As portas abertas da ficção abraçam a realidade

Publicação: 2017-10-12 00:00:00 | Comentários: 0
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Quando Mona Lisa de Sá se tornou mãe, algumas dúvidas que pairavam sobre sua cabeça, desde muito antes, acerca de seu nascimento e suas origens voltaram à tona. Onde estavam as fotografias da mãe grávida? Por que seu primeiro berço era um improviso de duas cadeiras postas uma em frente à outra? E os brinquedinhos e roupas, por que lhes eram herança de uma irmã nascida antes dela? Um galhinho fraco de árvore que não vingou. Sua mãe sempre se apavorava com esses questionamentos. Anos depois, um dos temas centrais do livro que ela está lançando agora, Abrindo Portas – Ressonâncias do Real, pela Editora Caravela Selo Cultural é, com certeza, a temática da adoção. O livro será apresentado ao público leitor amanhã (13), a partir das 19h, no Teatro de Cultura Popular Chico Daniel e custará R$ 40.

No livro, Mona Lisa de Sá pincela fatos vividos e descreve a relação com a mãe adotiva
No livro, Mona Lisa de Sá pincela fatos vividos e descreve a relação com a mãe adotiva

“Essa obra surgiu, inicialmente, com o intuito de ajudar minha mãe a aceitar essa situação. Escrevendo eu também me ajudei a entender o que se passava comigo. Penso que aceitar eu sempre aceitei, embora eu sentisse a necessidade de enxergar os fatos mais às claras. Mas queria libertar a minha mãe do preconceito e do medo que ela sentia se eu descobrisse a verdade”, explica Mona Lisa de Sá, empresária e estudante de Psicologia.

A escritora decidiu pincelar os fatos reais de sua história com cores de ficção. Para tanto, mudou nomes, criou personagens fictícios e recheou o livro com diálogos, tornando-o um livro de leitura fluida e vivaz, característica aliás, parecida com seu discurso no cotidiano. Sem rodeios.

Até chegar à versão atual de Abrindo Portas – Ressonâncias do Real passaram-se cerca de dez anos. Lá atrás, quando ela soube por uma tia os detalhes de sua história, o livro funcionou como uma espécie de catarse. “Escrevi em dois meses. Talvez menos. Mas o livro passou dez anos no congelador. Não me sentia pronta para transformá-lo num livro como é agora. Mas não é mais o mesmo, definitivamente. Refiz tudo, incluí outros temas, personagens fictícios mais complexos e com uma pegada psicológica”, explica ela.

Na época da descoberta, Mona Lisa chegou a participar de reuniões na ONG Acalanto, que dá suporte jurídico e emocional a casais e pessoas que estão na fila de adoção. “Fui numa sessão e falei com alguns pais candidatos. Queria ajudar em alguns medos que por ventura eles sentissem e falar que a adoção é uma coisa possível. Também cheguei a participar de um programa de TV, eu e mamãe, para falarmos sobre a experiência de cada uma”. Inclusive, um dos momentos de destaque do livro é quando a personagem principal conversa com a mãe, falando sobre a descoberta da adoção e que esse fato não muda o amor que ela sente.

Perguntas sobre quem somos, para onde vamos e o que estamos fazendo aqui são os pilares da nossa existência. Nem sempre a resposta é fácil. Sair da zona de conforto e confrontar o próprio rosto no espelho exige coragem. Sem nenhuma pretensão didática Mona Lisa conversa com o leitor, acerca de alguns questionamentos, através do cotidiano e do comportamento dos personagens. A narrativa e a trajetória dessa obra simbolizam a possibilidade real que encontramos de descobrir quem somos, sem que isso seja uma ofensa ou uma ferida aberta e incurável.

Serviço
Abrindo Portas – Ressonâncias do Real – lançamento
Dia: 13 de outubro
Hora: 19h
Local: Teatro de Cultura Popular (TCP), Rua Jundiaí – Tirol
Preço: R$ 40


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