Arte e memória são valorizadas na Galeria B-612

Publicação: 2017-10-20 00:00:00 | Comentários: 0
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Nova investida cultural do empresário Anchieta Miranda, desta vez no bairro da Ribeira, a Galeria de Arte B-612, na rua Dr. Barata, está na reta final dos preparativos para sua abertura. Em visita da reportagem do VIVER, foi possível constatar o ritmo acelerado de trabalho. As obras de restauro e reforma estão praticamente concluídas, faltando pequenos detalhes na estrutura. Mas Anchieta prefere evitar anunciar uma data para a abertura, que deverá estar pronta no fim deste ano. Sua preocupação mesmo é em ver o espaço funcionando plenamente.

Salão principal começa a ganhar vida
Salão principal começa a ganhar vida

Com cerca de 990 m² de área construída, o espaço já tem a maior parte das peças de grande porte instaladas em seus devidos lugares, como grandes esculturas e adornos de ferro e madeira reaproveitados de sucatas. As esculturas, grande parte de artistas potiguares, ganham destaque no ambiente. Estão distribuídas pelo espaço obras de  Índio, Jordão, Emanuel e Manxa, entre outros artistas. As peças são esculturas em madeira, concreto, pedra calcária e ferro.

Uma estátua de Iemanjá, de aproximadamente dois metros e meio, ganha destaque na área externa, onde funcionará um café. A escultura em concreto foi feita pelo artista potiguar Emanuel, que vive na Redinha, onde é autor da estátua do pescador, que fica ao lado do Mercado. “Era uma obra que ele já estava produzindo. Gostei e negociei com ele para trazer para a galeria”, conta Anchieta, empolgado ao lembrar os detalhes por trás de algumas das peças.

Sobre um pórtico construído a partir de uma estrutura de ferro de uma ponte antiga, o galerista colocou uma águia esculpida pelo artista Índio – autor das esculturas que ilustram o Aquário de Natal, na Redinha.

Peças de sucata ganham utilidade no ambiente e decoram a Iemanjá do artista Emanuel.
Peças de sucata ganham utilidade no ambiente e decoram a Iemanjá do artista Emanuel.

De Jordão, que estampa a fachada do prédio histórico com um alto-relevo de cimento, ele reúne cabeças de anjo, um santo e rendeiras esculpidas de blocos de concreto e de pedras calcárias.

Dentre as peças de madeira, muitas ainda esperam seus lugares definitivos, como uma porta  ornamentada produzida pelo finado artista Manxa – responsável pelo monumento dos Três Reis Magos na entrada de Natal – que Anchieta pretende dar nova finalidade. “Essa porta o Manxa fez para a loja Mustang Modas. Quando ela fechou, um proprietário, sabendo que eu gostava dessas coisas, me procurou e eu adquiri”, comenta o empresário. No seguimento de restauros, ele tem itens como pomposos lustres de teto, luminárias, móveis e postes antigos de luz, adquiridos em sucatas.

Embora tenha grande apreço por peças antigas e esculturas, Anchieta reforça que a galeria é um espaço para diversos tipos de arte, não importa se contemporânea, moderna ou histórica. Ele também vê com harmonia a composição de ambientes onde elementos reutilizados estão próximos a peças de alto valor. É o caso de uma área aberta no pavimento superior, onde se encontram fixadas nas paredes adornos de ferro garimpados pelo galerista e um painel de azulejos do pernambucano Francisco Brennand.

Painel em azulejos do escultor Francisco Brennand e móveis antigos dividem espaço
Painel em azulejos do escultor Francisco Brennand e móveis antigos dividem espaço

Homenagem a sebista potiguar
Além de obras de arte e antiquário, a Galeria B-612 também reserva um espaço de leitura, com biblioteca focada em livros sobre artes e mesa para estudo. Já delineado, o espaço foi batizado com o nome de um dos sebista mais antigos em atividade na cidade: Jácio Torres, do sebo Catalivros. “É uma homenagem merecida. O Jácio é uma pessoa de coração do tamanho do mundo. Muitos dos livros que colocarei aqui no espaço foram adquiridos do seu sebo”, diz Anchieta.

No ambiente ao lado, o galerista pretende montar uma espécie de memorial com peças antigas. Ele mostrou para a reportagem um dos itens que guarda com carinho. Uma marmiteira de origem japonesa, feita de madeira e estampada com uma pintura. “As pessoas não imaginam o que é isso. Era nessa estrutura que se armazenava as comidas para serem levadas para o campo”, explica.

Saiba mais
A  Galeria de Arte B-612 funcionará na rua Dr. Barata, nº 216, na Ribeira. O prédio em que está instalada foi construído em 1934, originalmente para ser a Caixa Rural. Nas décadas de 70 e 80 deu lugar à Livraria Clima, onde Jorge Amado chegou a lançar o best seller “Tieta do Agreste”. Depois abrigou a Gráfica Offset. O nome da galeria faz referência ao asteróide onde vivia o Pequeno Príncipe, personagem icônico criado pelo escritor Antonie de Saint-Exupéry, e, coincidentemente, é o número do imóvel ao contrário. Segundo o proprietário Anchieta Miranda, a ideia é que a galeria seja um espaço de convivência, onde se discuta arte, principalmente a arte potiguar. Além de espaços expositivos (fixos e temporários), biblioteca, memorial, o local também terá um café e um ateliê onde serão realizados cursos e oficinas.


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