As chapinhas da Kibon

Publicação: 2020-02-19 00:00:00
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Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com

Esta semana ressurgiu um velho assunto que há muito sumiu do cotidiano brasileiro: os sorteios de brindes nos canais de TV. Dos estilos de brindes que já existiram no País, lembro de alguns que contribuíram para dar glamour à vida de crianças e jovens, como as figurinhas carimbadas dos álbuns e os brinquedos conquistados nas trocas por palitos de picolé. Os brindes nos albuns, que dependiam dos cromos difíceis, foram proibidos em 1975.

Jamais esqueci a promoção dos sorvetes Kibon que fez a alegria dos guris no começo dos anos 1960. Muito pequenino, ainda herdei algumas chapinhas que a geração do meu irmão colecionou a partir de 1962, quando a Kibon trouxe para o Brasil as chapinhas com imagens de aviões de guerra, exportadas da fábrica americana das gelatinas Jell-o. Eram de plástico duro e colorido, e pareciam grandes moedas ou fichas de cassino, usadas em diversas disputas.

O País vivia um clima de euforia com a conquista da segunda Copa do Mundo, no Chile, a copa em que Garrincha deu espetáculo e quase fez chover nos Andes. E a Kibon explorava também a chegada das festas de fim de ano.

Natal era uma cidadezinha calma, já livre do ambiente agitado da Segunda Guerra de duas décadas antes. Contava-se nos dedos as casas com telefone (todos pretos) e aparelho de televisão (só um). A bossa nova tocava no rádio.

Escondido dos pais e dos professores, os jovens fumavam cigarros Continental, Hollywood, Minister e Mistura Fina (sem filtro), preferencialmente nas calçadas dos cinemas, um ato que ilustrava o ritual de passagem.

Foi nesta época que a Kibon lançou a campanha “Chapinhas da Aviação” e ao mesmo tempo o picolé de apenas trinta centavos de cruzeiro. Os garotos precisavam juntar três palitos carimbados para adquirir uma chapinha.

A coleção continha 150 chapinhas, 50 a menos do que a coleção original americana. Depois vieram as imagens de carros, modelos calhambeques e cadilacs. O picolé disputando mercado com drops Dulcora e balas Mentex.

A promoção estava nos anúncios das revistas em quadrinhos e diziam: “Comece já a sua coleção das Chapinhas Kibon da Aviação!”. E era reforçada na TV pelo slogan “Como é bom o verão com Kibon, a delícia que refresca”.

Havia outro comercial com duas crianças, Marcelo e Cristina, assistindo um filme de bang bang. A mãe chamava-os para tomar sorvete e um índio aparecia no filme dizendo “Chefe Boca Fria também gostar de sorvetes Kibon”.

Eu entrei na segunda fase da infância ainda curtindo as chapinhas que resistiram ao tempo e ao desinteresse do meu irmão, que desviara as atenções para assuntos da  Jovem Guarda. Se juntaram às cédulas de papel de cigarro.

E como se tivessem a capacidade móvel dos aviões e carros estampados nelas, viajaram comigo por três casas diferentes, quando meus pais saíram da Cidade Alta, passaram por Santos Reis e adquiriram a casa das Quintas.

Meu irmão nasceu no ano em que a Kibon adotou os palitos de madeira, 1951, e um ano depois do lançamento do sorvete de maracujá, que está fazendo 60 anos de sucesso. Guardo algumas chapinhas, ainda com o sabor da família.

Mau sinal
Rodrigo Maia afirmou que a presença de militares da ativa em cargos importantes do governo federal é um mau sinal para a democracia. E o que representa um presidente de poder numa lista de propina da Odebrecht?

Militantes
A OAB tem 1,1 milhão de advogados filiados pelo Brasil afora. Há um gordo percentual de profissionais descaradamente praticando as pautas da esquerda e alimentando mimimi no Facebook. É uma verdadeira falange vermelha.

Presente
O ex-prefeito Carlos Eduardo pegou gosto pelas redes sociais e é uma presença diária postando opinião e comentários sobre o cotidiano e os problemas de Natal. E voltou a circular nos eventos, grandes e pequenos.

Migração
Pelas regras eleitorais, a troca de partido é um processo simplório para filiados sem cargos eletivos. Ao se filiar a uma legenda, a anterior é anulada. Mas o PSL está tentando impedir que seus filiados migrem para o partido Aliança.

Amazônia
Há uma mudança radical no cenário sócio-político dos mais recônditos lugares da região norte brasileira, impossível de compreender pela narrativa midiática. Sumiram ongs e diminuíram católicos, dando lugar a evangélicos e militares.

Sikêra Junior
Comunicólogos e jornalistas de rebuscado acadêmico não conseguem entender o sucesso estrondoso do pernambucano da Rede TV!, que optou por dizer sem frescura e sem medo aquilo que a maioria da sociedade quer ouvir.

Futebol
Primeiro o Flamengo contratou um técnico europeu e tudo mudou, o time ficou maior que os campeonatos capengas do País. E agora a CBF também imita a Europa com uma taça orelhuda e entendendo a importância da Supercopa.

Paulistão
No campeonato paulista, o único time com treinador da escola europeia, o Santos, lidera seu grupo até agora. Nos demais grupos, os outros três grandes, Palmeiras, São Paulo e Corinthians, foram superados pelos pequenos.

Créditos: DivulgaçãoO BomboO Bombo

O Bombo
É hoje no Bardallo’s, às 18h, o lançamento do romance de Cellina Muniz, “O Bombo – Guerra e Paz em Natal, 1945”, a desventura de um jornalista tentando editar um jornal de humor na cidade. Festa também pelos 10 anos da autora em Natal, com show de Reinaldo Azevedo e Quinteto Instrumental.




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