Artistas do RN no radar dos mercados de arte

Publicação: 2019-06-26 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Repórter

A produção de artistas potiguares está no radar do principal mercado de arte do pais, São Paulo. Neste primeiro semestre alguns nomes dentre novos e veteranos figuraram bem em mostras coletivas e individuais pela cidade. É o caso das performers Jota Mombaça e Pêdra Costa, convidados para integrar com criações consignadas a grande exposição “À Nordeste”, no Sesc 24 de Maio. A mostra ainda conta com outros sete potiguares: Maíra Sansara, Vicente e Vinícius, Marcelo Gandhi, Abraham Palatinik, Falves Silva, Jota Medeiros. Fora do Sesc está Max Pereira, com uma intervenção na Biblioteca Mário de Andrade. Outro nome, Ara Teles, encerrou recentemente um individual no Espaço Oddity. E, com individual marcada para agosto, Thiago Barbalho é outro artista potiguar de destaque. Ele é um dos indicados do Prêmio Pipa, um dos mais importantes das Artes Visuais no país – não ficou entre os finalistas, mas ainda concorre pelo voto popular.

Escultura intitulada Leite desordenado, obra do artista Thiago Barbalho, que concorre este ano ao Prêmio PIPA online
Escultura intitulada “Leite desordenado”, obra do artista Thiago Barbalho, que concorre este ano ao Prêmio PIPA online

À Nordeste
Com mais de 300 obras de 160 artistas, “À Nordeste” foi aberta no dia 15 de maio e segue em cartaz no Sesc 14 de maio até o dia 25 de agosto. Os nomes potiguares dialogam com outros da região numa curadoria que se propõe não a apresentar o que é o Nordeste hoje, mas sim o que está à nordeste, no sentido de posição, e não identidade. Nisso o trio de curadores - Bitu Cassundé, Clarissa Diniz e Marcelo Campos – convidou alguns  artistas para criarem obras comissionadas. Dentre estes, estão Jota Mombaça e Pêdra Costa.

Jota mostrou a performance “A gente combinamos de não morrer”, inspirada em uma obra da escritora Conceição Evaristo. A ação é confronto à necropolítica, chamando atenção para a vulnerabilidade de corpos periféricos fadados à morte. Já Pêdra Costa ganhou uma trajetória de seus trabalhos, sendo alguns inéditos. Há vídeos, fotos, música e texto. Pêdra é artista trans e reside atualmente em Viena (Áustria).

Outro artista de destaque na exposição “À Nordeste” é Marcelo Gandhi. Ele figura no mercado paulista de arte há quase dez anos. Sua participação na coletiva é com 30 desenhos da série “nephilim”. O texto sobre seu trabalho foi escrito pela curadora potiguar Sanzia Pinheiro. Por sinal, quem também colabora com texto na mostra é a artista visual e pesquisadora Sofia Bauchwitz. Seu texto é uma “leve” crítica ao que ela define como “Nordeste hegemônico”. O outros potiguares presentes no “À Nordeste” são Maíra Sansara, Vicente e Vinícius, e os veteranos Abraham Palatinik, da arte cinética, Falves Silva do Poema-Processo, e Jota Medeiros de arte postal e multimídia.

Jucurutu na Mario de Andrade
O artista Max Pereira está com uma intervenção na Biblioteca Mario de Andrade. Trata-se da obra “Jucurutu déjà vu”, que se apropria da escultura “A Leitura”, de Caetano Fraccaroli, no hall de entrada da biblioteca, para recriar o imaginário colorido do Nordeste no mês das festas de São João. Para tanto, a estátua ganhou mais de 300 dobraduras que misturam a memória artesanal dos fuxicos e das bandeiras de São João, com a padronagem industrial de papéis de origami.

Sob velas
Há quase dez anos vivendo em São Paulo, Ara Teles tem trilhado uma carreira de ascensão. No último mês ela encerrou a individual “Arte Velada – exposição à luz de ve-las”, no Espaço Oddity. A mostra é o resultado de um processo criativo dissolvido entre tintas e cera - revelado e experimentado à luz de velas -  onde a artista atacou a tela com seus traços e cores característicos.

Max Pereira realiza intervenção na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo: Jucurutu déjà vu traz mais de mil dobraduras e fuxicos, numa releitura do Nordeste
Max Pereira realiza intervenção na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo: “Jucurutu déjà vu” traz mais de mil dobraduras e fuxicos, numa releitura do Nordeste

Potiguar concorre a prêmio importante
Pela primeira vez um potiguar está indicado ao Prêmio PIPA, um dos mais importantes das Artes Visuais no Brasil. O indicado é Thiago Barbalho, alguém que até pouco tempo atrás estava completamente voltado para a literatura. Não que o trabalho dele agora não esteja, há quem defina seus desenhos e pinturas como “literatura explosiva”.

“Meus processos derivam da escrita. Mas como ruptura”, diz por telefone ao VIVER. O artista é autor dos livros “Um homem bom” (2017), “Thiago Barbalho vai para o fundo do poço” (2012) e de vários zines. Mas desde 2017 suas atenções voltaram-se para as artes visuais. “Eu estava cansado do processo da literatura. Já não era suficiente para dar conta das minhas inquietações. A escrita é muito linear para as coisas que eu queria fazer”.

Thiago Barbalho é um dos 76 artista de todo o Brasil escolhidos pelo comitê de indicação da premiação. Eles concorrem à dois prêmios. O PIPA, o principal, da qual participam apenas quatro finalistas, onde cada um recebe R$ 30 mil para realizar uma exposição, enquanto o artista vencedor recebe outros R$ 30 mil. Nessa categoria Thiago não entrou entre os finalistas. Mas ele concorre na segunda categoria, o PIPA Online, onde o artista com mais votos recebe um prêmio de R$ 15 mil ao final de dois turnos de votação. A votação começa no dia 30 de junho. “Fiquei surpreso com a indicação. Mostra uma acolhida ao meu trabalho”, conta o artista.

Arte Naif
Longe dos holofotes da arte contemporânea, mas em destaque, está o artista Roberto Medeiros, que em julho estará na Flip, em Paraty, no Rio de Janeiro, integrando a 1ª Mostra Naif de Pequenos Formatos. A exposição reúne obras criadas a partir de livros. No caso do potiguar, o livro que serviu de referência foi “Quem tem medo do feminismo negro”, de Djamila Ribeiro. Depois de Paraty, Roberto Medeiros estará com obras na Bienal Internacional de Arte Naif de Socorro, em São Paulo.





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