Arcos do velho mercado ressurgem em reforma no Centro

Publicação: 2019-05-07 00:00:00 | Comentários: 0
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A reforma em uma antiga casa na rua Vigário Bartolomeu, vizinho ao Shopping Popular da Cidade Alta, quase na esquina com a avenida Ulisses Caldas, chama atenção por revelar traços arquitetônicos de uma área na cidade famosa por abrigar no início do século passado os lendários Royal Cinema e Café Majestic.

Local serve como depósito de comerciantes do mercado
Local serve como depósito de comerciantes do mercado

A casa, por sinal, fica exatamente vizinho onde antes existia o Café Majestic, bar de toda uma geração de intelectuais de Natal (Othoniel Meneses, Sandoval Wanderley, Câmara Cascudo e Jorge Fernandes), mas que hoje serve como um pequeno estacionamento de esquina, ocupado por carros e sobrevoado por dezenas de pombos, sem nenhum vestígio do antigo prédio.

A imagem mostra que na reforma foi feita uma raspagem no concreto da fachada, revelando os tijolinhos da estrutura e fazendo aparecer os arcos das portas. A reforma está sendo tocada de forma autônoma e singela por feirantes do Shopping Popular. A iniciativa visa somente reforçar a estrutura do prédio para que o espaço volte a servir de depósito. Pelo apurado no local, não há qualquer placa de autorização da Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) ou do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no RN (Iphan-RN).

O prédio da rua Vigário Bartolomeu, antes do início da reforma
O prédio da rua Vigário Bartolomeu, antes do início da reforma

Consultado pela reportagem, um arquiteto especializado em restauração comentou que a casa é provavelmente parte do antigo casario da quadra do velho Mercado Público da Cidade Alta (destruído por um incêndio na década de 1960). “Inclusive estão descaracterizando a fachada com a retirada da cornija e cimalha da platibanda e alterando as portas”, alertou o arquiteto, que preferiu não se identificar.

Sítio Histórico
O conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico da cidade de Natal, que emgloba a Cidade Alta e a Ribeira, foi tombado pelo Iphan, em 2010. A área se destaca pelo conjunto de importância histórica e paisagística do rio Potengi, para a cidade. O conjunto, emoldurado pelo rio, compõe uma paisagem muito importante para a memória potiguar, onde estão instalados a maioria dos espaços culturais. O patrimônio tombado é formado por cerca de 30 bens materiais, incluindo edificações de destaque do período colonial (em sua maioria) e um acervo de obras de arte sacra.








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