Cookie Consent
Natal
Após chuvas, interdição da Avenida Ayrton Senna deve durar quatro dias
Publicado: 00:00:00 - 07/07/2022 Atualizado: 22:35:05 - 06/07/2022
O bloqueio total do cruzamento entre as avenidas das Alagoas e Ayrton Senna, no bairro de Neópolis, zona Sul de Natal, vêm causando transtornos para motoristas, usuários do transporte público e comerciantes da região. Desde o domingo (3), a via está interditada por causa de um grande alagamento e deverá seguir assim pelos próximos quatro dias, segundo previsão da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra). O acúmulo de água na região é resultado do transbordo da lagoa de captação de Pirangi, de responsabilidade da Prefeitura de Natal.

Magnus Nascimento
Carros não estão passando pela avenida Ayrton Senna desde o último domingo. STTU fez orientação com rotas alternativas

Carros não estão passando pela avenida Ayrton Senna desde o último domingo. STTU fez orientação com rotas alternativas


O tráfego parado já causou perdas financeiras significativas, diz Rita Maria, funcionária de uma padaria da região. “É um prejuízo grande, a gente aqui nessa situação. Ficou assim do sábado para o domingo, desde então está tudo parado. O movimento parou tudo, tá fraco demais, parou quase 100%. O pessoal não tem como passar por aqui para comprar, os clientes da gente são todos aqui da região , aí não tem como. A gente que é uma padaria fica mais complicado ainda porque geralmente os clientes vinham todos os dias, mas agora quem é que vai sair de casa nessa situação?”, lamenta.

O vendedor de redes Assis Cândido teme que o alagamento demore mais que o previsto. “Aqui o meu comércio não foi tão afetado porque a nossa clientela é muito pelas redes sociais, mas, mesmo assim, a situação é crítica porque esse é um trecho muito movimento, que passa muito carro, moto, ônibus. Os comerciantes aqui de oficina, lanchonete estão todos fechados. Vamos torcer para que não chova mais assim e que esse alagamento aqui se resolva o mais rápido possível. ”, acrescenta.

O titular da Seinfra, Carlson Gomes, disse à TRIBUNA DO NORTE que a via deve ser liberada em “até cinco dias ” - contados desde ontem - a depender das condições climáticas e que não houve problema com as bombas da lagoa. “É um problema do lençol freático. A lagoa ali, toda a bacia da Lagoinha está saturada. Inclusive é a mesma bacia da Rota do Sol, ali é um problema só. Está todo encharcado o solo. Não foi problema de bomba, nada disso. As bombas estão funcionando e funcionando bem. Estamos trabalhando na drenagem”, afirmou. 

A reportagem da TN esteve no local, que foi isolado com cones da Secretaria de Mobilidade Urbana de Natal (STTU). Não havia equipes da prefeitura trabalhando na região. Carlson Gomes ressalta ainda que o grande volume de chuva, que caiu na capital, principalmente no domingo, foi o responsável pelo alagamento. A Secretaria de Mobilidade Urbana de Natal (STTU) orienta que os motoristas utilizem a Avenida São Miguel dos Caribes como rota de fuga, por dentro do bairro Neópolis. As linhas de ônibus 50 (Serrambi/Santa Catarina), 51 (Rocas/Pirangi) e 52 (Pirangi/Rocas) estão fazendo seus percursos pela Rua Arapiraca.

“O que está acontecendo é que a água está indo para um local e está vindo pelo mesmo lençol freático, aí fica rodando lá. Tanto lá quanto as demais lagoas da região. O problema lá é reflexo do que vem acontecendo lá na Rota do Sol porque encharcou todo o lençol. Estamos esperando o lençol baixar, aí é a natureza, a gente acredita que fazendo sol mais uns dois dias, a gente já consegue liberar. A previsão é essa mesmo de dois, três, até cinco dias”, comenta.

O alagamento que se estende por quase três quarteirões pegou de surpresa o motorista Marcelino Braz. “Rapaz, sabia que tinha esse alagamento aqui porque sempre tem, mas não sabia que estava desse jeito. Eu queria ir numa loja de parafuso aqui na lateral, mas não teve como”, conta.

Além da lagoa de Pirangi, outras onze transbordaram na capital: Panatis, São Conrado, Esperança, Pajuçara, Xavantes, Soledade, Santarém, Jacaré, Preá, Ponta Negra e Jiqui. “As que tiveram problemas mais críticos foram lá [em Pirangi], no loteamento José Sarney (Soledade) e na de São Conrado. La no Soledade o canal de extravasão é muito pequeno, tem que fazer uma obra e isso está na PGM, com uma demanda lá para indenizar 46 imóveis para poder funcionar a obra. As demais nós não tivemos nenhum problema de bomba. O problema é que foi chuva demais”, detalha Carlson Gomes.

Como mostrou a edição de quarta-feira (5) da TN, Natal registrou a maior chuva dos últimos 24 anos. Moradores do bairro Nossa Senhora de Nazaré, na zona Leste, sofreram com o transbordo da lagoa de São Conrado, o que não acontecia desde 2014. A aposentada Maria Lúcia, que mora na frente da lagoa de captação, colocou sacos de areia para impedir a entrada da lama em casa. “Fazia tempo que isso não acontecia. Pode ver aqui que a água entrou molhou sofá, guarda-roupa, cama. Quando o nível da lagoa subiu, a lama começou a sair pela encanação e foi um desespero só. Moro aqui há uns 30 anos e essa é a minha nona enchente”, conta.

Leia também

Plantão de Notícias

Baixe Grátis o App Tribuna do Norte

Jornal Impresso

Edição do dia:
Edição do Dia - Jornal Tribuna do Norte