Arena das Dunas: de sonho a realidade

Publicação: 2011-08-14 00:00:00 | Comentários: 0
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Vicente Estevam - repórter de Esportes

As obras da Arena das Dunas serão iniciadas amanhã, em Natal. A notícia partiu do secretário Extraordinário para Assuntos Relativos à Copa no RN (Secopa), Demétrio Torres, que na última sexta-feira recebeu a licença para iniciar os serviços de instalação do canteiro de obras e para realizar a terraplanagem do terreno destinado a nova praça esportiva. Dentro de cinco dias o governo vai receber o licenciamento para iniciar os projetos de demolição do estádio Machadão e do ginásio de esportes Machadinho. Demétrio ressaltou que agora não existe mais como interromper este processo.

reproduçãoFoto aérea com projeto virtual do novo estádio, mostra a real localização da Arena das Dunas. Maior parte da nova praça de esportes será localizada na área da terraplanagemFoto aérea com projeto virtual do novo estádio, mostra a real localização da Arena das Dunas. Maior parte da nova praça de esportes será localizada na área da terraplanagem
“É importante dizer que tomamos todas as precauções dentro desse processo e realizamos os pedidos de licenciamento em partes: o pedido de instalação do canteiro de obras, pedido para realizar a terraplanagem, o pedido de demolição e o pedido de construção. Com isso, nosso objetivo era diminuir o tempo de análises desses processos na Semurb.  Recebi o licenciamento da terraplanagem na sexta-feira e segunda-feira (amanhã) daremos início a mais essa etapa do projeto”, afirmou o secretário.

De posse da foto aérea do terreno, com a projeção virtual da localização da Arena das Dunas, Demétrio Torres salientou que a  terraplanagem pode ser considerado o serviço mais importante desse inicio de trabalho, pelo fato de 70% do novo estádio estar localizado dentro da área que vai começar a ser aplanada. Do restante, 20% consumirá toda área do Machadinho e apenas 10% da construção atingirá parte da estrutura do Machadão.

Com isso, o secretário espera que os natalenses que vinham demonstrando alguma desconfiança em relação ao projeto, devido as notícias infundadas publicadas por parte da imprensa nacional, passe dar mais crédito as declarações das autoridades locais. “Ficam dizendo que o nosso projeto está atrasado, mas eles estão enganados. Na verdade, nós estamos até adiantados em relação ao cronograma oficial acertado com a Fifa em dezembro de 2010. Tem mais, o estádio Arena das Dunas estará pronto em dezembro de 2013. só uma problema muito grave, como uma guerra por exemplo, pode fazer com que esse prazo não seja cumprido”, ressaltou.

O prazo de 30 meses estabelecidos para o término do projeto começou a ser contado no último dia 30 de junho, a demolição do Machadinho, por se concentrar numa parte estratégica, ocorrerá primeiro que a do Machadão, que terá uma sobrevida maior pelo fato de  os engenheiros não terem a intensão de acumular montanhas de resíduos na área de trabalho.

“Antes mesmo do término do serviço de terraplanagem nós iremos realizar a demolição do Machadinho. O processo vai ganhar celeridade porque praticamente não precisaremos remover as fundações  do ginásio nem do antigo estádio, o que encareceriam mais o projeto. Só seremos obrigados a realizar esse trabalho quando essas fundações coincidirem com as projetadas para sustentação da Arena das Dunas”, explicou.

O secretário disse também que o governo está sendo criterioso com o projeto Copa. “Nós estamos tendo o cuidado de executar apenas os serviços que a lei nos permite. Não atropelamos etapas justamente pensando em prevenir futuras ações na Justiça solicitando a paralisação das obras. A partir de agora a população vai começar a ver a Arena das Dunas tomar forma”, ressaltou.

Demolição vai custar R$ 32 milhões

A demolição do complexo esportivo Machadão-Machadinho, incluindo o custo com a reciclagem do material para reaproveitamento no projeto de construção da Arena das Dunas, tem o preço estimado em R$ 32 milhões, o equivalente a 8% da verba global do projeto que irá propiciar à capital potiguar sediar um dos grupos da Copa do Mundo de 2014. Para ser ter uma ideia da grandiosidade do que está para ser construído, basta informar que a quantia equivale ao que foi investido na construção de 850 casas do projeto Minha Casa, Minha Vida na cidade de Parnamirim.

