformem em tempestade”, afirmou Cunha.

Renan Calheiros considera que a agenda do Congresso vai melhorar com o afastamento de Cunha e a gestão do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). "Do ponto de vista da agenda as coisas vão melhorar", avaliou. Ele está otimista em relação às mudanças aprovadas ontem pela Comissão e Constituição e Justiça do Senado (CCJ), a respeito da cláusula de desempenho e fim das coligações. "Com o Rodrigo Maia vamos ter condições de que essa reforma possa ser aprovada (também) na Câmara."

Para ele, a política é "a primeira das reformas" e deve ter prioridade na pauta de votação. Os senadores discutirão a matéria no plenário da Casa ainda nesta quarta-feira, 14, e a expectativa de Renan é aprovar o texto em poucos dias. Já em relação a reforma da Previdência, o presidente do Senado não tem pressa. O governo tem sido pressionado pelo PSDB para que a reforma seja apreciada antes das eleições municipais, em outubro.

"Não acredito que a discussão (da reforma da Previdência) seja sobre a data, se será antes ou depois da eleição, acho que o governo está precisando definir um modelo de reforma consistente”, comentou.