Natal
Cocaína apreendida em porto de Natal valeria R$ 178 milhões ao tráfico de drogas
Publicado: 00:00:00 - 23/11/2021 Atualizado: 08:25:23 - 23/11/2021
Ícaro Carvalho
Repórter

As apreensões de cocaína no Porto de Natal geraram, em 2021, um prejuízo de pelo menos R$ 178 milhões ao tráfico internacional. Ao todo, foram apreendidos 815 quilos da droga saindo do Porto em direção à Roterdã, na Holanda. No último sábado (19), 265 quilos foram apreendidos numa carga, em caixas de manga. A quantidade é avaliada em R$ 58 milhões, segundo estimativa da Receita Federal.

Divulgação
Além dos 815 quilos, foram apreendidos mais 1.198 quilos na Europa, que passaram pelo Porto

Além dos 815 quilos, foram apreendidos mais 1.198 quilos na Europa, que passaram pelo Porto


O prejuízo ao crime organizado aumenta para R$ 440 milhões quando se somam apreensões de 1.198 quilos na Holanda e na Bélgica, mas que passaram por Natal, ao longo do ano, após alertas emitido pela Receita Federal à aduana europeia. O cálculo feito pela TRIBUNA DO NORTE pega como base as estimativas sobre os valores da droga no mercado disponibilizados pela Receita e Polícia Federal.

Em 2021, outras quatro cargas foram apreendidas, três delas, segundo a Receita Federal, resultados de interceptações das autoridades aduaneiras da Holanda e Bélgica. As cargas eram de 398 (março, na Holanda); 550 quilos (abril, na Holanda), 250 quilos (junho, na Bélgica).  Em junho, 550 quilos de cocaína foram apreendidas durante uma inspeção das autoridades federais no Porto de Natal. Portanto, 765 quilos foram interceptados antes de embarcar em Natal e outros 1.198 quilos após o embarque. As quantidades constam no mais recente boletim da Receita Federal com o histórico de apreensões.

As apreensões fora de Natal acontecem porque mesmo depois que a carga é embarcada, a Receita continua com análises de risco. Caso surjam informações de possibilidade de contaminação na carga já embarcada, são emitidos alertas para as autoridades aduaneiras do porto de destino.

Esta foi a segunda apreensão feita em 2021 pelas autoridades federais especificamente no Porto de Natal, que nos últimos anos têm sido utilizado frequentemente para escoamento de cocaína para países da Europa, em especial Bélgica, Espanha e Holanda. A exportação da droga segue acontecendo mesmo um ano depois da instalação do scanner no Porto.

“O scanner está funcionando e está sendo utilizado para todas as cargas que estão embarcadas para Natal. Todos os conteineres que saem pelo nosso porto são scaneados. Ele consegue fazer 15 análises por hora, nessa faixa”, explica o Chefe da Equipe de Vigilância e Repressão, o Auditor-Fiscal Maurício Santos, responsável pela execução das operações.

“Naturalmente o scanner tem suas vantagens, incontáveis, mas num universo grande de cargas, o scanner em algumas vezes não é tão preciso. Só o scanner por si só não resolve, é mais uma ferramenta que auxilia nessa detecção. Dependendo dessa carga pode ser que ele tenha uma facilidade maior que a outra. Depende do tipo de carga exportada que pode trazer alguma dificuldade”, acrescenta.

Em nota enviada à imprensa, a Companhia Docas Do Rio Grande do Norte (Codern), que administra o Porto de Natal, disse que “a apreensão [do último final de semana] demonstra, mais uma vez, que a intensificação das ações de vigilância na área portuária, sempre em parceria e com o apoio irrestrito da Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern), vem surtindo efeito”.

A TRIBUNA DO NORTE questionou a Codern sobre como a droga entra nos conteineres do Porto, mas a companhia informou ainda que não pode repassar detalhes por se tratar de investigação em curso. “Esses detalhes só podem ser fornecidos pela Receita Federal ou Polícia Federal”, diz nota. A PF disse que existem investigações em curso, mas que não iria se pronunciar.

Desde outubro do ano passado, segundo a Codern, está em uso o scanner de contêineres no Porto de Natal. O equipamento foi instalado em outubro de 2020, em um procedimento que envolveu negociações com agentes públicos e a iniciativa própria do armador CMA/ CGM, da empresa operadora portuária, Progeco, e fruticultores do Estado. O custo mensal varia entre R$ 350 mil e R$ 400 mil. O contrato inicial iria até setembro deste ano, mas, segundo a Codern, foi renovado.

Em virtude das apreensões e alegando falta de segurança portuária, a CMA-CGM chegou a anunciar a suspensão das operações no Porto de Natal no começo de março de 2019, após apreensão de quase 3,2 toneladas de cocaína dentro de contêineres, nos dias 12 e 13 de fevereiro. As operações voltaram no dia 08 de abril.

Natal virou rota para o tráfico internacional
A localização privilegiada e a falta de tecnologia adequada para descobrir cargas contaminadas no Porto de Natal transformou a capital potiguar nos últimos anos em um ponto de embarque de rota marítima do tráfico internacional de cocaína, segundo investigações da Polícia Federal.

A primeira apreensão da história do Porto, aberto em 1932, aconteceu em fevereiro de 2019, com 1.275  quilos de cocaína apreendidos que iriam em direção à Holanda. Desde a primeira apreensão, em fevereiro de 2019, pelo menos 17.568 quilos de cocaína foram apreendidos no Porto de Natal, sendo 6.190 deles interceptados na capital potiguar. No boletim da Receita Federal constam a apreensão de 1.400 kg pela Polícia Federal em novembro de 2018, num galpão de Parnamirim, em que há a suspeita de que seriam exportados via Porto de Natal.

No ano passado, a Polícia Federal prendeu três pessoas em flagrante no Porto de Natal com 238,9 quilos de cocaína. De acordo com a PF, a droga seria enxertada em um contêiner que seguiria para a Europa. A ação aconteceu em conjunto com a Receita Federal. Os suspeitos eram paranaenses, de 21, 34 e 47 anos. Segundo a PF, dois deles tinham antecedentes criminais e um era ex-policial militar do Paraná.

Essa apreensão, inclusive, chamou ainda mais a atenção da Polícia Federal, que intensificou as investigações e passou a investigar funcionários com livre circulação no terminal portuário ligaoas ao esquema do tráfico de drogas. Segundo a PF, o caminhão foi seguido por policiais federais de um galpão localizado em Emaús, na Grande Natal, até o terminal na Ribeira. Quatro pessoas sem relação com o Porto foram presas em flagrante. Os policiais federais encontraram lacres de contêineres com esses suspeitos presos.

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