Artes visuais do RN perdem Ivo Maia

Publicação: 2020-07-14 00:00:00
A+ A-
A cena potiguar de artes visuais se despediu de Ivo Maia. O pintor faleceu no último domingo por complicações do Covid-19. Segundo a família e amigos, ele passou os últimos quinze dias hospitalizado, desde que sentiu os primeiros sinais da doença; três dias antes do falecimento sofreu uma parada cardíaca, o que agravou a situação. Ivo era paraibano de Catolé do Rocha, mas fez sua base e vivência em Ceará-Mirim. Foram 34 anos dedicados à pintura.

Créditos: Emanuel AmaralIvo Maia era conhecido por seu estilo característico de pinturaIvo Maia era conhecido por seu estilo característico de pintura


Ivo Maia era conhecido por seu característico estilo de pintura. Ele equilibrava muitas cores de forma simétrica, fazendo o acabamento com as próprias unhas. Afirmava que na construção de suas obras observava o sentido da natureza, dos ruídos, e das paisagens. A simetria entre os hemisférios da tela trazia a sensação de fotocópia. O colorido é de qualquer cultura oriental que acredite na vibração das tonalidades.

A série de mandalas que Ivo produziu já era conhecida nas galerias de arte da cidade e também nas calçadas que lhes serviam de expositores e às vezes até de atelier. Era comum vê-lo expondo seus trabalhos no Beco das Cores, espaço aberto no camelódromo da Cidade Alta. Em 2007 lançou a elogiada exposição “Mundo Ignoto”, onde buscou as abstrações saídas de um “mundo ignorado”, existente apenas no plano das sensações sobre a natureza e o meio ambiente.

O artista participou de 183 exposições, das quais 120 coletivas e 63 individuais. Lugares como Estocolmo, Suécia, Portugal e Chile têm telas assinadas por ele. Ivo Maia cursou o magistério e é técnico de administração e operador de raio-x, mas largou as profissões para se dedicar às telas.O pintor paraibano se mudou para o Rio Grande do Norte em 1987. Estabelecido em em Ceará-Mirim, também militava culturalmente pela cidade, e participava das atividades do movimento cultural Goto Seco. Ivo afirmava que arte não tem preço. “As pessoas adquirem, não compram”, dizia. "Não tenho interesse que sejam vendidos. É a minha imortalidade que está nos quadros e é por isso que faço com amor", declarou.

A Fundação José Augusto emitiu nota de pesar sobre o falecimento do artista visual, poeta, ator e militante ambiental. “Natural de Catolé do Rocha- PB e radicado há muitos anos no município de Ceará-Mirim, desenvolveu sua arte com o olhar voltado para temas como a natureza e a espiritualidade. Reconhecido pelo talento, Ivo expôs seus trabalhos pelo Brasil e em países como Suécia, Portugal e Chile. Participou ativamente de eventos culturais da FJA como o Dia Nacional da Poesia. A direção da Fundação José Augusto expressa seu profundo pesar à família do artista.” (por Tádzio França)