Aposta na profissionalização

Publicação: 2019-01-13 00:00:00 | Comentários: 0
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Os clubes do interior do Estado sempre levaram desvantagem em relação aos da capital, principalmente no que diz respeito a infra estrutura e a especialização dos seus profissionais. O ASSU decidiu ir na contramão dessa realidade e com a contratação do técnico Júlio Terceiro e na aposta em uma comissão técnica profissionalizada, tenta sair na frente em relação às outras equipes interioranas.
Júlio Terceiro organizou uma comissão técnica que conta com um Analista de Desempenho
Júlio Terceiro organizou uma comissão técnica que conta com um Analista de Desempenho

O desafio é grande e o clube, que completou 17 anos, na última quinta-feira, e que conquistou um título Estadual aos sete anos de vida (em 2009), está seguindo à risca as orientações do técnico Júlio Terceiro, que virou uma espécie de consultor além de treinador.

“Estamos tentando profissionalizar todas as áreas, melhoramos restaurante, casa do atleta e buscamos no campeonato uma boa classificação no final para criarmos receitas para o clube se estruturar fisicamente no futuro”, revelou Terceiro.

Com apenas 36 anos e exercendo a função de treinador desde 2017, após encerrar uma carreira vitoriosa nos gramados, Júlio Terceiro já comandou o próprio ASSU na Série D do Campeonato Brasileiro de 2018 e no Campeonato Estadual. Ele ainda tem passagens pelo Santa Cruz de Natal, Seleção Sub 20 do RN, além de ter sido auxiliar e interino no América-RN.

Conhecido pela garra dentro de campo, onde ganhou o apelido carinhoso, da torcida americana, de “Júlio Guerreiro”, o agora treinador afirma que a maior semelhança que tem entre o seu atual trabalho e os tempos em que corria atrás da bola em campo é o fato de acreditar sempre no sonho. “O sonho é maior arma”, comenta, antes de traçar um paralelo entre passado e futuro nas duas carreiras: “Fui um atleta muito focado,  determinado e lutador. Sou um treinador paizão e determinado”.

Trabalhando no ASSU, na cidade com o mesmo nome, a 215 km de Natal, o treinador já mapeou várias diferenças entre trabalhar na capital e no interior. Ele destaca uma que pode amedrontar alguns profissionais, mas que para ele é estimulante, porque demonstra o interesse das pessoas pelo clube. “É muito diferente, a torcida vive o clube. Sempre acompanham treinos”, revela.

Apesar desse interesse do torcedor, e do fato do time estar estreando no Campeonato Potiguar, justo no dia do aniversário, na última quinta-feira, o público, no empate em 1 a 1, com o Força e Luz não foi dos melhores. Apenas 707 torcedores (625 pagantes / 82 não pagantes) foram ao estádio Edgard Montenegro – Edgarzão, que tem capacidade para quatro mil pessoas.

Apesar disso, nem o empate, que não estava nos planos, nem o público pequeno desmotivaram Júlio Terceiro. “É um Campeonato de pontos corridos. Não foi o que a gente queria, mas vamos tentar recuperar esses pontos agora fora de casa”, comentou após a partida.

O ASSU entra em campo hoje, às 16h, no estádio Manoel Barretto, Barrettão, para enfrentar o Globo. A Água de Ceará-Mirim, vem “mordida” após a derrota na estreia, para o ABC, por 1 a 0, no estádio Maria Lamas Farache – Frasqueirão. Uma nova derrota pode significar uma situação bastante complicada para o time comandado por Higor César, uma vez que a competição é muito curta e a margem para recuperação é pequena.

Sem se importar com o tamanho do desafio, Júlio Terceiro acredita no trabalho que vem executando no “Camaleão do Vale”. Ele afirma que tem uma relação muito boa com os dirigentes locais, que estão felizes com o trabalho executado, principalmente no que diz respeito a captação de jogadores para a equipe e a descoberta de novos talentos na região. “Estou tendo uma relação muito boa pois tenho valorizado muito a base e jogadores da região. Por ser uma equipe do interior e não termos muito recursos, além de um calendário fraco, se torna muito difícil. Mas tentamos trazer sempre jogadores conhecidos”, conclui o treinador assuense.