Toda equipe de engenheiros da construtora responsável pelo projeto de demolição já se encontra trabalhando em Natal, aguardando apenas o sinal verde para dar início ao processo. “Quando nos for entregue a licença de demolição, iremos levar em torno de mais cinco dias para iniciar o processo. Antes disso, iremos aguardar que a Prefeitura de Natal, que realizou licitação e elegeu uma empresa para retirar a cobertura do Machadinho, realize o trabalho com uma certa urgência. A demolição vai iniciar com a limpeza daquilo que definimos como rejeito: tijolos, reboco e outras espécies de material que contaminam o canteiro de obras”, explicou Demétrio.

Embora tenha anunciado que o processo de demolição seria misto, sendo parte das estruturas implodidas e outras partes destruídas através de forma mecânica, o secretário informou que surgiu uma empresa propondo realizar todo o processo de forma mecânica e que segundo Dmétrio Torres deve ter a proposta melhor analisada. “O uso de explosivo numa área tão habitada quanto aquela de Lagoa Nova deve ser cercado de muito cuidado. Se existe uma empresa que promete realizar o processo de demolição todo de forma mecânica e com celeridade, então é melhor considerar essa hipótese”, disse o responsável pela Secopa, destacando que o Machadinho não levará mais de 30 dias para ir ao chão.

“Sabemos que a demolição do Machadão é emblemática para o marco do início do processo de construção da Arena das Dunas, mas não teremos a necessidade de colocar aquela estrutura abaixo logo, portanto, o trabalho irá sendo realizado de acordo com a necessidade”, reforçou.

Evitando as pilhas de escombros, irá sobrar área suficiente no canteiro de obra para instalação da fábrica de pré-moldados, para montagem do almoxarifado e local para abrigar as estruturas metálicas, que chegarão em partes e terão de ser soldadas antes de serem erguidas.

O governo que havia ganho prazo de 75 dias ao antecipar a expedição da ordem de serviço, tinha estimativa de que o processo de retirada das licenças iria durar em torno de 90 dias, mas na verdade durou 120 dias, ainda assim trabalha com uma folga de 30 dias em relação ao cronograma inicial.

Trabalhos não afetarão o trânsito

Apesar de ser um projeto grandioso, encravado numa área onde se registra uma das maiores concentração de trânsito na cidade, o secretário da Secopa, Demétrio Torres, garante que o início da preparação do terreno para construção da Arena das Dunas, não irá provocar transtornos aos motoristas natalenses. O trabalho ficará restrito aquela área delimitada pelos tapumes e o carregamento de material, quando necessário, ocorrerá fora dos horários de pico.

“Não vamos precisar carregar os escombros resultantes da demolição do Machadão e do Machadinho para nenhuma outra área, teremos dentro do próprio canteiro de obras uma central que irá reciclar todo material necessário. Em si, isso já vai diminuir e muito o risco de impacto em nosso trânsito”, afirmou Demétrio Torres.

Os únicos projetos que serão desenvolvidos pelo governo estadual e que vão interferir no trânsito não irão ocorrer em Lagoa Nova. As intervenções vão ocorrer no prologamento da avenida Prudente de Morais, além da construção de novos acessos ao aeroporto Augusto Severo e as construções das passagens de nível na avenida Engenheiro Roberto Freire. Todos os demais projetos de mobilidade, onze no total, serão de responsabilidade da Prefeitura do Natal.

Amanhã deverá ser o dia de maior movimento na área de Lagoa Nova, uma vez que os trabalhos serão iniciados com que os engenheiros denominam de raspagem do terreno, que é a retirada da vegetação encontrada no local, seguida da areia orgânica, que dará lugar ao material de aterro que virá de outras áreas da cidade.

A única questão pedente a partir de agora, é a remoção dos bares situados na Pedra, que está dentro da área de interesse da construtora, mas que cabe a prefeitura resolver a situação dos comerciantes que atuam no local. “Aquele setor será usado, mas como se trata de uma desapropriação vamos deixar que o município resolva a situação”, salientou.

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