Apreensão de cocaína no Rio Grande do Norte triplica entre 2018 e 2019

Publicação: 2020-01-19 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Luiz Henrique Gomes
Repórter

A quantidade de cocaína interceptada pela Polícia Federal no Rio Grande do Norte triplicou entre 2018 e 2019. Foram 5,8 toneladas da droga apreendidas no ano passado, grande parte em operações que revelaram o tráfico em meio a cargas de frutas exportadas pelo Porto de Natal com destino à Europa. O volume de cocaína colocou o porto entre as três rotas principais do tráfico internacional no Brasil, junto com o Porto de Santos (SP) e Paranaguá (PR). Em 2018, o volume de cocaína foi de 1,6 tonelada.
Créditos: CedidaEm uma das primeiras apreensões no Porto de Natal, em 2019, a Polícia Federal encontrou 951 tabletes de cocaína em carga de manga com destino para a Holanda, totalizando 1.038 quilos da drogaEm uma das primeiras apreensões no Porto de Natal, em 2019, a Polícia Federal encontrou 951 tabletes de cocaína em carga de manga com destino para a Holanda, totalizando 1.038 quilos da droga
Em uma das primeiras apreensões no Porto de Natal, em 2019, a Polícia Federal encontrou 951 tabletes de cocaína em carga de manga com destino para a Holanda, totalizando 1.038 quilos da droga

O crescimento das apreensões é maior do que a média nacional, que passou de 39 toneladas para 98,4 toneladas no mesmo período, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O acréscimo foi de 150%, contra 260% das apreensões no RN. A cocaína foi a única droga encontrada em apreensões da Polícia Federal no Estado.

A maior apreensão local aconteceu em um galpão localizado em Parnamirim e a droga também tinha a Europa, principalmente, o Porto de Rotterdã, na Holanda, como destino. Antes desse ano, entretanto, o Rio Grande do Norte nunca havia registrado uma quantidade tão grande de cocaína interceptada. Segundo as estatísticas da Polícia Federal, a maior cifra era de 2016: 271,1 kg.

Para o procurador da República Fernando Rocha, coordenador do Núcleo de Combate à Corrupção e Outros Ilícitos, a posição geográfica do Rio Grande do Norte e a falta de segurança no Porto de Natal favoreceram a rota. “As principais razões são a proximidade de Natal da Europa e a falta de um escâner que possa detectar a presença de ilícitos dentro das cargas de contêineres”, disse.

A primeira grande apreensão no Porto de Natal aconteceu no início de fevereiro de 2019. Em duas operações realizadas na mesma semana, 3,2 toneladas de cocaína foram encontradas dentro de cargas de frutas de melão e manga que seriam enviadas à Holanda e Bélgica. A droga era proveniente de cartéis da Bolívia, Peru e Colômbia e revelou uma mudança na lógica do tráfico internacional. Antes concentrado no Porto de Santos, o tráfico criou rotas alternativas.

Na avaliação de investigadores e procuradores envolvidos no combate ao tráfico internacional, a falta do escâner no Porto de Natal torna o trabalho de encontrar cargas “contaminadas” tão difícil quanto “como procurar um palito de fósforo específico, dentro das caixas de fósforo dispostas em uma prateleira de supermercado”, como declarou o delegado da Polícia Federal, Agostinho Cascardo, na ocasião das primeiras apreensões.

Para o procurador Fernando Rocha, sem o escâner de contêiner “é muito difícil evitar que o tráfico aconteça”. “Essas apreensões de 2019 não significam que antes essa droga não passava por ali. Assim como não significam que elas não estejam passando agora ou passarão no futuro.”

A Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern) alega falta de recursos para a compra do escâner de contêiner. O custo é estimado em R$ 10 milhões. A estatal acumula cerca de R$ 42 milhões em dívidas com a União e sofre de uma crise financeira há pelo menos quatro décadas.

Além das operações em solo nacional, a polícia internacional também encontrou cocaína exportada do Porto de Natal para a Europa. Segundo estatísticas da Receita Federal, pelo menos 15,8 toneladas de cocaína passaram pelo Porto de Natal no último ano. A maioria também estava em cargas de melão e manga.

Na última sexta-feira (17), a Polícia Federal incinerou no alto-forno de uma usina na Região Metropolitana de Natal, com a devida autorização da Justiça, 1.260 quilos de cocaína apreendidos em 7 de dezembro de 2019, no bairro de Emaús, em Parnamirim/RN. A droga estava escondida no interior de galpões e em um contêiner com caixas de melão que era transportado para o Porto de Natal e, de lá, seguiria para a Europa. Na ocasião, cinco homens foram presos em flagrante e indiciados por crime de tráfico internacional e associação ao tráfico de drogas.
Créditos: CedidaApreensõesApreensões




Deixe seu comentário!

Comentários