Jornal de WM
As leituras de Peixoto
Publicado: 00:00:00 - 23/01/2022 Atualizado: 14:55:45 - 22/01/2022
Woden Madruga
[ woden@tribunadonorte.com.br ]

Andando pelas veredas da internet encontro Carlos Peixoto, editor desta Tribuna do Norte por muitos anos, mas que, no meio do caminho resolveu deixar a profissão e cuidar de outras tarefas mais prazerosas: ler, desenhar, pastorar a paisagem, tocar violão. Mais: se afastou da vida urbana e se mandou no rumo da Praia do Zumbi, litoral norte (município de Rio do Fogo), quase parede e meia com o Cabo de São Roque, a mesma rota do navegador Américo Vespúcio. Está por lá derna de julho do ano que passou, chalé montado, janelas abertas para o mar. Anotei algumas passagens da prosa de Peixoto, começando pelo começo:

“Como dizem, quem é vivo sempre aparece, neste caso, também é possível cair ‘em sua caixinha d’almas’... O fato é que encontrei Toinho no supermercado e ele me deu notícias e despertou saudades de todos os que ainda resistem na “trincheira do jornalismo da velha Ribeira” (assim gostava de gritar, no meio da redação, o velho Barreto). ”

“Não tenho vindo muito a Natal. Estamos, eu e Ceiça, auto exilados em Zumbi dedes julho, praia que também era pouso e preferência do saudoso Carlão (e quanto ainda dói a sua falta). Era um velho sonho e um desejo permanente viver a beira-mar, seguir as marés, observar as idas e vindas dos barcos de pesca e, como no poema da fidelidade ao mar de Gilberto Avelino, ouvir “vozes alta do mar, vindas em tarde/ insonora do sol em poente (...) cânticos que jamais/ se ouvirão em terra firme”.

“Levei a obra completa dele, junto com duas dúzias de outros autores preferidos. Nenhum novo, muita releitura, incluindo o velho Reminguei, Conrad e o peruano Ciro Alegria e seu belíssimo romance “Grande e Estranho é o Mundo. ” Esses e mais cinco ou seis edições da revista Piauí atrasadas e não lidas. Ah! E uma tradução nova, feita diretamente dos textos gregos dos séculos I e II, dos Evangelhos, por Marcelo Musa Cavallari, que Alexis trouxe na bagagem como presente de Natal. ”

“Algumas horas dedicadas aos desenhos e nenhuma à escrita (pretendo corrigir isso), banhos de mar diários, ‘siestas’ e muita conversa jogada fora com os pescadores no Porto da Barrinha do Punaú é toda a programação. Sinal de celular ou tv não temos em casa, o que estamos descobrindo ser um bônus extra. O país ainda desce a ladeira, sem freios, e não ter notícias das imbecilidades do Bozo e seus seguidores nos faz bem. Na passagem do ano comemoramos que 22 será o último desse desgoverno. Inshallah! ”

“Que 22 também seja um ano de muito proveito, leituras, achados na gaveta dos guardados do Jornal de WM. Saúde e paz. Abraços, do ex-aluno, Peixoto”.

Poesia
Carlos Newton Júnior está com novo livro de poemas na praça, “Coração na Balança”, editado pela Nova Fronteira e lançado do final do ano passado. Tem prefácio do crítico e professor de literatura Lourival Holanda (Universidade Federal de Pernambuco) e orelhas do poeta Cláudio Neves. A capa é de Ricardo Gouveia de Melo, a partir de uma pintura de Manoel Dantas Suassuna.

O livro, que reúne 110 poemas, me chegou às mãos pela nímia gentileza de Volontê, também poeta e peregrino incansável de sebos e livrarias. Na abertura, após o prefácio, Carlos Newton transcreve um poema de Paulo de Tarso Correia de Melo, potiguar de boa cepa:

“Na sala de ser, estreita, / na sala de estar sozinho/ e outras salas do destino, / o poema espreita. // O poema esteve onde sempre estive:/ ao alcance da mão, / sob todos os passos, / o poema vive. ”

Natal, Natal
-Natal, onde Carlos Newton viveu por muitos anos (professor da UFRN), é mote de um de seus poemas (são 110), com o título: “Natal, Neguev, Natal”:

“Sob este sol escaldante, / de ofuscante claridade, / brotam claros edifícios/ que conformam a cidade/ numa brancura de sal: / Natal, Neguev, Natal. // Oh, Natal da minha infância, / de brisa e de belveder, / que já não existe mais! // Árvores, aqui já houve? / Sim, mas num dia distante, / pois agora é outro o verde / que aos mandatários importa. // Cidade do Sol, do sal, / sem as carícias do açúcar, / sem flores et cetera e tal. // E é tanto poeta! / E é tanto jornal! // Natal, Neguev, Natal. ”

Artesanato
Anote em sua agenda: dia 28, sexta-feira que vem, acontece a abertura da 27ª Feira Internacional de Artesanato, a Fiart, montada no Centro de Convenções de Natal. Vai até o dia 6 de fevereiro. Um grande evento cultural com destaque voltado para o nosso folclore.

Política
Deu na Coluna Estadão, do jornal Estado de S.Paulo:

- Os constantes sinais de queda na intenção de voto em Jair Bolsonaro entre o eleitorado evangélico começam a preocupar governistas e gente do “bolsonarismo raiz”. Nem as mais recentes declarações defendendo a agenda conservadora nos costumes nem a indicação de André Mendonça para o STF parecem ter sido suficiente para alterar o rumo dessa tendência.

- Os motivos são incertos e, muito provavelmente, passam pelas dificuldades dos brasileiros na economia. Porém, começa a ganhar força a ideia de que atitudes de Bolsonaro no cotidiano, como dançar funk em uma lancha junto com uma mulher de biquíni e sugerir pouco apreço ao trabalho, estão repelindo os evangélicos.

Evangélicos empatados
A coluna conclui:

- Segundo a mais recente pesquisa Genial/Quaest, Lula (PT), com 35%m e Bolsonaro (PL), com 34%, estão tecnicamente empatados em intenção de voto para presidente entre os eleitores evangélicos. ”

Elza Soares
De Chico Buarque de Hollanda:

“Se acaso você chegasse a 1959 e ouvisse no rádio aquela voz cantando Se acaso você chegasse, saberia que nunca houve nem haverá no mundo uma mulher como Elza Soares”.

De Ruy Castro, cronista, escritor, biógrafo (“Estrela Solitária -  Um brasileiro chamado Garrincha”): “Elza Soares foi uma cantora invencível, que ninguém destruiria”.

Livro
Notícia boa que vem de São Paulo: “Em 2021, a venda de livros no Brasil cresceu 29,3%. Já o faturamento das editoras aumentou 29,2%. São dados do Painel de Varejo de Livros do Brasil a partir de uma pesquisa realizada pela consultora Nielsen BookScan. Ao todo, foram vendidos no país 55.012.271 livros. Em 2020, 42,5 milhões. ”

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