As memórias inventadas de João Almino

Publicação: 2017-11-10 00:00:00 | Comentários: 0
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O diplomata e escritor João Almino, recém imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL), senta ao lado do escritor romancista, Humberto Hermenegildo, nesse terceiro dia do FLIN 2017, para falar sobre o tema “Romance: Ficção e Memória”, na Tenda dos Autores, a partir das 19h. Além de participar como palestrante, Almino também lança seu mais recente título publicado, “Entre facas, Algodão”, no estande da Cooperativa Cultural Universitária, no mesmo dia, às 21h. O FLIN 2017 acontece na Praça Augusto Severo, na Ribeira.

O escritor João Almino, estará ao lado do romancista  Humberto Hermenegildo no Flin 2017
O escritor João Almino, estará ao lado do romancista Humberto Hermenegildo no Flin 2017

Talvez muita gente não saiba que o premiado escritor – já famoso Brasil afora – é natural de Mossoró (RN), mas que cresceu e construiu sua carreira além dos domínios norte-rio-grandenses. A Tribuna do Norte há pouco mais de dois anos noticiou que ele era finalista do Prêmio São Paulo de Literatura e, assim, ficou sendo um pouco mais conhecido. De maneira, que será a primeira vez que João Almino virá a Natal para falar com os espectadores do FLIN.

Almino saiu do Nordeste há muitos anos, mas seus romances revelam traços de suas origens. “Foram cinco, incluindo este (atual), os romances que escrevi em primeira pessoa, com personagens muito distintos uns dos outros. E há vários personagens nordestinos nos meus romances. No meu primeiro romance, por exemplo, escrito há trinta anos, as duas personagens mais fortes são nordestinas. Elas reaparecem em vários dos romances seguintes.  O personagem que costura o enredo de meu romance Cidade Livre também é nordestino”, explica o escritor.

Mas, em “Entre Facas, Algodão”, há um “plus”: o cenário, o ambiente do livro é nordestino. “Recriei de memória, lugares como uma pequena cidade de interior que se parece com várias de nossas cidades nordestinas, bem como paisagens de uma fazenda do sertão, também semelhante a tantas outras. Isso fiz com certo grau de invenção. No mais, rigorosamente não existem raízes nem volta às origens. Sempre há outros começos, e a viagem, com altos e baixos, é sempre de ida”, diz ele. Inclusive, em outras entrevistas, Almino revelou que seu novo livro poderia ter sido o primeiro, que não foi lançado antes por não querer fazer menos do que já havia sido feito sobre ficção tendo o Nordeste como pano de fundo. Indagado sobre por que só agora, ele responde que foi “o desejo de realizar um projeto antigo, mas que passou a ser maior do que o temor de repetir, em tom menor, o que já havia sido feito”.

Sua mesa, ao lado do poeta e escritor,  Humberto Hermenegildo, que esse ano lançou “Rastejo”, um romance que bebe muito das memórias do seu sertão Acariense, vai tratar de um tema caro e central ao FLIN desse ano. Indagado sobre o proposital trocadilho de que até que ponto o escritor de ficção é um memorialista e um memorialista é um escritor de ficção, Almino é generoso na resposta: “A ficção, por definição, tem que fabular.  O irrealismo é a condição da arte, dizia um personagem de Borges. E isso ocorre mesmo quando o autor tem uma preocupação com a verossimilhança. Penso que meus personagens devem ser reais, transmitir emoções verdadeiras e viver em mundos convincentes para o leitor, mesmo que sejam puras invenções literárias.  Pessoalmente gosto de criar um universo ficcional e trabalhar com memórias inventadas, procurando ao mesmo tempo fazer com que sejam convincentes.

A relação do imortal com sua cidade natal, Mossoró, tem a ver com sua formação inicial. Ele revela que tem por lá muitos laços afetivos e que voltou diversas vezes a Mossoró, já como escritor, para participar de aula inaugural na Universidade, ou de homenagens organizadas pela cidade e a feira de livros. Já de Natal, os laços estão se construindo.

Aliados às feiras, festas e festivais literários, João Almino - que vive em Brasília (DF) por conta de sua carreira diplomática, acredita que deveria existir mais investimento e melhor educação, para a formação de leitores no Brasil. “Isso (educação) é fundamental não apenas para que tenhamos mais leitores, mas também para o exercício da democracia e para o desenvolvimento do país.  Dito isto, a promoção do livro através de distintas iniciativas, entre as quais a dos festivais literários, deve ser vista de maneira muito positiva”.

Tenda dos Autores
19h - Memória e Ficção, com João Almino e Humberto Hermenegildo

Estande da Cooperativa Cultural no FLIN

21h – “Entre facas, Algodão”, lançamento do livro


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