Arquivo e histórias ameaçados

Publicação: 2015-04-05 00:00:00 | Comentários: 0
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Itaércio Porpino
Repórter

As precárias condições do prédio no Alecrim onde o Arquivo Público do Estado funciona desde 2004 já foram motivo de ação judicial do Ministério Público. Apesar das cobranças por melhorias, quase nada mudou, e as chuvas fortes deste mês ainda contribuíram para piorar o estado das instalações. Em algumas salas, caíram pedaços do teto, enquanto em outras formaram-se goteiras. Uma pequena parte do acervo – que conta com documentos datados de até 1822 – chegou inclusive a ser atingida pela água, mas os funcionários agiram rápido e conseguiram salvar o material.

O pesquisador, escritor e professor aposentado da UFRN Claudio Galvão, que em maio  completa um ano à frente da administração do Arquivo Público,  se mostra preocupado com a situação. É que além dos reparos emergenciais que precisariam ser feitos para recuperar os estragos causados pelas chuvas, há muitos outros problemas, como a falta de serviço de higienização e de estrutura adequada para acondicionar o acervo, assim como de equipamentos para digitalização e restauração. Há muita coisa antiga, de mais de século, que está se deteriorando.
Magnus NascimentoNo arquivo estadual, processamento de documentos que estava sendo feito por bolsistas da UFRN foi suspenso por falta de pagamentoNo arquivo estadual, processamento de documentos que estava sendo feito por bolsistas da UFRN foi suspenso por falta de pagamento

Segundo Claudio Galvão, até o processamento de documentos que estava sendo feito por bolsistas do Departamento de História da UFRN foi suspenso porque faltou dinheiro para pagar o trabalho. O pesquisador e escritor espera que o Arquivo Público seja transferido para um prédio com instalações adequadas. O atual, que fica na avenida Coronel Estevam, foi o antigo supermercado Superete Queiroz. Além de ser velho e inapropriado para o Arquivo funcionar, ele não tem recebido manutenção.

Galvão afirma que o acervo só não está em condições mais precárias porque os funcionários, apesar de poucos, são bastante dedicados. Porém, é necessário que sejam feitos investimentos o quanto antes, ou muitos dos documentos podem ficar comprometidos.

O Arquivo Público do Estado tem cerca de 180 m2 de espaço completamento lotado. São 7 mil metros lineares de documentos de variadas espécies, desde documentos textuais, cartográficos e iconográficos (fotografias) até documentos informáticos. Destacam-se, entre outros, os Ofícios e Relatórios sobre os índios de Extremoz do século 19 (1822), edições do Jornal A República de 1889, fichas e dossiês da extinta DOPS referente à Intentona Comunista no Rio Grande do Norte e ao período do Regime Militar e correspondências originais, do século 19, trocadas entre Nísia Floresta e Isabel Gondim.

Reunião adiada


No início da semana passada, Claudio Galvão iria receber o secretário de Administração e Recursos Humanos do Estado (Searh), Gustavo Nogueira, para tratar das condições do Arquivo Público, porém, a reunião acabou sendo adiada.

O administrador da instituição pretendia mostrar a gravidade da situação das instalações e do acervo e também se inteirar do projeto de transferência para outro prédio. “Existe a ideia de transferir o Arquivo para o prédio do Governo onde funciona a Delegacia de Polícia Civil (Degepol), na Cidade da Esperança. O projeto de reforma e adequação foi feito, mas parece que não existem recursos para isso”, diz.

Galvão informa ainda que, por meio do Projeto RN Sustentável, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) pretende financiar a aquisição de equipamentos importados para deixar o Arquivo Público funcionando adequadamente  – mas o investimento só será feito se o Governo do RN fizer a reforma do prédio, obra que custaria cerca de R$ 1 milhão. Pelo aluguel da atual sede, o Estado paga, todo mês, R$ 20 mil.   

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