Arte do desenho Brasileiro

Publicação: 2018-07-07 00:00:00
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Augusto Bezerril*

O Centro de Convenções de Recife se converteu desde a última terça-feira, e deve prosseguir até o dia 15, como epicentro do olhar sobre o artesanato e design brasileiro. A edição 2018 da Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte) consolida posição de maior da América Latina, unindo as pontas que ligam o artesão, o consumidor e lojista e aos grandes nomes do design.

Créditos: DivulgaçãoCadeira Caçuá de Sergio Mattos, tendo ao fundo, esculturas de madeira de arte sacra Pernambucana e cesto de João de FibraCadeira Caçuá de Sergio Mattos, tendo ao fundo, esculturas de madeira de arte sacra Pernambucana e cesto de João de Fibra

                 Cadeira Caçuá de Sergio Mattos, tendo ao fundo, esculturas de madeira de arte sacra Pernambucana e cesto de João de Fibra

O Espaço Interferência Janete Costa - criado  pela célebre arquiteta  e ampliado a partir da curadoria das arquitetas Bete Paes e Roberta Borsoi - cumpre o propósito de apresentar peças dos artistas renomados e/ou promissores dentro de uma realidade de viver bem ao estilo brasileiro. Além do precioso garimpo de peças, o espaço abriga uma série de palestras cuja programação despontam Marcelo Rosenbaum - conhecido pelos quadros no Caldeirão do Huck na Rede Globo e programas em canais fechados tal GNT.

Rodrigo Ambrósio - um dos mais promissores designers brasileiros - profere, nesta segunda feira, apresentação sobre Feito no Nordeste. “Eu sou colecionador do artesanato e design do Brasil e minha coleção começou aqui na Fenearte", relembra Marcelo Rosenbaum, feliz com o resultado do projeto Jornada Criativa,  desenvolvido junto ao Sebrae Pernambuco, para concepção de exposição reunindo artesões urbanos do Recife.

Créditos: DivulgaçãoMarcelo Rosenbaum, ao lado do Mestre Lupércio dos Anjos, compra fruteira feita de lata reciclada e pintura manual do artesãoMarcelo Rosenbaum, ao lado do Mestre Lupércio dos Anjos, compra fruteira feita de lata reciclada e pintura manual do artesão

Marcelo Rosenbaum, ao lado do Mestre Lupércio dos Anjos, compra fruteira feita de lata reciclada e pintura manual do artesão

Para arquitetos e desginers de interiores, a Fenearte representa, em plenas férias do meio do ano, a oportunidade de descobrir peças de qualidade, desde da arte sacra pernambucana à nomes cujos nomes tem mapeado espaço no disputado mercado de decoração do Eixo Rio/São Paulo.

No primeiro dos 12 dias de programação da feira montada no Centro de Convenções de Recife, o matogrossense Mestre Lupércio dos Anjos foi sucesso absoluto. Autodidata, o artesão produz mandalas, lamparinas, cestas, fruteiras e uma série de adornos a partir de recorte em lata. O “upcycling" começou há 23 anos, quando Lupércio ainda trabalhava no “roçado". A primeira obra foi uma cesta de ovos caipiras.

Créditos: DivulgaçãoSofá do acervo de Janete Costa, em estilo anos 70, recebe interferências de artesões e designers novos e veteranosSofá do acervo de Janete Costa, em estilo anos 70, recebe interferências de artesões e designers novos e veteranos

Sofá do acervo de Janete Costa, em estilo anos 70, recebe interferências de artesões e designers novos e veteranos

O Mestre tem, hoje, peças no acervo de endereços celebrados como da apresentadora Ana Maria Braga; exporta e tem a pintura das peças, todas feitas à mão, patenteada. O grande diferencial do trabalho do Mestre é o corte feito na lata e a pintura, inspirada em ilustração de “um livro japonês".

A arquiteta e designer Bete Paes revela que, desde o primeiro contato com o trabalho de Lupércio, tinha certeza da repercussão observada nos primeiros dias. “Não tem mais uma peça. Já vendeu tudo. Vou fazer mais", comemora o artesão.

Para entender melhor o arrebatamento, é preciso conhecer a Sala Interferência Janete Costa. O espaço tem no ambiente central uma sala onde se encontra uma réplica de um sofá da casa da própria Janete Costa, em estilo anos 60, cujas almofadas tem o revestimento original. No modelo original, as almofadas ficavam sobre alvenaria. Na Feneate, tem base de madeira. Na parede, sobre o sofá desponta um painel do artesão Juão da Fibra. No mesmo espaço, encontra-se a pãozeira “Caiçara", assinada pelo alagoano Rodrigo Ambrósio, tecidos assinados por Bete Paes sobre cadeiras originais do acervo da família de Janete Costa. Ampliando a visão sobre o espaço, chega-se a mesa de canto,  onde observa-se mais um cesto feito em lata reciclada pelo Mestre Lupércio dons Anjos e uma bandeja de Juão do Fio.

Créditos: DivulgaçãoGrafismo  dos adornos assinados por Nádja Lima, integrante do projeto  Jornada Criativa do Sebrae/PE, coordenado por Marcelo RosenbaumGrafismo dos adornos assinados por Nádja Lima, integrante do projeto Jornada Criativa do Sebrae/PE, coordenado por Marcelo Rosenbaum

Grafismo dos adornos assinados por Nádja Lima, integrante do projeto Jornada Criativa do Sebrae/PE, coordenado por Marcelo Rosenbaum

A apurada curadoria cria delimitações e diálogos de estéticas aparentemente distantes. Em ambiente pitando em azul Klein, os arabescos e a estrutura de madeira da cadeira assinada pelo Mestre Espedito Seleiro se une aos Zé Pilintra e ao grafismo dos adornos feitos em cabaça pela designer Nádja Lima. No lado direito da sala, a poltrona Caçuá assinada por Sérgio Mattos cria uma imagem ao ambiente tendo ao fundo esculturas sacras. No mesmo ambiente, um quadro do pernambucano Marcelo Júlio arrebata ao unir-se às tramas da novata artesã Gláucia e ao banco feito em papel do consagrado alagoano Rodrigo Ambrósio. "O espaço Interferências Janete Costa é inspirador para arquitetos, estilistas e designers. Aqui temos uma retrato da fusão que é nossa cultura. O que me encanta é que o resultado é delicado". 

A exposição, montada pelo Sebrae/RN a partir do projeto capitaneado por Marcelo Rosenbaum, revela nomes promissores da cena urbana de Recife. A cadeira Wunderbar provoca a visita ao estande da designer, onde se encontra objetos decorativos têxteis. A partir do olhar de Rosenbaum, o visitante frui da marchetaria elegante de Gegê, o grafismo do trabalho em cabaça por Nádja Lima, as molduras de feitas em fios por Maria Ribeiro.

O potiguar Jailson Marcos é um dos destaques entre os fashionistas. Comemorando 20 anos de carreira, Marcos apresenta coleção Resistência e calçados vistos no desfile Ronaldo Fraga na SPFW. O arquiteto potiguar Carlos Augusto Lyra, radicado em Recife, é curador da Galeria de Arte Popular Religiosa e responsável pela cenografia da Fenearte.

*O jornalista viajou a convite da Fenearte / Governo do Estado de Pernambuco.



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