Argentina rejeita legalização do aborto

Publicação: 2018-08-10 00:00:00 | Comentários: 0
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O Senado da Argentina rejeitou na madrugada desta quinta-feira, 9, projeto de lei para legalizar o aborto até as primeiras 14 semanas de gravidez. Depois de uma sessão de mais de 15 horas, os senadores rejeitaram a proposta por 38 votos a 31.

A decisão pode ter ressonância em toda a América Latina, região onde a Igreja Católica tem perdido influência e autoridade moral para a secularização e uma casta eclesiástica pouco conectada com a realidade, além da avalanche recente de escândalos sexuais.

Durante horas, milhares de ativistas pró-legalização e manifestantes contrários  acompanharam o debate exibido em grandes telas do lado de fora do Congresso. A maioria das manifestações foi pacífica, mas após o fim da votação, pequenos grupos entraram em confronto com a polícia.

A Câmara dos Deputados do país havia aprovado o projeto de lei em 14 de junho e o presidente argentino, Mauricio Macri, afirmou que assinaria a proposta caso fosse aprovada no Senado, mesmo sendo contrário à legalização. “Não importa o resultado, hoje a democracia vai vencer", disse Macri antes da votação no Congresso.

A Argentina atualmente permite a realização do aborto apenas em casos de estupro ou quando a vida da mãe está em perigo. Milhares de mulheres, a maior parte de baixa renda, são hospitalizadas todos os anos em decorrência de complicações relacionadas a abortos ilegais.

Os defensores do projeto afirmam que a legalização da interrupção de gravidez salvaria a vida de muitas mulheres que se submetem a abortos ilegais e perigosos. O Ministério da Saúde argentino estimou, em 2016, que até meio milhão de abortos foram realizados no país em um ano, resultando em dezenas de mulheres mortas.

A Igreja e outros grupos opositores argumentaram que a legalização violaria a lei argentina, que garante a vida desde o momento da concepção.  O papa Francisco comparou, neste ano, o aborto com "o que faziam os nazistas" para manter a pureza da raça ariana, e pediu às famílias para que "aceitem os filhos que Deus lhes dá".

Ativistas estimam que, desde 1983, mais de 3 mil mulheres morreram em decorrência de abortos clandestinos na Argentina.

No Brasil, duas audiência no STF foram realizadas para discutir a descriminalização do aborto. A ministra Rosa Weber, relatora da ação, irá elaborar seu voto para, então, agendar a data do julgamento.






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