Economia
Arrecadação federal cresce 7,25% e bate recorde para o mês de agosto
Publicado: 00:00:00 - 24/09/2021 Atualizado: 22:42:20 - 23/09/2021
Impulsionada pela recuperação da economia e por recolhimentos atípicos de algumas grandes empresas,a arrecadação de impostos e contribuições federais somou R$ 146,463 bilhões em agosto. O resultado representa um aumento real (descontada a inflação) de 7,25% na comparação com o mesmo mês de 2020 e é o maior para meses de agosto da série histórica, iniciada em 1995, informou a Receita Federal nesta quinta-feira (23).

Marcelo Camargo/abr
A Receita apontou que, no ano, arrecadação soma R$ 1,199 trilhão

A Receita apontou que, no ano, arrecadação soma R$ 1,199 trilhão


Em relação a julho deste ano, houve queda real de 15,22% no recolhimento de impostos. O desempenho veio dentro do intervalo de expectativas das instituições ouvidas pelo Projeções Broadcast, que ia de R$ 124,50 bilhões a R$ 156,574 bilhões.

No acumulado do ano até agosto, a arrecadação federal somou R$ 1,199 trilhão, também o maior volume para o período da série. O montante ainda representa um avanço real de 23,53% na comparação com os primeiros oito meses do ano passado.

O secretário especial da Receita Federal, José Tostes, disse que o aumento na arrecadação apresentado até agosto é estrutural e reflete a melhora da economia. Em entrevista coletiva nesta quinta ele ressaltou que o recolhimento de tributos vem crescendo desde agosto do ano passado. "De oito meses deste ano, em seis a arrecadação foi recorde. As evidências de recuperação da economia são sólidas. O crescimento da arrecadação é sustentável e tem componente estrutural", afirmou.

O secretário destacou que o desempenho de agosto foi alcançado principalmente por causa do aumento no pagamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), contribuição para o PIS/Pasep e contribuições previdenciárias. Em agosto, houve pagamentos atípicos de R$ 29 bilhões. "O resultado de janeiro a agosto poderia ser maior não fossem as compensações, que cresceram 30% no período", completou Tostes.

O coordenador de previsão e análise da Receita, Marcelo Gomide, ressaltou que o crescimento na arrecadação de tributos tem relação com a alta nos preços das commodities (produtos básicos, como alimentos, minério de ferro e petróleo, cotados em dólar), que aumenta a base de cálculo do IRPJ e da CSLL pagos por empresas exportadoras.

O chefe do centro de estudos tributários da Receita, Claudemir Malaquias, acrescentou que o incremento na arrecadação entre as exportadoras de commodities veio sobretudo do setor de minerais.

Recolhimentos atípicos
Também influiu na alta da arrecadação o recolhimento atípico (que não se repetirá em outros anos) de cerca de R$ 5 bilhões em agosto em Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e em Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) por grandes empresas ligadas à exportação de commodities (bens primários com cotação internacional). Nos oito primeiros meses do ano, os recolhimentos atípicos somam R$ 29 bilhões, contra apenas R$ 2,8 bilhões no mesmo período de 2020.

Ao longo de 2021, esses recolhimentos fora de época têm impulsionado a arrecadação por causa de empresas que registraram lucros maiores que o previsto e tiveram de pagar a diferença. Por causa do sigilo fiscal, a Receita não pode informar o nome e a atividade dessas grandes companhias. As compensações tributárias, quando um contribuinte pede abatimento ou desconto em tributos a pagar, caíram R$ 6,2 bilhões em agosto, impulsionando a arrecadação.

A redução a zero da alíquota de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que vigorou até o fim do ano passado, também aumentou a arrecadação em R$ 2,35 bilhões em agosto de 2021. De abril a dezembro do ano passado, o IOF sobre operações de crédito foi zerado para baratear as linhas de crédito emergenciais concedidas durante a pandemia.

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