O ASSU

A Associação Sportiva Sociedade Unida, conhecido popularmente como ASSU ou Camaleão do Vale, é um clube brasileiro de futebol, sediado na cidade de Assu, no estado do Rio Grande do Norte. O clube foi fundado no dia 10 de janeiro de 2002. Seu mascote é o Camaleão e seu estádio oficial é o Edgard Borges Montenegro, apelidado pela torcida como Edgarzão, com capacidade para 4.000 pessoas. As cores do time são verde e branco.

Ao longo de sua história, o ASSU vem colecionando boas participações no Campeonato Potiguar, porém, só chegou a conquistar seu primeiro título no dia 1º de março de 2009, quando aos 7 anos de idade conquistou, após um empate por 2 a 2 com o Santa Cruz-RN, o título do primeiro turno do Campeonato Potiguar de 2009, garantindo assim o seu lugar na final contra a equipe campeã do segundo turno do mesmo, e uma das vagas do RN na Copa do Brasil de 2010. O ASSU se consagrou campeão do RN no dia 1º de maio de 2009, garantindo a vaga para o Série D do Brasileirão 2009.

O ASSU é o primeiro clube de futebol do interior do Rio Grande do Norte a representar o estado na Copa São Paulo de Futebol Júnior. A equipe conseguiu a vaga após vencer o Visão Celeste por 4 x 3 nos pênaltis em uma seletiva para a competição (Fonte: FNF).

Clube conta com um Analista de Desempenho

O ASSU é o único time, além de ABC e América, que conta com  um Analista de Desempenho. Laerthe Ribeiro é profissional da área há um ano e está concluindo o curso de Educação Física. Apesar de parecer pouco, ele lista uma boa experiência na carreira, o que o credenciou para o cargo no time assuense.

“Eu estou me formando em educação física na UFRN, ultimo período. Fui treinador da seleção da UFRN recentemente. Fiz alguns estágios na área no fim do ano passado, no Globo e no América. Júlio me chamou para o ASSU no meio do ano passado, pra disputa da série D, atuei como auxiliar técnico durante a competição. Depois fui analista da base do América e agora no fim de 2018 retornei ao ASSU como analista de desempenho”, conta.

Laerthe descreve, com os mínimos detalhes, o trabalho que executa no “Camaleão do Vale”. “Aqui, como analista eu participo dos processos de análise de mercado, analisando jogadores para possíveis contratações, geralmente no início do campeonato, de acordo com as necessidades e realidades do clube. Bem como, faço a análise tática, tanto dos nossos jogos quanto dos futuros adversários, através de vídeos e informações adquiridas no processo. À partir do direcionamento do treinador, dentro do modelo de jogo, nós editamos os vídeos e passamos às correções e feedback's para os atletas, à fim de ajustar ou direcionar alguma ação técnica ou tática. Durante os treinos divido meu tempo entre algumas ações de análise, produção de material de vídeo ou de controle de desempenho dos atletas e auxiliando em ações no campo, dentro do treinamento. Júlio utiliza o analista sempre como um auxiliar a mais, o que permite pra mim um maior envolvimento e entendimento do nosso padrão tático, afinal de contas um analista de desempenho é também outro auxiliar, porém com funções um pouco específicas”, explica.

Segundo o profissional, sua atuação também é direcionada para auxiliar na captação de possíveis reforços para a equipe do ASSU, atuando ao lado de Júlio Terceiro em mais essa missão. Laerthe admite as limitações do clube, mas diz que é possível fazer um bom trabalho. “O mercado é sempre complicado pela condição financeira, na maioria das vezes, porém como existe muito jogador no mercado a gente acaba achando atletas que atendem as nossas expectativas. Temos jogadores bons aqui no estado e regiões próximas”, conclui.

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