Fim de Semana
As andanças de Allan Piter e sua música autoral
Publicado: 00:00:00 - 06/03/2020 Atualizado: 21:30:44 - 05/03/2020
Viver de música autoral no Brasil não é lá muito fácil. E encarar uma estrada sozinho com a companhia de um violão é um ato de coragem. Assim é a vida do paulistano Allan Piter que aportou em Natal para uma breve temporada e já passou por cidades como Belo Horizonte, Florianópolis, Montevidéu e outras vinte e nove, entre cidades latino americanas. Com um single recém-lançado, intitulado “Ela Mexe Comigo”, disponível em diversas plataformas, Allan acredita na união entre os músicos para o fortalecimento da música autoral. “Penso sempre na turma da Bossa Nova quando eles se reuniam, uns cantavam com os outros e faziam várias parcerias, essa é a música que dá certo e que eu acredito, é o fortalecimento da arte independente a partir de nós”, disse Allan em entrevista ao VIVER.

Magnus Nascimento
Allan vem de gerações de instrumentistas e aprendeu a tocar diferentes instrumentos de corda. Mas seu companheiro assíduo é o violão

Allan vem de gerações de instrumentistas e aprendeu a tocar diferentes instrumentos de corda. Mas seu companheiro assíduo é o violão



Na música desde os sete anos de idade, Allan vem de gerações de compositores e instrumentistas. Aprendeu diferentes instrumentos de corda como bandolim, baixo, guitarra, mas seu companheiro mais assíduo é o inseparável violão. Como andarilho musical, ele percebe que as fronteiras da música precisam ser abertas entre os países vizinhos do Brasil. “Em contato direto com músicos do Peru, Bolívia e Uruguai, tive a dimensão que existe um bloqueio nessas fronteiras. Nos países latinos, a música brasileira é bem aceita, mas não acontece o mesmo aqui. Ouvimos pouca música latina e minha pesquisa é em cima dessa quebra da fronteira”.

Para ele, um dos pontos importantes atualmente é a internet.   Se antes as cartas demoravam dias, as vezes semanas ou meses, hoje num clique a música pode chegar em diferentes lugares do mundo. “A internet é uma mãe para nós que queremos que a música chegue em todos os lugares. Através dela e dos contatos e principalmente da coragem, consegui fazer com que minha música tocasse em rádios até em Cabo Verde”, lembra.

Em seu repertório, 90% das canções são de autoria de Allan. Suas letras vem de vivências do dia-a-dia, além de inquietações como ser humano nos dias de hoje. O restante do repertório estão músicas de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Lulu Santos, quando o músico toma liberdade de criar uma releitura com seu próprio olhar. “Gosto de fazer isso, de pegar as músicas já existentes e colocar algumas pitadas do que gosto, uma batida diferente, um jeito meu de cantar e sentir a música”.

Allan percebe que de uns tempos para cá, a música autoral ganhou força. “Nos bares antes a gente não tinha muito espaço para tocar nossas musicas e hoje as pessoas já querem mais criações e menos imitações. É isso que busco”, disse.

Sua experiência antes de se aventurar na estrada em 2016, foi produzir alguns grupos e duplas do mundo sertanejo em São Paulo e imediações. “Eu percebi que eles tinham muita união e saiam em busca de outros cantores e compositores em diferentes cidades do Brasil. Faziam contato, trocavam bastante ideia. Foi nesse trabalho que percebi que o horizonte pode ser bem maior”.

Em Natal, Allan já fez a ponte com a banda Luaz, lançada em 2019, o músico Diego Brasil, além de Pablo Jones. “Aqui encontrei muitas pessoas dispostas e atentas a ouvir e a trocar as experiências. Eu amo vir a Natal por isso”. Prova disso é a agenda de Allan que se estende até o dia 13 de março, quando se despede da cidade e vai aportar em outras musicalidades.

Confira a agenda:
07/03 Jardim Ponta Negra, às 19h

12/03 Gourmeria, às 19h

13/03 Show: Caligula Bar | Pipa RN, às 19h

14/03 Show: Caligula Bar | Pipa RN, às 19h

15/03 Show: Sundays Bar | Ponta Negra RN, às 13h.









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