Após regulação no Hospital de Natal, demanda nas UPAs cresce até 18%

Publicação: 2018-07-11 00:00:00 | Comentários: 0
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Dez dias após o Hospital Municipal de Natal ter restringido o atendimento a pacientes encaminhados de unidades de saúde, as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e Unidades Mistas já começam a receber um fluxo maior de pacientes que, antes, se dirigiam diretamente ao HMN em busca de tratamento. Na UPA de Cidade da Esperança, que possui a maior demanda da capital, com cerca de 750 fichas por dia, a administração já observou um aumento entre 10% e 15% no número de pacientes. Na UPA de Cidade Satélite, os números cresceram de forma similar. Normalmente, são cerca de 600 atendimentos diários na Unidade e, desde que a nova diretriz do Hospital Municipal foi implementada no dia 1º de julho, a demanda cresceu entre 15% e 18%, de acordo com o setor de estatísticas da Unidade.

Na Unidade Mista de Mãe Luiza, o PA só tem médico a partir das 13h. Pacientes que procuram a unidade pela manhã têm que esperar
Na Unidade Mista de Mãe Luiza, o PA só tem médico a partir das 13h. Pacientes que procuram a unidade pela manhã têm que esperar

A regulação das portas de entrada para o Hospital Municipal  de Natal foi uma decisão tomada, de acordo com a administração, para otimizar os atendimentos, focando principalmente naqueles de maior complexidade, que não poderiam ser tratados nas unidades de saúde dos bairros. De acordo com o HMN, a maior parte dos atendimentos adultos da unidade, antes da medida, poderia ser realizada nas próprias UPAs, o que desafogaria o hospital.

A equipe de reportagem da TRIBUNA DO NORTE esteve em todas as UPAs da capital potiguar na manhã da terça-feira (10), além da Unidade Mista de Mãe Luiza. De acordo com os diretores de todas as Unidades, apesar do aumento no fluxo de pacientes, identificado após a nova medida do HMN, não houve nenhum prejuízo em relação ao atendimento até o momento, e a situação encontra-se sob controle.

Eles ressaltam, no entanto, que a medida evidenciou uma série de  contradições existentes no sistema de saúde do Rio Grande do Norte, e que são velhos conhecidos daqueles que atuam na área. Um deles, como relata Raimunda Borges, administradora da UPA   Pajuçara, é o encaminhamento cada vez maior dos pacientes do interior para as unidades da capital.

“É um problema muito antigo, e que se acentuou com a regulação do Hospital Municipal. Você vê pessoas do interior sendo trazidas para tratar coisas básicas aqui, que poderiam ser tratadas em suas próprias cidades, caso elas tivessem o mínimo de estrutura. Isso acaba sufocando o sistema de saúde em Natal, principalmente porque não recusamos atendimento à ninguém”, afirma Raimunda.

Em Mãe Luiza, na Unidade Mista de Saúde, o problema é outro: pela manhã, não há médicos no pronto-atendimento, e a população tem que aguardar até as 13h para ser atendida. Essa situação, de acordo com a administradora da Unidade, Aparecida Câmara, já é uma realidade há um ano e meio. Por vezes, a população do bairro de Mãe Luiza se dirigia ao Hospital Municipal em busca de atendimento no turno matutino, principalmente pelo fato dele ser próximo ao bairro. Agora, no entanto, a população encontra-se sem assistência no período da manhã, e tem que recorrer a UPAs ainda mais distantes em busca de atendimento, ou esperar até às 13h, quando o médico do pronto-atendimento chega à Unidade.

“Quando é um caso de urgência, nós encaminhamos ao Hospital Municipal. Mas essa falta de médico, que já persiste há um ano e meio, é algo que prejudica muito a população, porque eles agora estão ainda mais desamparados no turno matutino”, explica a administradora.

No Hospital de Natal funcionam as especialidades de cardiologia, neurologia, nefrologia, infectologia, pneumologia, cirurgia geral e cirurgia vascular. Nos cinco primeiros meses do ano, o HMN recebeu 25.343 pacientes, a maior parte deles (40%), residente na zona Leste da cidade. Com a nova regulação, a administação espera inaugurar, no segundo semestre deste ano, um centro cirúrgico para atender os casos de menor complexidade.


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