Após um mês em Mossoró, arte do RN ocupa a Galeria B-612, em Natal

Publicação: 2019-12-05 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Repórter

Com quatro edições consecutivas, o Salão Dorian Gray se consolida como principal mostra de artes visuais do Rio Grande do Norte ao apresentar, a cada ano, um recorte ampliado da produção potiguar – inclusive, um recorte que vai além da capital. Depois de um mês em cartaz em Mossoró, onde foi lançado, o Salão chega a Natal para um mês de temporada na Galeria B-612 (Ribeira). A abertura acontece nesta quinta-feira (5), a partir das 16h, com entrada franca. Em edições anteriores, o Salão estava atrelado à Pinacoteca do Palácio Potengi, atualmente fechada para reforma, e já teve uma edição no Museu Café Filho.

A curadora Dione Caldas e o empresário Anchieta Miranda, dono na Galeria B-612, que este ano é parceiro do Salão Dorian Gray
A curadora Dione Caldas e o empresário Anchieta Miranda, dono na Galeria B-612, que este ano é parceiro do Salão Dorian Gray

A grande exposição reúne mais de 100 trabalhos de um total de 70 artistas. O número é menor do que as duzentas obras da exposição de estreia em Mossoró, mas não deixa a mostra menos significativa por isso. Curadora e membro da Sociedade Amigos da Pinacoteca (SAP) – entidade que realiza o Salão –, Dione Caldas conversou com a TRIBUNA DO NORTE enquanto montava a exposição.

“Temos aqui trabalhos belíssimos. Gente de nome já reconhecido no Estado ao lado de novos artistas, alguns que mostram uma evolução ano a ano. Temos trabalhos em pintura, aquarela, fotografia, escultura”, afirma a curadora. Segunda ela, trazer a exposição para Natal é um desafio, tanto porque a SAP promove o Salão sem grandes investimentos e de forma independente, e porque Natal ultimamente não dispõe de locais expositivos adequados para uma mostra de tal tamanho. “Natal tem um problema que é a falta de lugar para exposição grande. Tava difícil de trazer o Salão pra cá este ano, só trouxemos em respeito aos artistas que estão participando e porque Anchieta [proprietário da Galeria B-612] ofereceu o lugar”.

O público de Natal também terá a oportunidade de conhecer as três obras premiadas desta edição. O primeiro lugar ficou com “Liberdade abre asas”, de Kátia Fleischmann, artista que está de volta à Mossoró após três décadas na Suíça. O segundo lugar foi para “Rossinante”, de Elson Oliveira, escultor que tem se destacada bastante com trabalhos em aço. E, no terceiro lugar, está “Rasteja Lagarto”, de Nôra Aires, artista que atua entre diferentes técnicas, como mosaico e escultura. O primeiro lugar levou pra casa R$ 2,5 mil, o segundo, R$ 1,5 mil, e o terceiro, 1 mil. Os recursos foram viabilizados pelo deputado federal Beto Rosado.

Além dos premiados, o público verá também trabalhos de Tales Silva, Rhasec, Newton Avelino, Mario Rasec, Juliana Juaquina, Sir Pipa, Arthuri, Assis Costa, Fábio Ojuara, Nil Morais, Rolin, Lay Santos, Erre, dentre muitos outros, nas mais diversas técnicas e estilos.

A comissão de seleção foi composta pela museóloga Geruza Câmara, o professor do Departamento de Letras da UFRN, Márcio de Lima Dantas, e a artista e curadora Sofia Porto Bauchwitz, sob a coordenação de Dione Caldas. “A cada edição a gente procura ser um pouco mais criteriosos na seleção. Tentamos oferecer uma montagem melhor. Mas o Salão ainda é recente, alguns artistas estão conhecendo só agora. Então, nossa preocupação ainda é muito de dar espaço para os artistas mostrarem seus trabalhos. Queremos que os potiguares entrem em contato com a produção artística daqui”, comenta a curadora.

Além dos selecionados, a comissão também convidou os artistas Vicente Vitoriano, Flávio Freitas, Vatenor, Marcelus Bob, Ana Selma, Airton Cilon, Ery Medeiros, dentre outros, para participar com algumas obras. Na exposição também está presente o bonequinho de Dorian Gray Caldas, o patrono da Salão. O boneco foi feito pela artesã Lenira Costa.

O tema deste ano foi Liberdade, mas Dione explica que essa questão do tema é mais como sugestão, uma proposição para que surjam novos trabalhos, e não algo para conduzir completamente a seleção. Na visão da curadora, um dos diferenciais do Salão é oferecer ao público a possibilidade de conhecer novos artistas de todo o Rio Grande do Norte.

“A cada edição a gente recebe inscrições de novos artistas que ainda não conhecíamos. Isso é muito bom, indica que o Salão tem instigado a produção”, comenta Dione. Ela também vê que muitos artistas estão evoluindo bastante. “Essa evolução dos artistas chama muito a atenção. Você pega o Nilson, por exemplo, um artista naif que descobrimos na primeira edição. Hoje ele está no mercado, nosso pequeno mercado de arte, mas conseguindo vender trabalhos”.

Sociedade Amigos da Pinacoteca
O Salão Dorian Gray é uma realização da Sociedade Amigos da Pinacoteca, um grupo de colecionadores apaixonados por artes visuais que se juntaram com o objetivo de dar maior visibilidade à produção artística local. O Salão tem abrangência estadual e é montado tanto em Mossoró como em Natal. As obras premiadas vão para o acervo da Sociedade, que tem se empenhado para a criação de uma Pinacoteca em Mossoró, onde o acervo da Sociedade ficaria exposto.

“A Sociedade foi feita para divulgar os artistas. Não estamos ganhando nada deles. Qualquer venda no Salão é feita diretamente com o artista. O que queremos é movimentar a produção local”, diz Dione Caldas. “A abertura em Mossoró contou com um público de 300 pessoas. Fábio Ojuara mobilizou um ônibus com cerca de 30 artistas para a abertura, inclusive foram colecionadores com eles. Esse ano, em Mossoró, vendemos mais do que no ano passado em Natal”.

Em Natal, o Salão Dorian Gray ficará aberto para visitação até o dia  10 de janeiro, no horário de funcionamento normal da Galeria B-612. A entrada é gratuita.




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