As falanges da intolerância

Publicação: 2020-07-09 00:00:00
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Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com 

O PT levou três décadas para sair da condição de intelectuais de cineclube e entrar na realidade de partido de massas. Na virada do milênio, ainda infectado no radicalismo lenininsta, construiu e consolidou a narrativa divisionista do patrão versus trabalhador, do “nós” contra “eles”. Entre os períodos dos presidentes Collor e FHC, o partido de Lula estabeleceu sua diferença, uma legenda autoproclamada pura num ambiente apodrecido pelos demais partidos.

A expansão petista galvanizou na militância a adoção ao pensamento único, herança totalitária do comunismo soviético e cubano implantada pelos velhos líderes da delinquência político-ideológica dos anos 1960-70, todos no comando das células fundadoras da agremiação no princípio dos anos 1980. E com a ascensão de Lula e Dilma, o PT dividiu o Brasil em três bandas e então alimentou seu discurso excludente, a divisão entre companheiros e burgueses.

O posicionamento xiita demonizou até as outras legendas de esquerda, com exceção do PCodB, sempre disponível como satélite insosso e inodoro da grande estrela eleitoral, onde a liderança religiosa de Lula era onipotente.

Dividir a própria esquerda foi marca do leninismo e do stalinismo, as placentas do marxismo grouxo da América Latina. Aliás, o escritor José Saramago dizia que a esquerda sofria uma espécie de tentação maligna pela fragmentação.

Aqui em Natal, nos anos 1980, o também escritor e atualmente procurador François Silvestre dizia em tom de piada acadêmica que na prisão do regime militar, três comunistas numa cela geravam dois partidos e uma tendência.

Na mesma época, o poeta paraibano Braulio Tavares – um dileto frequentador de Natal - expressou numa frase lapidar os vícios e desvios que a esquerda empresta à sua pseudovirtude: “A direita numa me enganou, a esquerda já”.

O tempo passou e o radicalismo do discurso “nós contra eles”, versão rococó do conceito sartreano de “o inferno são os outros”, acabou encontrando reflexo no espelho da intolerância e daí apareceu nas ruas uma direita assemelhada.

O embate se ensaiou nas eleições de 2018 com as tropas favoráveis a Jair Bolsonaro, batizado pelo PT no slogan “ele não”, que pode ser interpretado pela substanciação do radicalismo. E aí o capitão foi o “eles” contra o “nós”.

Terminada a eleição, o pau continuou cantando nas redes sociais, nos parlamentos, nos corredores de faculdades, nas calçadas de bar. E então descobrimos que tal confronto é também cópia dos conflitos pelo mundo afora.

Nos EUA, a chegada de Barak Obama ao poder acendeu o pavio da guerra de opinião e o rastilho segue queimando com Donald Trump, elevando a temperatura da intolerância a graus que se tornam cada dia mais perigosos.

Isso levou 150 intelectuais de prestígio a assinarem um manifesto que é na verdade um apelo à própria esquerda nas hostes do Partido Democrata, acusada de intolerância a perspectivas opostas e do uso de violência física.

Noam Chomski, Margaret Atwood, Martin Amis, JK Rowling e Garry Kasparou são alguns dos missivistas que se mostram preocupados com democratas intolerantes. Esperavam isso da direita radical, jamais dos progressistas.

A carta foi publicada na revista Harper’s, renomada publicação de politica liberal, cultura e finanças, onde todos aplaudem a reação anti-racista das passeatas, mas denunciam atitudes intolerantes que enfraquecem a democracia e a conformidade ideológica.

Créditos: Divulgação



Ativismo
Não se combate uma pandemia da dimensão do coronavírus com uma equipe formada por ativistas da saúde substituindo profissionais com experiência na linha de frente dos hospitais. Ativista entende de missão partidária e ideológica.

Manifesto
O Forum dos Servidores abriu um abaixo-assinado na internet contra a reforma da previdência de Fátima Bezerra, que será enviado à Assembleia Legislativa. Ontem à tarde, havia superado 1,2 mil assinaturas. A meta é chegar em 2 mil.

Pedofilia
O jornalista Hélio Schwartsman, que vomita filosofia esquerdofrênica pela morte do presidente, é o mesmo que cunhou o termo “pedofilofobia” para defender aqueles que exploram a erotização e exposição das crianças.

Aldir Blanc
O compositor dá nome à Lei que trará para a cultura potiguar uma verba de R$ 59 milhões, com metade para os municipios e metade para investimentos do governo estadual. É preciso racionalizar a distribuição de tanto dinheiro.

Exportação
Criada em 2016 e com três temporadas produzidas, a webserie made in Natal “Septo”, com roteiro de Alice Carvalho, Aureliano Medeiros e Frank Aleixo, que conta uma história de amor lésbico, concorre à melhor webserie na Itália.

Zorro
Mel caro Natanael Novaes, a abertura do seriado da TV dizia assim: “Zorro e seu fiel amigo Tonto, a máscara preta cobrindo-lhe o rosto, enfrentando os maus e defendendo os fracos, impondo a lei e a ordem no primitivo Oeste”. 

Sarriá
Domingo fez 38 anos do icônico jogo entre Brasil e Itália na Copa da Espanha de 1982, quando o supertime de Telê Santana caiu diante do artilheiro Paolo Rossi por 3 x 2. Um ano antes, perdeu para o Uruguai na final do Mundialito.

Gerações
Desde aquela fatídica segunda-feira, revi o jogo várias vezes, e cada vez que revejo consolido a impressão de que a Itália mereceu ganhar. Eram duas grandes gerações de craques, mas nossos laterais tomaram bola nas costas.