Área colhida de cana no Nordeste deve diminuir 8%

Publicação: 2013-09-29 00:00:00
Brasília (ABr) – A dificuldade de recuperação dos canaviais afetados pela seca e a elevação dos preços dos insumos farão a área colhida de cana-de-açúcar no Nordeste diminuir 8%, informou a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Segundo estudo feito pela entidade, os custos de produção subirão 6% na safra 2013/2014.

De acordo com a CNA, a seca na região no ano passado afetou a produtividade e obrigará os produtores a investir na formação de novos canaviais para recuperar as áreas afetadas pelo clima. Além disso, os produtores terão mais custos com os insumos agrícolas por causa do dólar mais alto.
A seca afetou a produtividade e obrigará os produtores a investir na formação de novos canaviais
Segundo o levantamento, os preços dos fertilizantes devem subir 18% nesta safra. Os herbicidas terão elevação de 9%, enquanto os gastos com mão de obra devem aumentar 7%. Necessárias para a recuperação dos canaviais, as mudas ficarão 6,17% mais caras.

A pressão sobre os custos, informa o estudo, terá impacto direto na produção de açúcar e etanol. As usinas com produção de cana própria devem ter um custo total 13% maior nesta safra na comparação com a anterior. Em relação à produção de etanol, os custos totais subirão 15%, enquanto os do açúcar terão alta de 16%. Parte desse aumento deve ser repassada para os preços.

A análise consta do boletim Ativos da Cana-de-Açúcar, produzido pela CNA e pelo Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP). Os pesquisadores entrevistaram produtores, donos de usinas, associados de cooperativas e fornecedores de insumos em Alagoas, Pernambuco e Paraíba.

Estimativa de faturamento é maior
Brasília (ABr) – As incertezas sobre a safra norte-americana e a alta do dólar fizeram a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) elevar a estimativa de faturamento do setor agropecuário em 2013. Segundo a entidade, o valor bruto da produção (VBP) da agropecuária deverá encerrar o ano em R$ 418,3 bilhões, alta de 7% em relação à projeção anterior.

O VBP leva em conta o faturamento com a comercialização dos 25 principais produtos agrícolas e pecuários. Segundo a CNA, o setor agrícola vai contribuir com R$ 250,7 bilhões, alta de 6,2% em relação ao desempenho registrado em 2012. Para a pecuária, a estimativa é crescimento em ritmo mais forte em 2013, somando R$ 167,56 bilhões, o que representa aumento de 8,3% no ano.

Soja
De acordo com a confederação, o VBP da soja somará R$ 78,6 bilhões em 2013, com alta de 13,9% em relação ao ano passado. A elevação, informou a CNA, foi influenciada pelo atraso na recuperação da safra nos Estados Unidos, que passaram por uma seca no ano passado. As dificuldades climáticas, ressalta a entidade, refletiram-se nos preços elevados das commodities – bens agrícolas e minerais com cotação internacional.

A alta do dólar nos últimos meses contribuiu para elevar a estimativa de faturamento. Isso porque o câmbio depreciado estimula as exportações e incentiva a produção nacional.

Na outra ponta, a CNA prevê queda de 31,7% no VBP do algodão. Apesar do câmbio, a redução da demanda da China contribuiu para o desempenho negativo. Em relação à pecuária, o destaque é a avicultura, que deve faturar 19,1% a mais neste ano, influenciada pela menor oferta de carne de frango, que elevou os preços no mercado interno.