As histórias de quem busca uma oportunidade

Publicação: 2017-06-18 00:00:00 | Comentários: 0
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Na unidade do Sine/RN da Central do Cidadão, no Shopping Via Direta, o movimento era tranquilo na tarde da última quarta-feira (14). Poucas pessoas ocupavam os balcões em busca de emprego, como o eletricista Derleci Nascimento, de 29 anos. Ele tem experiência no setor industrial, como montador de estruturas metálicas e como eletricista, área em que atuava até dois meses atrás, quando foi desligado de uma empresa prestadora de serviços à Companhia Energética do RN (Cosern).

Com passagem por uma distribuidora de tintas em São Paulo/SP, além de outras ocupações informais como motorista e segurança, Derleci, agora, está à procura de um novo emprego. No entanto, no dia em que ele foi ao Sine/RN, nove vagas eram oferecidas - nenhuma para a área pretendida. Mas isso não o desanima. "Graças a Deus estou cheio de promessas de emprego. Estou só no aguardo que me chamem", declara, com otimismo.

Derleci Nascimento, 29: Eletricista busca recolocação em Natal
Derleci Nascimento, 29: Eletricista busca recolocação em Natal

A dona de casa Francisca David, 44 anos, mulher de Derleci, afirma que está complicado manter a família, que tem ainda duas crianças para criar, diante do desemprego que também a atinge. "De vez em quando ele [Derleci] faz bicos como eletricista para ajudar", frisa. Com experiência em serigrafia, operação de máquina de bordado e organização de viagens turísticas, dona Francisca está há dez anos sem trabalhar formalmente, quando a indústria de confecção onde era empregada decretou falência. "A situação está difícil. Mas eu tenho vontade de trabalhar novamente. Estamos correndo atrás de emprego e deixando currículo", afirma.

Em um dos balcões de atendimento, Rafael Cavalcante, de 34 anos, não demonstrava preocupação após ser desligado da empresa terceirizada onde trabalhava como agente de portaria, na recepção de uma universidade particular em Natal. Ele trabalhou  por três anos e nove meses em uma outra empresa, mas após a instituição de ensino a qual prestava serviço assinar contrato com outra empresa terceirizada, migrou junto com outros funcionários.

No entanto, o contrato, que era temporário, não foi renovado. Rafael foi ao Sine/RN solicitar o benefício do seguro-desemprego, ao mesmo tempo em que se dedica aos estudos em Educação Física, curso que escolheu para se profissionalizar e, quem sabe, conseguir um emprego na área depois de formado. "Vim dar entrada no seguro para continuar focado nos estudos, vai me dar uma garantia até o final do semestre. Mas, se o negócio começar a apertar, a gente encara qualquer coisa para voltar a trabalhar", comenta.

Rafael Cavalcante, 34: Aposta em qualificação para emprego
Rafael Cavalcante, 34: Aposta em qualificação para emprego

Faz um ano e três meses que a dona de casa Gisely Vasconcelos, 37 anos, está em busca de uma nova chance para se inserir novamente no mercado de trabalho. Em seu currículo, estão experiências como operadora de caixa, auxiliar administrativo e tesouraria, além de acumular dez anos de carteira assinada. Moradora do bairro Panatis, na zona Norte de Natal, Gisely divide as mesmas incertezas com cerca de 250 mil pessoas sem perspectivas de emprego em todo o Rio Grande do Norte. A necessidade urge a todo momento, e qualquer chance que surgir será bem aproveitada por ela. "Estou aceitando qualquer coisa, desde que seja um trabalho digno. Eu aprendo rápido", diz.

Gisely recebe auxílio financeiro do ex-marido e da mãe para ajudar no sustento dela e do filho de 16 anos. Para complementar a renda, ela atua em bicos com faxinas, o que tem contribuído para aliviar momentaneamente a fase difícil que atravessa. "Isso tem me ajudado a segurar a barra, pois quero dar um futuro melhor para meu filho que tanto me orgulha. Eu acredito que uma hora vai surgir a oportunidade, mas tem momentos em que a auto-estima cai. A pessoa se sente inútil".


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